Cultura Pop
Tom Cardoso revela as muitas faces de Gilberto Gil em novo livro
“Nem tanto esotérico assim: seis vezes Gil” percorre as contradições, a trajetória política, a espiritualidade e a genialidade musical de um dos maiores artistas brasileiros
O jornalista e escritor Tom Cardoso apresenta ao público seu novo livro, “Nem tanto esotérico assim: seis vezes Gil”, obra dedicada às múltiplas dimensões da vida e da produção artística de Gilberto Gil.
Publicado pela Editora 34, o livro não segue a estrutura tradicional de uma biografia cronológica e exaustiva. Em seis capítulos temáticos, Cardoso percorre diferentes períodos da trajetória do cantor e compositor, alternando fatos históricos, episódios controversos, transformações pessoais e momentos decisivos da carreira.
A proposta é compreender como convivem, na mesma personalidade, o músico experimental e o artista popular; o ativista ligado à contracultura e o gestor público; o homem espiritualizado e o personagem político; o baiano profundamente ligado às suas raízes e o artista de projeção internacional.
SEIS CAMINHOS PARA COMPREENDER GIL
Gilberto Gil nasceu em 1942, filho de um médico e de uma professora. Estudou em escola metodista, formou-se em Administração de Empresas pela Universidade da Bahia e chegou a trabalhar como trainee da Gessy Lever em São Paulo antes de se consolidar como um dos nomes mais importantes da música popular brasileira.
Ao longo da carreira, participou da criação do Tropicalismo, foi perseguido e exilado durante a ditadura militar, construiu uma obra marcada pelo diálogo entre tradição e modernidade e atravessou gêneros como samba, baião, reggae, rock e música eletrônica.
Gil também ocupou espaços institucionais. Presidiu a Fundação Gregório de Mattos, concorreu à Prefeitura de Salvador, exerceu mandato de vereador e comandou o Ministério da Cultura durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em vez de separar essas experiências, Tom Cardoso procura mostrar como música, política, espiritualidade, relações familiares e vida pública se misturam na construção da personalidade do artista.
RETRATO SEM “CHAPA BRANCA”
Conhecido pelo rigor na apuração, Cardoso defende que uma obra biográfica não deve funcionar como homenagem oficial ou instrumento de promoção do personagem retratado.
Em entrevistas sobre seus trabalhos, o jornalista tem afirmado que uma boa biografia precisa apresentar também as ambiguidades e contradições do biografado. No caso de Gil, a proposta não é atacar nem produzir um “beija-mão”, mas construir um retrato jornalístico sustentado por fatos e pesquisa documental.
O livro aborda episódios significativos e controversos sem perder de vista a dimensão artística de Gilberto Gil. O resultado é uma narrativa que procura explicar não apenas o músico conhecido pelo público, mas também o homem que acumulou mudanças, rupturas, reinvenções e diferentes papéis ao longo de mais de seis décadas de vida pública.
DISCOGRAFIA E ICONOGRAFIA
Além dos seis capítulos temáticos, a publicação apresenta uma discografia completa de Gilberto Gil e uma seleção iconográfica que ajuda a reconstituir diferentes fases do artista.
“Nem tanto esotérico assim: seis vezes Gil” possui 240 páginas, formato de 16 por 23 centímetros e integra a Coleção Música da Editora 34. O livro tem preço de capa de R$ 82 e ISBN 978-65-5525-277-4.
A obra dá continuidade a uma espécie de trilogia informal construída por Tom Cardoso em torno de grandes nomes da música brasileira. Antes de Gil, o autor publicou “Outras palavras: seis vezes Caetano”, em 2022, e “Trocando em miúdos: seis vezes Chico”, em 2024.
AUTOR PREMIADO
Tom Cardoso nasceu no Rio de Janeiro e construiu longa carreira no jornalismo. Trabalhou em veículos como O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Valor Econômico.
É autor de livros sobre personagens como Nara Leão, Caetano Veloso, Chico Buarque, Cássia Eller, Sócrates e o jornalista Tarso de Castro.
Em 2012, foi um dos vencedores do Prêmio Jabuti pelo livro-reportagem “O cofre do Dr. Rui”, que reconstitui o assalto ao cofre do ex-governador paulista Adhemar de Barros, realizado em 1969 por integrantes da organização VAR-Palmares.
Com o novo trabalho, Cardoso oferece ao leitor não apenas um perfil de Gilberto Gil, mas uma viagem pela cultura, pela música e pela história política brasileira das últimas décadas.
Mais lidas
-
1DO PLANALTO AO COLINHO
“Papai Trump”: Flávio vira alvo de memes após saída do Brasil; veja vídeo de IA
-
2POLÍTICA
Veja os resultados das eleições neste início da apuração
-
3ELEIÇÕES
Acompanhe minuto a minuto o 2º turno das eleições no Brasil 2026
-
4LULA LÁ
Paulista tomada por multidão; estimativas falam em 2 milhões no ato do presidente Lula; veja vídeo
-
5POLÍTICA
Marco Rubio articulou saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, diz aliado