Curiosidades
Prêmio da Música Brasileira celebra Cazuza com Ney, Ludmilla e Luedji Luna
33ª edição ocorre nesta quarta-feira (10), no Theatro Municipal do Rio, com clássicos do cantor em novos arranjos
Após duas passagens por “Por que a gente é assim?”, Ney Matogrosso, sorridente, comentou do palco: “Eu adoro essa música”. A resposta veio de Zélia Duncan, entre músicos e integrantes da equipe técnica: “E ela adora você”. O clima descontraído dos ensaios para a 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, realizados na segunda-feira (8), na casa de shows Manouche, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, deve se repetir nesta quarta-feira (10), no Theatro Municipal, durante a cerimônia que homenageará Cazuza.
Nome unânime entre os profissionais do Conselho Curador do prêmio — do qual fazem parte Ney Matogrosso e Zélia Duncan, responsável pelo roteiro da cerimônia —, Cazuza terá sucessos da fase com o Barão Vermelho e da carreira solo interpretados por artistas de diferentes estilos da música brasileira.
No ensaio, estavam BNegão e Lazzo Matumbi, que cantarão “Blues da piedade” e “Ideologia”; Luedji Luna, com “Mais feliz”; a banda Maneva, com “Bete Balanço”; e Zizi Possi, com “Preciso dizer que te amo”. Também se apresentam Chico Chico, com “Todo amor que houver nessa vida”; Marina Sena, com “O nosso amor a gente inventa”; Luísa Sonza, com “Faz parte do meu show”; Ludmilla, com “Exagerado”; Seu Jorge, com “Brasil”; e Simone, com “Quando eu estiver cantando” e “Codinome Beija-Flor”.
Fundador do prêmio, em 1987, Zé Maurício Machline afirma que a escolha de Cazuza foi recebida por aclamação.
— Acho que, nesses mais de 30 anos de prêmio, uma sugestão minha só foi a vencedora umas duas vezes, e essa foi uma delas. Foi uma aclamação. Quando decidimos, ligamos todos para a Lucinha Araújo, mãe do cantor e fundadora da Sociedade Viva Cazuza. Foi muito impactante. Eu disse a ela: “No meu coração, essa homenagem é para você, que transformou a dor da perda na constituição de um legado”. Ela manteve a obra do Cazuza viva — enaltece Machline.
Segundo ele, a proposta foi reunir um elenco diverso para evidenciar a universalidade das composições do artista.
— Procuramos um universo diferente de intérpretes para mostrar como a obra do Cazuza é universal. Não só o roqueiro ou o baladeiro podem cantar a sua música. Todo mundo pode fazer algo autoral com aquelas canções — acrescenta.
Responsável por destacar, na cerimônia, as possibilidades da obra de Cazuza e a diversidade dos intérpretes convidados, o diretor musical Pretinho da Serrinha criou arranjos que mesclam o rock a outros ritmos.
— Tento ouvir a música e pensar em quem vai cantá-la, para trazê-la a uma área confortável para cada artista. A música do Cazuza aceita outras roupagens, se você vestir direitinho ela aceita. Claro, respeitando os movimentos, as melodias e as acentuações — ressalta Pretinho.
O diretor musical cita como exemplos o reggae do Maneva, o ijexá para Luedji Luna e uma ideia de trap para Ludmilla. Para ele, a homenagem também dialoga com a pluralidade do próprio prêmio.
— O prêmio tem 18 categorias, contemplando muitos gêneros. Quero que os artistas que não são do rock também se sintam representados por essas versões. E o Cazuza representa a liberdade total na música. Se ele se permitiu ir ao Cartola, por que Cartola ou Bob Marley não poderiam vir à cerimônia? — afirma.
Com arranjos mais próximos das versões originais, Ney Matogrosso interpreta canções que já fazem parte de seu repertório. Além de “Por que a gente é assim?”, ele canta “Pro dia nascer feliz”. Homenageado em 2017, na 28ª edição da premiação, Ney diz que não teve dúvidas quando o nome de Cazuza foi sugerido por Machline ao Conselho Curador.
