Cultura Pop

No aniversário de Paulo Gustavo, Thales Bretas conta como mantém a memória do humorista viva nos filhos

No dia em que o humorista faria 48 anos, viúvo reflete sobre o luto e compartilha a importância da paternidade.

Agência O Globo - 30/10/2026
No aniversário de Paulo Gustavo, Thales Bretas conta como mantém a memória do humorista viva nos filhos
No aniversário de Paulo Gustavo, Thales Bretas conta como mantém a memória do humorista viva nos filhos - Foto: Reprodução / internet

Thales Bretas trabalha diariamente para manter viva a memória de Paulo Gustavo, que faria 48 anos nesta sexta-feira (30). Prova disso é o Instituto Paulo Gustavo, que ele lança hoje para organizar e compartilhar o legado do artista com o público.

Mas é dentro de casa que o viúvo do humorista encontra o maior desafio: transmitir aos filhos, Gael e Romeu, a real dimensão que Paulo Gustavo teve para a sociedade. O dermatologista acredita que isso acontecerá aos poucos, à medida que os meninos forem crescendo e tomando contato com a própria história. Thales segue firme, fazendo sua parte, como conta na entrevista abaixo:

Como fazer para que seus filhos alcancem a real dimensão que Paulo Gustavo teve para a sociedade brasileira? Quais os maiores desafios?

Realmente, é um desafio. E também remexer numa ferida que demora muito para cicatrizar. O luto é um processo contínuo, não tem um início, meio e fim. Você vai lapidando, mas é uma cicatriz que vai ficar eternamente. Não julgo pessoas que não conseguem se organizar para mostrar o legado de outros artistas, entes queridos, porque é duro rever foto, ver vídeos. Mas foi a forma como consegui ressignificar a saudade e colocar ele nesse lugar especial que ele merece, de encantamento do povo. É isso que quero trazer e fazer brilhar em mim e nos meus filhos.

E dentro de casa?

Em casa, eles sabem a importância do Paulo, tanto para mim, afetivamente, como marido, quanto para eles, como pai. Paulo sonhava muito em ser pai, sempre falo isso para meus filhos. Os dois foram um projeto muito grande nosso. Desde o momento em que a gente se conheceu, quisemos ter filho. Perdemos um casal de gêmeos com mais de 20 semanas, foi uma gestação super difícil. E a gente quis muito eles. Depois, o Romeu nasceu, ficou 10 dias no CTI... Paulo era muito feliz com a realização de finalmente ter sido pai. A gente foi uma família muito planejada, desejada.

Vocês enfrentaram burocracias para conseguir...

Sim, não é fácil dois homens serem pais de duas crianças. Na época, legalmente, isso era mais fácil nos Estados Unidos. E a gente tinha um privilégio econômico de poder fazer isso. Paulo tinha essa curiosidade de ter filhos biológicos. Sou simpático e adepto da adoção, mas sei que também tem desafios. Mas o Paulo tinha essa curiosidade, a gente embarcou e conseguiu. Foi uma grande realização. Esse é o lado mais humano, fora das telas e do público, que levo para os meus filhos dentro de casa. Mostro fotos nossas na piscina, coisas que a gente fez juntos, alimento isso. Sobre a vida artística, esse legado que estou continuando com o Instituto, eles ainda vão ter muito contato e tirar suas próprias conclusões.

O tempo vai permitir que se informem e se deem conta...

No começo, era uma dor difícil ficar vendo os filmes, mostrando fotos e vídeos. Ficava tentando preservar uma memória viva do Paulo neles, mostrando imagens. Depois, vi que era tão difícil para mim quanto para eles. Percebi que Romeu, que é muito sensível e era muito apegado ao Paulo, saía de perto toda vez que eu comentava ou fechava a cara, mudava de humor. Isso, bebezinho ou muito pequeno. E pensei: "Peraí, isso também demanda um tempo de processamento pra eles. Vamos esperar uma maturidade, um reconhecimento da nova situação". Porque a gente sai, e ainda pessoas nos abraçam chorando, comentam, se emocionam. Reconheço isso como legítimo, como carinho, mas impacta também o sentimento das crianças que ficam ali, confusas, entendendo o que é o processo do luto. Eles também estão fazendo o processo deles, então...