Curiosidades
Rio-Niterói: CCJF celebra 25 anos de atividades com mostra com 200 obras do acervo do Museu do Ingá
Com curadoria de Marcus Lontra e Rafael Peixoto, coletiva 'Coleção Ingá — Brasil plural' tem destaques como painel monumental de Di Cavalcanti, gravuras de Goeldi e representações de paisagens e do cotidiano carioca desde o século XIX
Comemorando seus 25 anos de funcionamento, o Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) , na Cinelândia, no Centro do Rio, abre ao público hoje a exposição 'Coleção Ingá — Brasil plural' , com mais de 200 obras vindas do outro lado da Baía da Guanabara, do acervo do Museu de História e Arte do Rio de Janeiro, mais conhecido como Museu do Ingá, em Niterói.
Com um recorte que vai do século XIX até os anos 1960, reunindo pinturas, esculturas, gravuras e objetos, os curadores Marcus Lontra e Rafael Peixoto selecionaram obras de artistas como Di Cavalcanti , Portinari , Tarsila do Amaral , Djanira , Carybé , Iberê Camargo , Taunay , Cícero Dias , Volpi , Goeldi , Burle Marx e Mestre Guarany entre os mais dois dez mil itens do acervo, formado pela antiga Coleção Banerj, a Coleção de Arte Popular e a Coleção do Governador Ernani do Amaral Peixoto. Ocupando as galerias do primeiro e do segundo andar do CCJF, a seleção é dividida em seis núcleos, a partir de temas como fé, paisagem, cotidiano na História e questões de pertencimento e identidade nacional.
— Já conhecia bem a Coleção Banerj, mas nessa pesquisa em todo o acervo eu e Rafael descobriu muita coisa interessante, uma grande quantidade de trabalhos de artistas viajantes e um conjunto importante da virada do século XIX para o XX, período de grandes transformações no Rio — conta Lontra . — A coleção completa é bastante grande, e está num bom estado de conservação dentro dos padrões brasileiros. Tem muita coisa a ser explorada ali.
Entre os destaques da exposição estão o painel “Brasil em quatro fases” (1965), de 3m x 8m, encomendado a Di Cavalcanti pelo então governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, para o Quarto Centenário do Rio; a série “Embarcações com índios” (1965), de Carybé; representações de São Sebastião assinadas por Guignard (1960), Francisco Brennand (1963-65) e Enrico Bianco (1965); e obras de arte popular, como as carrancas esculpidas por Mestre Guarany e Ana das Carrancas . Em um dos núcleos, “Matriz expandida” , os curadores destacam o acervo gráfico da instituição, com destaque para as xilogravuras de Oswaldo Goeldi (1895–1961) e trabalhos de artistas contemporâneos , entre 1977 e 1998.
— A Oficina de Gravura era uma referência para todos nós nos anos 1980, eu cheguei a participar — recorda Lontra , curador da icônica coletiva “Como vai você, Geração 80?” , realizado em 1984 na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage. — A Anna Letycia tinha uma coisa parecida com o Ivan Serpa, ela era uma artista clássica, mas dava muita liberdade aos alunos. Era uma gravadora clássica, e muita gente ia para aprender a gravura tradicional, ponta seca e tal. Mas, ao mesmo tempo, ali era um espaço totalmente aberto à experimentação.
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