Curiosidades

'Acham que não deixo de ser padre porque não tenho coragem', diz Fábio de Melo sobre ódio nas redes

Sacerdote analisa a cultura do ódio nas redes sociais em entrevista ao videocast 'Conversa vai, conversa vem': 'Estamos transformando a vida num campo de batalha, isso nos adoece'

Agência O Globo - 15/05/2026
'Acham que não deixo de ser padre porque não tenho coragem', diz Fábio de Melo sobre ódio nas redes
Fábio de Melo - Foto: Reprodução / Instagram

O Padre Fábio de Melo bordou os ataques que recebe e o ódio disseminado nas redes sociais durante entrevista à jornalista Maria Fortuna, no videocast 'Conversa vai, conversa vem' , disponível no Spotify e no YouTube. O sacerdote afirmou que ‘hater virou profissão’.

Questionado sobre sua experiência nas redes, Fábio de Melo refletiu: 'Toda pessoa pública é imaginada. Me imagino ou muito pior ou muito melhor do que sou. Nos dois extremos é ruim habitar. Queria apenas ser criticado pela verdade. Não é problema não gostarem de mim. Também não gosto de um monte de gente. E também gosto de muita gente que já me meteu o sarrafo.'

Sobre as críticas que colocaram em dúvida sua vocação, ele desabafou: 'Primeiro, fiquei indignado. Como alguém que não vê meu dia a dia como padre me julga assim? Depois, entendi que não há como lutar contra, não adianta tentar explicar a quem não quer entender. Não quero a verdade, mas o clique. O interesse pela repercussão é acima da ética. Hater virou profissão. Estamos mudando a vida num campo de batalha, isso nos adoece. Acham que não deixo de ser pai porque não tenho coragem. Pelo amor de Deus! Tenho todos os recursos para ser muitas coisas. Estou sendo pai porque amo o meu ofício.'

Ao comentar sobre a solidão na sociedade brasileira, Fábio de Melo analisou: 'Fomos cavando um poço do que não conseguimos mais sair. Antes, tínhamos dificuldades com as pessoas da nossa rua, que davam palpitar na nossa vida, nos julgavam. Ninguém suporta ser tão importante. As regras da boa educação diziam que não deveríamos parar na porta de alguém e gritar desaforos. As redes sociais quebraram isso. Não existe mais respeito ao outro. Nunca andei os seus caminhos e me sinto no direito de dizer coisas absurdas sobre você. A solidão está ligada à inconsistência dos vínculos. Temos medo de aprofundar porque entendemos que o excesso de observação do outro sobre nossa vida é doentio e nos retira as espontaneidades que deveriam ser naturais. Está todo o mundo com medo do que pode ser dito, interpretado. Não podemos ter mais ninguém do nosso lado que já cria uma narrativa.'