Curiosidades
Luciana Fróes: 'Renato Machado foi professor, desbravador e impulsionador da boa mesa carioca'
Jornalista e grande incentivador dos vinhos no Brasil morreu nesta quinta-feira, aos 83 anos
Quando ninguém por aqui falava em vinho, Renato Machado</strong se destacou como um verdadeiro pioneiro. Protagonizou um dos melhores programas sobre o universo da bebida que conheço: o "Reserva Especial", um sucesso estrondoso em 2004, que permaneceu no ar por oito anos e rendeu DVDs que estouraram no mercado. Dividiu ainda com Troisgros o "Menu Confiance", outro sucesso de público da TV brasileira. Ele não perdia um.
Em seu último post,
Elegante, culto, dominava vários idiomas. Antes de tudo e acima de tudo, Renato foi um grande jornalista. Foi editor da Internacional do Jornal do Brasil antes de se juntar à equipe do O GLOBO. Eu ainda era uma jovem estudante de jornalismo, estagiava no Jornal do Brasil, e frequentemente ele me convidava para um café para me atualizar sobre as novidades do mundo. Achava o máximo.
Com sua voz bonita e empostada, fazia um pulo certeiro com sua desenvoltura e conhecimento em assuntos variados: política, mundo, música clássica (organizava grupos de estudo em sua bela casa na Gávea, onde havia fila de espera), artes plásticas, gastronomia e vinhos. Sabia tudo.
Na televisão, como âncora de jornais na TV Globo, Renato se tornou um verdadeiro astro. Lembro de um encontro que tivemos no restaurante de Janjão Garcia, o Garcia&Rodrigues, no Leblon, quando um grupo de fãs se aproximou para pedir autógrafo ao Renato. Vaidoso, com seu foulard no bolso do paletó, levantou uma sobrancelha, abaixou os óculos e deu um meio sorriso orgulhoso. Blasé, escreveu seu nome com letras graúdas em um pedaço improvisado de papel. Nada de gracinhas. Rascante.
Fingia que não, mas adorava a tietagem de artista. Quando adentrava os restaurantes, o salão parava para testemunhar sua chegada. Um desfile. E os garçons tremiam. Rigoroso, implicava com tudo: a temperatura do vinho, o balanço da garrafa, a retirada da rolha incorreta… Era tenso dividir taças com ele, mas compensava com suas histórias deliciosas. Era um grande contador de passagens maravilhosas, que sempre me rendiam um plus nos meus escassos conhecimentos, especialmente sobre vinhos.
Viveu 83 anos, acho que muito bem vividos.
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