— Cazuza tem uma obra viva, faz parte do espectro da nossa música e das personalidades brasileiras. Tem que ser lembrado o tempo todo. Ainda mais nessa cerimônia, que é uma celebração da música, em que a gente reencontra pessoas que às vezes passa um ano sem ver — comenta Ney.
— Para mim, é um prazer cantar essas duas músicas. Eu adoro o Pretinho. Há alguns anos, já tinha cantado “Por que a gente é assim?” com ele, mas agora preferi ficar no rock mesmo — completa.
A permanência da obra de Cazuza também pode ser medida por sua influência sobre artistas de gerações posteriores. Entre os nomes que se apresentam na cerimônia, Chico Chico, Luísa Sonza, Marina Sena e Ludmilla nasceram depois da morte do cantor, em 7 de julho de 1990. Vocalista do grupo paulistano Maneva, Tales de Polli, de 42 anos, era criança quando o ex-vocalista do Barão Vermelho morreu, mas cresceu ouvindo suas músicas.
— A gente tem um projeto chamado “Tudo vira reggae”, em que cantamos músicas de outros ritmos, e já fizemos Cazuza e Barão. Foi incrível o convite para interpretar “Bete Balanço”, um sucesso tão representativo do Cazuza e do Frejat, outro cantor com um campo vocal com o qual me identifico muito — comenta Polli.
Para o músico, o legado de Cazuza segue atravessando gerações.
— Cazuza está presente. Não está mais com seu corpo físico, mas seu legado fica para sempre. E você vê novas gerações descobrindo esses artistas com as novas tecnologias, nas trends das redes. Tenho uma filha de 11 anos e um filho de 8, e eles ouvem Cazuza, Rita Lee... — conta.
A força do audiovisual e das redes sociais no consumo de música é um dos focos de Giovanna Machline, filha de Zé Maurício, com quem divide a direção-geral da premiação. Desde criança, ela circula pelos bastidores das cerimônias e, ainda na adolescência, passou a assumir funções na produção. Diretora de obras como “Luz”, da Netflix, “Beleza fatal” e “Cenas de um crime”, da HBO Max, Giovanna juntou-se em definitivo ao pai em 2024, à frente do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira e dos projetos ligados à relação da família com o meio fonográfico e de shows.
— Hoje todos os produtos passam pelo audiovisual em alguma instância. Então, minha experiência vem agregar a esta celebração, que também virou parte da história da música brasileira. Temos um olhar mais aprofundado sobre a transmissão e sobre todos os desdobramentos do prêmio. Está sendo muito prazeroso aprender e descobrir esses caminhos, achar o meu jeito, somado ao do meu pai, de dar sequência a esse legado — afirma Giovanna.
— Brinco que o prêmio é meu irmão mais novo. Eu o vi crescer e se transformar, assim como o consumo da música se transformou — acrescenta.
Com apresentação de Débora Bloch e Alice Wegmann, a cerimônia do 33º Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira está prevista para as 21h desta quarta-feira (10), com tapete vermelho a partir das 19h. A transmissão será ao vivo pelo canal oficial da premiação no YouTube.
Entre os indicados nas 18 categorias estão Marisa Monte, Djavan, Alcione, Geraldo Azevedo, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Emicida, Chitãozinho & Xororó, João Gomes, Ana Castela, Péricles, Xande de Pilares, BK’ e Fresno.
Mais lidas
-
1PERFIL | JUSTIÇA
Quem é a juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo julgamento do Caso Henry Borel
-
2ATAQUE NA PRAIA DE PIEDADE
Menino de 11 anos é atacado por tubarão e passa por cirurgia em Pernambuco
-
3ACIDENTE INDUSTRIAL
Fábrica de fogos de artifício pega fogo e causa explosões em Malta
-
4TÊNIS BRASILEIRO FAZ HISTÓRIA
João Fonseca quebra jejum de mais de 20 anos ao chegar às quartas de final de Roland Garros
-
5CASO HENRY BOREL
Atual mulher de Jairinho depõe no julgamento e minimiza relatos de violência: 'Defeito dele era a infidelidade'