Curiosidades
O GLOBO/Dellarte: Série de concertos abre com Pablo Barragán e Orquestra Franz Liszt
Noite de abertura acontece nesta segunda-feira no Theatro Municipal do Rio; atrações se apresentam em São Paulo no sábado
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) tinha apenas 35 anos quando compôs o célebre “Concerto para Clarinete e Orquestra K. 622” — sua última obra concluída. Se hoje seria considerado um jovem adulto, na Viena daquela época já era visto como um compositor do passado, conhecido desde uma infância prodigiosa que impressionou a aristocracia. Ainda em 1791, trabalharia no Réquiem, mas sua morte precoce deixou a partitura inacabada.
É este testamento de leveza e virtuosismo que marcará a abertura da Série de Concertos Internacionais O GLOBO/Dellarte, nesta segunda-feira, no Theatro Municipal do Rio. O público será apresentado ao clarinetista espanhol Pablo Barragán, um dos grandes solistas do instrumento na atualidade. Sem a influência de Mozart, o clarinete teria demorado mais para conquistar seu espaço nas orquestras.
"A abertura do concerto para clarinete de Mozart é uma das mais mágicas, refrescantes e empolgantes de toda a literatura musical. Quando o clarinete entra, nos deparamos com a energia e o espírito de uma nova era para o instrumento. Mozart escreveu para o clarinete basset (variante do clarinete soprano, com extensão maior na região grave), explorando todas as possibilidades de um instrumento que ainda buscava seu lugar entre os regulares da orquestra" , afirmou Pablo Barragán à editora Henle.
O interesse de Mozart pelo clarinete foi motivado, sobretudo, pela amizade com o clarinetista Anton Stadler, seus colegas na maçonaria, a quem também dedicou passagens grandiosas da ópera “A Flauta Mágica”. Em tempos de dificuldades financeiras, Mozart recorreu a seus contatos entre as maçons para garantir sua subsistência na corte austro-húngara, abalada por guerras. Ainda assim, a composição está longe de ser burocrática.
“Transparência, brilhantismo e leveza: tudo se une para criar uma das mais belas passagens de pura alegria”, descreve Barragán.
Neto de produtores de azeite e filho de professora, o espanhol se apresenta ao lado da Orquestra de Câmara Franz Liszt de Budapeste, que também executa as Danças Folclóricas Romenas, de Béla Bartók (1881-1945), e o Quinteto de Cordas D. 956, de Franz Schubert (1797-1828). Fundada em 1963 pelos ex-alunos do Conservatório Franz Liszt de Budapeste, a orquestra é referência na tradição musical austro-húngara e terá regência do violoncelista István Vardai. Solista e orquestra lançaram juntas o álbum “Szinergia” (Sinergia), em outubro de 2024, dedicado a obras de Bartók.
No coração do recital é uma suíte de sete danças de Bartók, baseada no interesse musicológico do compositor por temas populares. Originalmente escrita para violino e orquestra, a peça ganha nova vida no clarinete, com a interpretação de Barragán imprimindo um timbre por vezes fantasmagórico, quase lembrando o theremin — instrumento eletrônico russo tocado por aproximação das mãos em campo eletromagnético.
Em São Paulo, Barragán e a orquestra se apresentam no sábado, dia 25, às 20h30, na Série Tucca, no Teatro Cultura Artística, novamente com Mozart. No repertório paulista, entram ainda a Valsa Mefisto, de Liszt, e o Concerto para Violoncelo op. 129, de Schumann, em vez de Bartók e Schubert.
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