Curiosidades
Com melodia e letra separadas por décadas, conheça a história do Hino Nacional Brasileiro
Versão atual completa 104 anos de oficialização em 2026 e embala a estreia do Brasil na Copa do Mundo
É dia de estreia do Brasil na Copa do Mundo. A seleção brasileira, comandada por Carlo Ancelotti, entra em campo a partir das 19h contra a Escócia. Antes do pontapé inicial, a solenidade prevê a execução dos hinos oficiais das duas nações. Mas você conhece a história por trás do Hino Nacional Brasileiro?
O Hino Nacional Brasileiro nasceu em etapas separadas por décadas, como destaca o professor e historiador Luiz Antônio Simas.
— É curioso saber que o hino foi composto por uma dupla que não chegou a se conhecer: Francisco Manuel da Silva, autor da melodia, e Joaquim Osório Duque Estrada, responsável pela letra. A melodia é de 1831; a letra, de 1909 — conta Simas. — A melodia foi feita para celebrar a abdicação de D. Pedro I e a nacionalização da monarquia, com Pedro II.
Composta pelo maestro Francisco Manuel da Silva (1795-1865), a melodia foi executada pela primeira vez em 13 de abril de 1831. Por isso, a data é lembrada até hoje como o Dia do Hino Nacional Brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro, Manuel da Silva foi violoncelista e violinista. Fundou a Sociedade de Beneficência Musical, em 1833, e foi nomeado mestre-compositor da Câmara Imperial, em 1841.
Após a Proclamação da República, foi convocado um concurso para substituir o hino. No entanto, a popularidade da antiga melodia fez com que a partitura de Francisco Manuel da Silva fosse declarada hino oficial em 20 de janeiro de 1890.
A letra de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927) foi criada em 1909 e comprada pelo governo brasileiro por cinco contos de réis, juntando-se à melodia composta décadas antes. A versão atual do hino, unindo melodia e letra, foi oficializada no centenário da Independência, em 6 de setembro de 1922.
Osório Duque Estrada nasceu em Vassouras (RJ) e foi escritor, poeta e membro da Academia Brasileira de Letras.
Confira a letra do Hino Nacional Brasileiro:
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada!
Brasil!
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a Terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve, Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
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