Curiosidades
Maria Rita fala da emoção de dividir o palco com o filho Antonio e diz que não escuta a mãe, Elis Regina, 'porque dói'; assista
Em entrevista ao videocast 'Conversa vai, conversa vem', a cantora de 48 anos também reflete sobre como a ausência da mãe afetou sua maternidade: 'Sou sozinha, não tive referência'
Maria Rita falou da emoção de dividir o palco com o filho Antonio Baldini , de 22 anos, que estreia na percussão e no violão na turnê da mãe, "Redescobrir vol. 2". Em entrevista ao videocast 'Conversa vai, conversa vem' , que vai ao ar nesta terça-feira (14), às 18h, no perfil do GLOBO no Youtube e no Spotify, a cantora de 48 anos conto que não escuta a mãe, Elis Regina , "porque dói". Leia o trecho:
Fica muito emocionado em dividir o palco agora com seu filho, Antonio Baldini, que toca violão e percussão?
Pois, é, aquela barriga virou um músico. Fico absurdamente emocionada! Não imaginei o quanto. Tem aquela hora em que quero apertar a bochecha dele. E quando o arranjo pega fogo e vejo a cabeça dele saindo fumaça, penso: "Vou pedir pausa para ele respirar". Mas não posso né... (risos).
Como lida com esse patrimônio familiar que Elis Regina deixou para os filhos? Como faz para que entendam a dimensão que ela teve?
Busco falar dela o máximo possível. Colocar entendimento da responsabilidade, mas não na coisa pesada que eu seja um diativo. Mas da responsabilidade do amor, do afeto, do orgulho, do legado que a gente leva. Tem que ser bom para eles também. Converso com o Antonio nesse momento em que ele não sabe o que vai ser: Digo quer ser músico, vou te dar a minha opinião, que não é a verdade absoluta: você se lascou: É filho da Maria Rita, neto da Elis Regina e do César Camargo Mariano, tá fodido. Se não usar isso a seu favor, se não ficar alerta, o que tem de malandro só esperando você botar a cabeça para fora... Vão te comer vivo. Eu não vou deixar, estou do seu lado. Então, é esse entendimento de que temos um legado, um bom legado, não é um legado de vergonha, é bonito, é o legado de uma identidade de uma nação. Falo: Cara, quando vovó morreu, parou na cidade de São Paulo, botaram em cima de um caminhão de bombeiro, só que Ayrton Senna teve igual. É para ter orgulho, entende?
O fato de a mãe não ter tido impacto na sua maternidade?
Muito. Eu estou sozinha, minha maternidade é puro instinto. Não sei o que é, não lembro, não tive essa.
Ouve sua mãe?
Não. Não ouço porque dói. É um trauma, grosseiramente falando. Uma terapeuta me disse: "Deixa eu te dizer uma coisa para você entender o que aconteceu com você: Com quatro anos de idade, sua mãe te botou para dormir e quando você acordou, ela sumiu, nunca mais apareceu e ninguém te explicou o que aconteceu. Todo mundo sumiu: sua vó, seu tio, todo mundo". Ela acordou em mim, já aos 20 anos, o estresse pós-traumático de uma depressão infantil. E eu aqui vivendo achando que estava tudo bem, normalzinho. Ela falou: “não tem como ser normal”. Então, vai chegando num lugar... Quando fiz 36 anos, a idade que ela morreu, minha cabeça deu um nó violento. Quando minha filha Alice fez quatro anos, eu falei "caraca, é muito pequenininha".
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