Curiosidades
Show de Justin Bieber no Coachella surpreende e emociona fãs
Apesar das críticas ao formato inovador, apresentação teve emoção, descontração, boa performance vocal e roteiro bem estruturado
Um dos grandes assuntos do fim de semana no universo pop foi a apresentação do astro canadense Justin Bieber no Coachella. Afastado dos palcos desde o show no Rock in Rio de 2022, Bieber retornou sozinho ao palco — sem banda, cantando por cima de bases pré-gravadas — e dedicou parte de sua performance à manipulação de um laptop, escolhendo vídeos seus no YouTube para dublar músicas ou fazer comentários em tempo real.
Houve quem classificasse o show como “caótico” ou “preguiçoso”, mas, visto à apresentação completa, a impressão é bem diferente.
Conhecido por expor seu inconformismo com os desafios da fama e pelas recentes questões de saúde mental, o cantor de 32 anos já havia formatos de apresentação testados no Grammy. Por isso, a proposta minimalista do palco no Coachella não deveria surpreender seus fãs, que poderiam acompanhar Bieber por mais de uma hora e meia revisitando, com boa voz e bom humor, uma carreira repleta de sucessos ao longo de 15 anos.
Num cenário grandioso, com telões amplificando sua imagem, o cantor — quase irreconhecível, usa agasalho com capuz, bermudas, botinhas e óculos escuros — saiu a noite destacando músicas de seus álbuns mais recentes, incluindo “Swag II”, lançado no ano passado. Os telões cumpriram bem o papel de aproximar o público, em um palco muitas vezes escuro e esfumaçado, mas que Bieber ocupou com desenvoltura, interpretando com composições de r&b como “All I Can Take”, “Speed Demon”, “First Place”, “Go Baby” (em que chegou a deitar no chão) e “Walking Away”.
Dança e interação com o público
Na segunda parte do show, Bieber migrou para um palco B, onde recebeu o primeiro convidado da noite, Kid Laroi, para “Stay”. Ali, dançou, interagiu com o público — “é uma noite com a qual sonhei muito, estar aqui” — e recebeu dois violonistas para interpretações emocionadas de “Things You Do”, “Glory Voice Memo”, “Zuma House”, “Dotted Line” e “Everything Hallelujah”. Foi o momento em que o artista mostrou seu lado mais sensível, como muitos fãs esperavam.
De volta ao palco principal, veio a parte mais polêmica da noite. Ao lado do laptop, Bieber navegou pelo YouTube e relembrou o sucesso “Baby” (“vocês se lembram dessa canção?”), além de “Favorite Girl”, “That Should Be Me” e “Beauty and a Beat”, fazendo duetos virtuais com sua versão mais jovem. Reviveu ainda gravações de sua infância, como covers de “With You” (Chris Brown) e “So Sick” (Ne-Yo), e assumiu o papel de DJ em “Sorry” e “Where Are Ü Now”.
Poderia soar como um simples karaokê, mas Bieber estendeu o conjunto de vídeos que mostraram momentos inusitados, como quando bateu a cabeça numa porta giratória ou caiu do palco (“esse vídeo aqui é bom!”), além de desabafar sobre o assédio da mídia (“esses caras não me deixam em paz!”). Entre o cômico e o reflexivo, o interlúdio trouxe significado e conveniência à apresentação.
A simplicidade do palco não compromete o espetáculo. A celebração maior veio ao final, quando Bieber recebeu convidados especiais como Dijon (“Devotion”), Tems (“I Think You're Special”), Wizkid (“Essence”) e Mk.gee (na guitarra em “Daisies”, escolhida para encerrar o show). Ao fim, emoção, descontração, boa performance vocal, repertório extenso, roteiro bem montado e até fogos de artifício. Ruim, definitivamente, não foi.
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