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Mulher vira onça? Como Benedito Ruy Barbosa transformou uma lenda pantaneira em um dos maiores símbolos da televisão com Juma Marruá

Autor morto aos 95 anos criou a mística da família Marruá em Pantanal; décadas depois, a história foi preservada por seu neto, Bruno Luperi, no remake da TV Globo

Agência O Globo - 07/07/2026
Mulher vira onça? Como Benedito Ruy Barbosa transformou uma lenda pantaneira em um dos maiores símbolos da televisão com Juma Marruá
Benedito Ruy Barbosa - Foto: Reprodução / internet

A morte de Benedito Ruy Barbosa , aos 95 anos, encerra a trajetória de um dos autores que mais marcaram a dramaturgia brasileira. Entre as inúmeras criações que atravessaram gerações, uma permanece como uma das mais emblemáticas da televisão: a lenda de Juma Marruá , a mulher que se transforma em uma vez no Pantanal. A morte do dramaturgo foi divulgada ao GLOBO pelo HCor, que informou que ele morreu em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica (IRC).

Exibido originalmente pela Rede Manchete em 1990, Pantanal revolucionou a teledramaturgia ao misturar o cotidiano do Pantanal com elementos do imaginário popular. Foi Benedito quem criou a ideia de que membros da família Marruá carregavam um dom místico transmitido entre gerações: quando acuadas, ameaçadas ou tomadas pela fúria, eram capazes de se transformar em onças para proteger os mesmos e aqueles que amavam.

A primeira manifestação desse poder foi Maria Marruá , que desenvolve o instinto animalesco após ver uma família perseguida por conflitos de terra e precisando defender a filha recém-nascida. Criada isoladamente na tapera, Juma Marruá herda o dom da mãe e também passa a assumir a forma do animal sempre que se vê diante de uma ameaça. A personagem, interpretada por Cristiana Oliveira na versão original, tornou-se um dos maiores ícones da televisão brasileira.

Embora nunca tenha sido apresentado como uma transformação literal aos olhos do público, Benedito construiu a narrativa de forma a preservar o mistério. A novela alternava a visão dos personagens com cenas de onças na mata, deixando em aberto até que o ponto das aparências era sobrenatural ou fazia parte das opiniões populares do Pantanal. A ambiguidade acabou se tornando uma das marcas registradas da obra.

Mais de três décadas depois, quando a TV Globo produziu o remake de Pantanal , em 2022, uma lenda criada por Benedito foi mantida. A adaptação ficou a cargo de seu neto, Bruno Luperi , que preservou a essência da história e o dom herdado pela família Marruá. Na nova versão, Alanis Guillen deu vida a Juma, enquanto Juliana Paes interpretou Maria Marruá, apresentando a uma nova geração um dos elementos mais marcantes da dramaturgia criada pelo avô.

A lenda da mulher que virou uma vez ajudou a transformar o Pantanal em um público de audiência e consolidou Benedito Ruy Barbosa como um autor capaz de unir realismo, cultura popular e elementos do folclore brasileiro. Mais do que uma personagem inesquecível, Juma Marruá tornou-se símbolo de uma obra que mudou a história da televisão e permanece viva décadas após sua criação.