Curiosidades
Autodestruição de obra, invasões em museus, falso vendedor de rua: as maiores 'pegadinhas' de Banksy
Um dos maiores maiores mistérios das artes visuais, identidade secreta do grafiteiro britânico pode ter sido descoberta
Um dos maiores mistérios das artes visuais pode estar chegando ao fim. Uma longa investigação da agência Reuters, que envolve entrevistas, viagens e análise de documentos públicos em diferentes países, o artista de rua mais enigmático do mundo.
De SP para o Rio:
Do regular à galeria:
A investigação ganhou força em 2022, quando novos murais atribuídos a Banksy surgiram em áreas devastadas por bombardeios russos na Ucrânia. Numa dessas cidades, Horenka, moradores contaram a presença de três homens que chegaram em uma ambulância e produziram uma das obras — dois deles com o rosto coberto. Uma testemunha local afirmou ter visto os artistas sem máscara e apresentou fotos de nomes frequentemente associados ao grafiteiro. A hipótese da reportagem é que sua identidade real seria de Robin Gunningham, apontada como Banksy desde 2008. Ele teria usado o nome de David Jones, cujos dados do passaporte bateriam com os seus.
Outro nome frequentemente associado ao grafiteiro, Robert Del Naja, músico da banda Massive Attack e figura histórica da cena do grafite em Bristol, também esteve na Ucrânia exatamente no período em que os murais apareceram. O próprio artista não respondeu aos questionamentos da Reuters. Já seu advogado pediu que uma reportagem não fosse publicada, argumentando que uma exposição de identidade poderia colocar Banksy em risco e comprometer sua obra.
Com uma obra reconhecida em todo o mundo, apesar de seu rosto não ser conhecido do público, Banksy utilizou justamente seu anonimato para criar algumas das maiores "pegadinhas" da história da arte. Lembre-se de algumas delas.
Autodestruição em massa
A mais emblemática das ações de Banksy aconteceu em 2018, quando a obra “Garota com balão” foi arrematada por mais de £ 1 milhão na Sotheby's. Segundos após o martelo, a tela começou a se autodestruir, sendo parcialmente triturada por um mecanismo construído na moldura, instalado pelo próprio artista. O gesto, que chocou o público presente, acabou aumentando o preço da obra a obra, num estágio que, ironicamente, reforçou suas críticas ao mercado de arte. Rebatizada de “Love is in the Bin”, uma obra foi leiloada em 2021 por £ 18,6 milhões, estabelecendo um novo disco para o artista.
Falsas autorizações para grafite
Em cidades diferentes, o artista usou imitando a administração pública para autorizar a prática de grafite em muros e paredes. Com a inscrição "Por ordem da Agência Nacional de Rodovias, este muro é uma área liberada para o grafite", sob um brasão tirado de um maço de cigarros, Banksy "enganava" colegas, que pichavam e grafitavam os locais, sem saber que a permissão era falsa.
Falso vendedor de rua
Outra intervenção célebre ocorreu em 2013, no Central Park, em Nova York, quando um vendedor ambulante ofereceu telas originais de Banksy por apenas US$ 60. Mais tarde, revelou-se que o vendedor faz parte de uma ação coordenada pelo artista, evidenciando o quanto o valor da arte depende de contexto, reconhecimento e assinatura. Os felizesardos que gostam pensando ser uma reprodução passaram a ter um original de um dos artistas mais valorizados da atualidade.
Invasões em museus
Banksy também já testou os limites das instituições culturais ao infiltrar clandestinamente obras repletas de ironia e crítica social em museus renomados, como o British Museum, em Londres, o Louvre, em Paris, e o MoMA, em Nova York. No British, ele instalou um falso artefato pré-histórico, uma pedra com uma espécie de pintura rupestre mostrando um homem empurrando um carrinho de supermercado. A peça acabou exposta por oito dias sem ser percebida, e, depois da descoberta, passou a integrar o acervo permanente do museu. Já no MoMA, usando barba postiça, chapéu e cachecol, o artista fixou na parede uma tela com uma lata de sopa da marca Tesco, remetendo às célebres sopas Campbell, de Andy Warhol, que aparecem em "exibição" por seis dias.
Dismaland
Em 2015, Banksy criou Dismaland, um parque temático distópico montado na cidade de Weston-super-Mare. Pensado como uma versão sombria dos parques de diversão tradicionais, o espaço reunia obras que abordavam temas como consumo, imigração e vigilância. A experiência incluiu funcionários puramente mal-humorados e atrações decadentes, compondo uma sátira direta à lógica do entretenimento corporativo.
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