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Morre Beatriz González, referência das artes visuais na Colômbia

Uma das fundadoras do Museu de Arte Moderna de Medellín, a pintora tem obras expostas até o fim deste mês na Pinacoteca de São Paulo

Agência O Globo - 10/01/2026
Morre Beatriz González, referência das artes visuais na Colômbia
Beatriz González - Foto: Reprodução

A artista plástica e pintora colombiana Beatriz González, uma das fundadoras do Museu de Arte Moderna de Medellín (MAMM), faleceu na sexta-feira (9), aos 93 anos. A causa da morte não foi divulgada. Atualmente, suas obras estão em exibição na mostra “Beatriz González: a imagem em trânsito”, na Pinacoteca de São Paulo, até o dia 1º de fevereiro, celebrando seis décadas de sua trajetória artística.

Reconhecida como uma das principais artistas de seu país, González destacou-se ao unir poesia e crítica social em suas criações, frequentemente voltadas à análise da cultura de massa. Em comunicado no X, o MAMM ressaltou que ela foi uma “figura central na construção da modernidade crítica na América Latina”. O museu recordou ainda que a artista integrou o grupo de intelectuais, artistas e empresários responsável por impulsionar a fundação da instituição, nos anos 1970. “Sua abordagem, definida por ela mesma como um ‘Pop de província’, desafiou as hierarquias da arte acadêmica ao integrar a estética popular”, destacou a instituição.

No Instagram, a Pinacoteca de São Paulo lembrou que González foi apresentada ao público brasileiro pela primeira vez na 11ª Bienal de São Paulo, em 1971. A exposição atualmente em cartaz reúne mais de 100 trabalhos distribuídos em sete salas do edifício Pina Luz.

Além de artista, González era historiadora e crítica de arte. Estudou na Universidade dos Andes, em Bogotá, onde conheceu a obra de Fernando Botero, influência marcante no início de sua carreira. Após a graduação, passou a expor em instituições como o Museu de Arte Moderna de Bogotá e o Museu La Tertulia, em Cali. Seu reconhecimento veio com a pintura “Os Suicídios de Sisga”, de 1965, que retrata um casal que se suicidou em um reservatório próximo a Bogotá, baseada em uma fotografia publicada na imprensa.

A partir desse momento, González passou a abordar questões sociais e políticas de seu país, muitas vezes utilizando o fotojornalismo como ponto de partida para suas obras. Apesar da temática, a artista negava o rótulo de arte política: “Um artista se engaja com a realidade quando sente que sua obra pode servir como uma reflexão histórica. Como alguém disse, a arte conta o que a história não consegue”, declarou ao jornal espanhol El País, em 2018.

Mesmo rejeitando a classificação, em 2009 González realizou a intervenção “Auras Anônimas”, cobrindo cerca de 10 mil lápides no Cemitério Central de Bogotá, onde estavam restos mortais de pessoas não identificadas, vítimas de conflitos armados na Colômbia. A intervenção apresentava silhuetas de carregadores de caixões ao lado da frase “A vida é sagrada”.