Curiosidades
Césio 137: relembre o caso em Goiânia que inspirou a série 'Emergência radioativa'
Produção da Netflix estreia nesta quarta-feira (18)
Em setembro de 1987, Goiânia foi palco do maior desastre radioativo do mundo fora de uma usina nuclear. Tudo começou quando 19 gramas de um pó azul brilhante, altamente radioativo, foram retiradas por catadores de material reciclável do terreno abandonado do Instituto Goiano de Radioterapia. Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira desmontaram uma peça de aço e venderam no ferro-velho de Devair Alves Ferreira, sem saberem do perigo que carregavam.
A partir desse momento, partículas de Césio 137 passaram a contaminar bolsas de pessoas. O episódio, que agora inspira a série “Emergência radioativa” da Netflix, com estreia nesta quarta-feira (18), é recontado com elenco formado por Johnny Massaro, Ana Costa, Paulo Gorgulho, entre outros. A direção geral é de Fernando Coimbra e a criação de Gustavo Lipsztein.
Aviso às autoridades
Ao desmontar ainda mais a peça e notar o brilho do pó azul, Devair distribuiu as partículas a familiares, sem imaginar que eram radioativas. Em pouco tempo, todos começaram a apresentar sintomas como vômitos e diarreia, incluindo Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair. Desconfiada da origem dos sintomas, ela levou uma peça à Vigilância Sanitária e foi internada.
Com a suspeita de contaminação radioativa, o físico Walter Ferreira foi acionado e confirmou o risco: a sucata estava contaminada. Até então, as ofertas de pessoas já apresentavam sintomas como queimaduras, queda de cabelo, tontura, vômito e diarreia. Entre as vítimas estava Leide das Neves, de 6 anos, sobrinha de Devair e Maria Gabriela, que chegou a ingerir o pó brilhante.
Leide foi uma pessoa com maior nível de radiação no corpo e foi limitada para o Rio de Janeiro, junto com a tia e outros contaminados. Infelizmente, ambos morreram em 23 de outubro de 1987. Os funcionários do ferro-velho Israel Batista dos Santos, de 20 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18 anos, também faleceram nos dias 27 e 28 de outubro, respectivamente. O acidente provocou quatro mortes diretas, mas a Associação de Vítimas do Césio 137 aponta pelo menos 60 mortes e cerca de 1,6 mil pessoas afetadas pela exposição.
A descontaminação das áreas atingidas gerou toneladas de lixo radioativo, armazenadas em bolsas de contêineres e enterradas sob uma camada de concreto e chumbo, no município de Abadia de Goiás.
Cinco profissionais do Instituto Goiano de Radioterapia foram condenados por homicídio culposo, devido à negligência com os aparelhos. Já a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável pela fiscalização de equipamentos radiológicos no Brasil, teve que pagar, segundo a série, R$ 1 milhão em indenizações e atendimento às vítimas.
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