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Torcedor do São Paulo, repórter de campo, livros sobre Pelé: a relação entre Benedito Ruy Barbosa e o futebol

Autor, que morreu nesta terça-feira, ajudou a fundar a Academia Brasileira de Letras do Futebol (ABLF)

Agência O Globo - 07/07/2026
Torcedor do São Paulo, repórter de campo, livros sobre Pelé: a relação entre Benedito Ruy Barbosa e o futebol
Benedito Ruy Barbosa - Foto: Reprodução

Apesar de ser conhecido como autor de grandes sucessos da dramaturgia, Benedito Ruy Barbosa também tem uma forte ligação com o mundo do futebol. Torcedor apaixonado do São Paulo , ele já foi repórter de campo e escreveu dois livros sobre o Rei do Futebol: "Eu sou Pelé" (1961), a primeira biografia do jogador, e "Primeiro tempo" (2011), outra obra biográfica com fotos raras e relatos sobre o início da carreira de Edson Arantes .

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'Olhar raro para o Brasil' :

Antes de fazer sucesso como autor de novelas, Benedito foi repórter de esportes pelos jornais "O Estado de S. Paulo" , "Última Hora" e pela revista "Manchete" , até começar a escrever novelas em 1964. Durante a carreira no jornalismo, conseguiu acompanhar os primeiros anos da carreira de Pelé.

Em entrevista ao GE , em 2020, o autor relembrou como se deu a produção da primeira biografia do Rei do Futebol. Narrado em primeira pessoa, o livro apresenta a trajetória de Edson, um jovem que sonhava em ser aviador e trabalhou como engraxate quando era criança até o início do estrelato, com lembranças do jogador sobre os tempos da infância e a chegada a Santos.

– Um dia ele almoçou lá em casa, porque não tinha como comer em restaurante em São Paulo. Não deixei. Era tão pedido de autografo que ele não podia vir. E o Pelé era muito educado. A gente saiu sem comer. Esfriava a comida no meu prato. Ele falou: “Ô, Ruy, me convida para comer na sua casa”. Aí eu levei e não avisei os vizinhos. Eu tive que mudar de casa, fiquei inimigo do quarteirão inteiro – relembrou ao GE.

Já a biografia de 2011 reúne cerca de 300 fotografias raras do acervo pessoal do Rei do Futebol, além de depoimentos exclusivos sobre o início de sua trajetória.

Em 2023, Benedito ajudou a fundar a Academia Brasileira de Letras do Futebol (ABLF), uma instituição cultural dedicada à valorização, pesquisa, preservação e difusão da literatura e da memória do futebol brasileiro. A ABLF é composta por 40 cadeiras numeradas, cada uma delas vinculada a um patrono — personalidade histórica de reconhecida relevância para a literatura futebolística brasileira — e ocupada por um acadêmico. A cadeira de Benedito é a número 2, a mesma que Pelé.

Amor pelo time do coração

Torcedor declarado do São Paulo Futebol Clube, Benedito é conselheiro vitalício da instituição. Em entrevista ao programa "Roda Viva", exibida em 24 de fevereiro de 1997, ao ser questionado sobre o desempenho da equipe naquele momento, comentou as dificuldades enfrentadas pelo clube, especialmente em relação aos investimentos necessários para a recuperação do Estádio do Morumbi. Na ocasião, destacou a tradição de superação do São Paulo e afirmou: "Mas o São Paulo é um clube que sempre lutou muito, ele fez praticamente sozinho sem ajuda nenhuma de poder público nenhum o Morumbi. E agora está recuperando, por sua conta e risco. Então, nós temos que, assim como acontecia no passado, ter um pouco de paciência com o time".

O autor de novelas Benedito Ruy Barbosa morreu na manhã desta terça-feira, aos 95 anos, em São Paulo. A morte foi confirmada ao GLOBO pela assessoria do HCor, hospital onde o escritor estava internado. Em boletim, a instituição informou que o dramaturgo morreu em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica (IRC). Considerado um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, Benedito deixa um legado de obras que marcaram a televisão nacional, como "Pantanal", "Renascer", "O Rei do Gado", "Terra Nostra" e "Esperança", responsáveis por transformar o interior do Brasil em protagonista das novelas.

*Estagiária sob supervisão de Marcelo Balbio