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Diretora de 'O Morro dos Ventos Uivantes' lamenta corte de cena com axilas naturais de Margot Robbie

Emerald Fennell critica padrões estéticos em filmes de época e defende retrato mais realista de Cathy na adaptação do clássico de Emily Brontë

Agência O Globo - 22/05/2026
Diretora de 'O Morro dos Ventos Uivantes' lamenta corte de cena com axilas naturais de Margot Robbie
Emerald Fennell - Foto: Reprodução / Instagram

Emerald Fennell, diretora da adaptação de "O Morro dos Ventos Uivantes", revelou nesta sexta-feira seu descontentamento com o corte de uma cena que mostrava as axilas peludas da personagem Cathy, vivida por Margot Robbie. Segundo Fennell, a escolha visava retratar as mulheres do período de forma mais fiel à realidade histórica.

Durante participação no Festival Hay, no País de Gales, Fennell explicou que considerava importante mostrar Cathy sem depilação, mas a sequência acabou sendo retirada da versão final do longa, lançado em fevereiro deste ano.

“Cathy tinha axilas extremamente peludas, mas infelizmente a cena em que as vemos não entrou no filme”, lamentou a diretora.

Fennell também criticou o padrão estético adotado em produções de época, questionando a ausência de pelos femininos em adaptações de romances clássicos. “Elas são todas meio sem pelos, parecidas com enguias. Eu fico pensando: ‘O que está acontecendo? Isso é uma loucura total’”, comentou.

A cineasta afirmou que sua versão do clássico de Emily Brontë é uma “irmã, não uma gêmea” da obra original, destacando a impossibilidade de uma reprodução literal do romance.

O filme, que também conta com Jacob Elordi no elenco, chamou atenção por escolhas visuais provocativas. Entre elas, destaca-se o chamado “quarto da pele”, ambiente criado pelo personagem Edgar Linton, inspirado na pele de Cathy. Fennell relatou que a equipe chegou a cogitar desenvolver uma tinta baseada no tom de pele da personagem para ações de marketing.

A diretora também comentou a repercussão de uma das cenas mais comentadas do longa, em que Cathy coloca o dedo na boca de um peixe morto. “Tínhamos todos os tipos de peixe. Peixes com batom, peixes de verdade, peixes falsos. No fim, era um peixe real. Coitada da Margot. Foram 12 peixes”, revelou.

Ao abordar seu processo criativo, Fennell destacou a importância de correr riscos e não temer parecer “ridícula” ou “constrangedora”. “Hoje existe um medo enorme de parecer sincero. Quero me jogar de um penhasco criativamente”, afirmou.

Por fim, a cineasta anunciou que pretende se afastar temporariamente do cinema para descansar, ler romances da escritora Sarah J. Maas e desenvolver um novo projeto, que classificou como “tão depravado e maligno” que “ninguém conseguirá realizar”.