Curiosidades
Em cartaz na Casa Roberto Marinho, mostra individual de Waltercio Caldas terá livro lançado neste sábado (15)
Com textos críticos de Paulo Sergio Duarte e Paulo Venancio Filho e apresentação de Lauro Cavalcanti, 'O (tempo)' traz 111 imagens das obras selecionadas para a exposição
Em cartaz na Casa Roberto Marinho, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio, até 27 de setembro, com visitação média de 5 mil pessoas por mês, o indivíduo “O (tempo)”, de Waltercio Caldas, terá o livro de mesmo nome lançado neste sábado (15), às 15h, na tarde de autógrafos. Com textos críticos de Paulo Sergio Duarte e Paulo Venâncio Filho , que acompanham de perto a trajetória do artista, e apresentação assinada por Lauro Cavalcanti , diretor da instituição, a publicação bilíngue traz 111 imagens das obras selecionadas para a mostra, cobrindo seis décadas de carreira.
Ricardo Ribenboim:
Encontradas em São Bernardo do Campo:
Seguindo a linha editorial da Casa, com publicações que acompanham as mostradas, “O (tempo)” teve um envolvimento direto de Waltercio em sua preparação, trabalhando junto à designer gráfica Sula Danowski , como destaques Cavalcanti.
— Da mesma forma que o Waltercio atuou na curaria da mostra, pensando na disposição das obras como as articulações entre elas, ele também participou muito do livro. Como ele faz tudo muito bem e de forma consistente, o resultado foi excelente — enaltece o diretor do CRM. — A exposição é um primeiro impulso, e o livro tem essa identidade própria, vai além de um catálogo da mostra.
Nos textos críticos, Duarte aborda a trajetória do artista, e Venâncio aponta questões relacionadas à sua exposição. Em sua apresentação, Cavalcanti contextualiza a geração de Waltercio (que completa 80 anos em novembro) em relação à produção contemporânea brasileira, em especial ao movimento neoconcreto, do final da década de 1950.
— Falo do objeto neoconcreto, mas com a diferença de que o movimento articulava a palavra a ele. Ao passo que o Waltercio valoriza o objeto antes de seu próprio nome, o espectador que vai descobrir seu sentido ao olhar, é um objeto quase independente — compare Cavalcanti. — Ele aprecia muito esse breve momento de surpresa do espectador em relação ao objeto. Tem essa diferença em relação aos “Bichos” (esculturas interativas de Lygia Clark ), por exemplo, que se completam na ação mecânica do espectador. O Waltercio convida para essa interação não de forma física, mas com o olhar.
As páginas iniciais do livro trazem a citação de um fragmento poético do cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard (1930-2022), uma reflexão sobre a densidade do tempo e a dificuldade do cinema em capturá-lo. Utilizado como texto de parede na exposição, o poema, além de abordar o tema que perpassa as 108 obras em cartaz, também reforça a relação do artista com a sétima arte, que resultou numa seleção de 20 filmes nacionais e internacionais por ele indicados, exibidos no auditório, durante a mostra.
— Foi uma forma de sair da sua área específica de atuação para que o público pudesse conhecer também a apreciação do Waltercio sobre outra forma de arte, e que é muito revelada. Você tem um dado a mais para compreender sua produção vendendo a sofisticação e o ecletismo das suas escolhas, que vão desde de Tarkovsky (“Solaris”) a Sergio Leone (“Era uma vez no Oeste”) — conclui Cavalcanti.
'O (tempo)'
Autor: Textos de Lauro Cavalcanti, Paulo Sergio Duarte, Paulo Venâncio Filho e Waltercio Caldas. Tradutor: John Norman. Editora: Casa Roberto Marinho. Páginas: 184. Preço: R$ 290.
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