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Promotoria diz que ex-líder de gangue 'ordenou morte' de Tupac Shakur por vingança

Duane 'Keffe D' Davis, de 63 anos, é o único acusado pelo assassinato do rapper, ocorrido há quase 30 anos em Las Vegas; defesa alega investigação falha

Agência O Globo - 18/08/2026
Promotoria diz que ex-líder de gangue 'ordenou morte' de Tupac Shakur por vingança
Promotoria diz que ex-líder de gangue 'ordenou morte' de Tupac Shakur por vingança - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Quase três décadas após a morte de Tupac Shakur, o julgamento do único acusado pelo assassinato do rapper teve início em Las Vegas. No primeiro dia de depoimentos, promotores afirmaram que o ex-líder de gangue Duane 'Keffe D' Davis, de 63 anos, teria planejado o ataque como vingança por uma briga envolvendo seu sobrinho, ocorrida apenas algumas horas antes do crime.

Os tiros que resultaram na morte de Tupac foram disparados por um cúmplice de Davis.

Davis não é acusado de ter efetuado os disparos que atingiram Tupac. Segundo a promotoria, porém, ele era o 'comandante no local' e teria 'ordenado a morte' do artista, além de fornecer a arma utilizada no ataque. O réu se declarou inocente.

— Sejamos claros, Duane Davis não apertou o gatilho, mas planejou o tiroteio em retaliação à agressão sofrida por seu sobrinho — afirmou o promotor-chefe adjunto Binu Palal ao júri.

A acusação sustenta que o crime foi motivado por uma briga ocorrida horas antes, após uma luta de Mike Tyson, em setembro de 1996. Tupac e integrantes de seu grupo se envolveram em uma confusão com Orlando Anderson, sobrinho de Davis e membro da gangue South Side Compton Crips.

Segundo os promotores, Davis considerou que a agressão não poderia ficar sem resposta. Ele teria conseguido uma arma e circulado por Las Vegas com outros homens até localizar o carro onde estavam Tupac e Marion 'Suge' Knight, cofundador da gravadora Death Row Records.

A promotoria afirma que Davis estava no banco do passageiro de um Cadillac branco e entregou a arma a Anderson, que disparou contra o veículo do rapper. Tupac, então com apenas 25 anos, foi baleado em 7 de setembro de 1996 e morreu seis dias depois.

Parte central da acusação baseia-se nas próprias declarações feitas por Davis ao longo dos anos. Em entrevistas e em um livro de memórias publicado em 2019, ele afirmou que estava dentro do Cadillac envolvido no ataque e relatou ter entregue a arma ao sobrinho.

A defesa contesta a validade dessas declarações. Os advogados afirmam que trechos do livro foram ficcionalizados para aumentar as vendas e classificam a versão apresentada pela promotoria como resultado de uma investigação 'tendenciosa, negligente e incompleta'.

— Que fatos eles têm depois de 30 anos? — questionou o advogado Michael Sanft.

A defesa também citou relatórios policiais desaparecidos, provas contestadas e testemunhas que teriam alterado suas versões ao longo dos anos.

A primeira testemunha ouvida foi Garry Dale, policial de Las Vegas na época do crime. Ele contou que acompanhou Tupac na ambulância após o atentado e tentou obter informações sobre os responsáveis pelos disparos. Segundo Dale, o rapper se recusou a colaborar.

— Nós vamos cuidar disso — teria respondido Tupac.

Outra testemunha, Ingrid Stokes, relatou que estava nas proximidades no momento do ataque. Ela disse que seguia o carro de Tupac e Knight em direção a uma boate quando percebeu outro veículo tentando ultrapassá-los.

— Estávamos de cabeça baixa, tirando os cintos de segurança, quando ouvimos os tiros. O inferno se instaurou — afirmou.

O assassinato de Tupac se tornou um dos casos sem solução mais conhecidos da história da música americana. A investigação atravessou décadas em meio às rivalidades entre as cenas de rap da costa Leste e Oeste dos Estados Unidos e às disputas entre as gangues Bloods e Crips.