Curiosidades
Amigo de Preta Gil relembra estreia da cantora em musical como travesti: 'Era tudo pura provocação'
Cantora protagonizou, em 2006, o espetáculo 'Um homem chamado Lee', encarnando fã que toma o lugar de Rita Lee após sequestrá-la
Pouca gente lembra, mas Preta Gil já esteve nos palcos como atriz. Há exatamente duas décadas, uma artista — cuja carreira completa um ano na próxima segunda-feira (20) — aceitou o desafio de estrelar um musical que abordava a vida de uma travesti que sequestrava Rita Lee, por quem nutria verdadeira idolatria, para tomar seu lugar. Naquela época, o trabalho acabou se aproximando da Preta do público LGBTQIAP+. No mesmo ano, Preta se apresentou pela primeira vez em um trio elétrico durante a Parada Gay de Salvador, onde foi madrinha do evento. O fato curioso foi relembrado por Horácio Brandão, amigo e ex-assessor da cantora, que enviou fotos da época em suas redes sociais.
'Quem ama cuida':
Imax:
"Estamos falando de uma era onde não se falava em 'drag' e onde a cultura gay não era mainstream. Foi, sem dúvida, um projeto corajoso", recorda Horácio em publicação no Instagram.
Com composição inspirada nas produções off-Broadway, "Um homem chamado Lee" segue a trajetória de Ivanildo, uma mulher trans que sequestrou Rita Lee e a mantinha em cativeiro — num banheiro abandonado de uma estação de metrô. O objetivo? Linda Lee, nome da personagem, desejava tomar o lugar de cantora e se tornar uma estrela do rock nacional.
Na ocasião, o fato de uma mulher cisgênero interpretou um personagem transgênero não gerou grandes discussões. Em entrevistas para divulgar a peça, Preta afirmou que se inspirou nos amigos trans. "Tenho muitos amigos travestis. Me inspirei neles, mas também em mim. Já nasci um travesti. Sou uma mulher veada", declarou em entrevista ao jornal "Extra" em 2006.
“Ela era quente o suficiente para se deixar levar numa trama surreal e se transmitir de forma vulnerável e humilde”, recorda Horácio. "A própria Rita Lee coincide em se filmar debaixo de uma pia, amordaçada. Gilberto Gil era ministro e foi com Flora Gil assistir a verdadeira inusitada montagem", acrescentou o amigo e ex-assessor da cantora.
Além disso, "Para sustentar a narrativa, convenci-a a ser jurada do Miss Brasil Gay em Juiz de Fora e também a aceitar ser madrinha da Parada Gay de Salvador. Foi nesse momento que Preta cantou em cima de um trio pela primeira vez para um público da diversidade. Ela se viu naquela que, somente cinco anos depois, se tornaria o Bloco da Preta. Tenho orgulho dessa história", finalizou Horácio.
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