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Detenção em Nova York e viagem à Ucrânia: investigação aponta possível identidade de Banksy e reacende debate sobre anonimato

Registros de imigração e documento policial indicam identidade do artista

Agência O Globo - 17/03/2026
Detenção em Nova York e viagem à Ucrânia: investigação aponta possível identidade de Banksy e reacende debate sobre anonimato
Detenção em Nova York e viagem à Ucrânia: investigação aponta possível identidade de Banksy e reacende debate sobre anonimato - Foto: Reprodução / Instagram

Uma investigação conduzida pela agência Reuters reuniu-se com pessoas que podem revelar a verdadeira identidade de Banksy, considerado o artista de rua mais enigmático do mundo. O trabalho envolveu entrevistas, viagens e análise de documentos públicos em diversos países, conectando pistas que vão desde uma detenção em Nova York, no início dos anos 2000, até registros recentes de viagens à Ucrânia em meio à guerra.

Ao longo da apuração, os repórteres se depararam constantemente com um obstáculo: o silêncio. As fontes consultadas evitaram confirmar qualquer informação que o artista pudesse expor. “Não quero ser o tipo que revela o Banksy”, foi uma resposta recorrente, segunda a reportagem.

A investigação ganhou novos fôlegos em 2022, quando murais atribuídos a Banksy surgiram em áreas devastadas por bombardeios russos na Ucrânia. Em Horenka, uma das cidades atingidas, moradores contaram a presença de três homens que chegaram em uma ambulância e produziram uma das obras — dois deles com o rosto coberto.

Uma testemunha local afirmou ter visto os artistas sem máscara e apresentou fotos de nomes frequentemente associados ao grafiteiro. Entre eles estavam o britânico Robin Gunningham, indicado como Banksy desde 2008, e Robert Del Naja, músico da banda Massive Attack e figura histórica do grafite em Bristol.

A ocorrência da testemunha não foi conclusiva, mas abriu novas linhas de investigação. A Reuters confirmou, por meio de registros de imigração, que Del Naja esteve na Ucrânia exatamente no período em que os murais apareceram. Outro nome que surgiu nos documentos foi o de um homem identificado como David Jones, com dados de entrada e saída idênticas a outros membros do grupo.

Segundo a agência, uma fonte confirmou que a data de nascimento associada a esse passaporte corresponde a de Robin Gunningham. A combinação desses elementos levou os repórteres a concluir que “David Jones” pode ser o nome atualmente utilizado pelo artista.

A apuração também resgatou um episódio ocorrido em Nova York, em 2000, quando um homem foi detido por vandalizar um outdoor. Documentos policiais obtidos pela Reuters mostram que o suspeito confirmado como Robin Gunningham — reforçando a ligação com o nome apontado anteriormente pela imprensa britânica.

Apesar das declarações, o mistério permanece. O próprio artista não respondeu aos questionamentos da Reuters. Seu advogado solicita que a reportagem não fosse publicada, argumentando que a exposição da identidade poderia colocar Banksy em risco e comprometer sua obra.

O ex-agente do artista, Steve Lazarides, acrescentou uma nova camada ao mistério ao afirmar que “Robin Gunningham” já não existiria mais, indicando que o nome teria sido alterado legalmente anos atrás — sem revelar qual seria a nova identidade.

A decisão da Reuters de publicar a investigação reacende um antigo debate no mundo da arte: até que ponto o anonimato de Banksy deve ser preservado. Para a agência, o impacto global do artista — que transita entre crítica social, mercado milionário e influência política — justifica o escrutínio público.

Nem todos concordam. Artistas de rua ouvidos pela reportagem questionam se Banksy não estaria sendo tratado de forma diferente de outros que atuam fora da legalidade. Ao mesmo tempo em que é celebrado, afirma, ele também permanece protegido por um anonimato que poucos conseguem manter.