Cultura Pop

BTS lota MorumBIS com pop, R&B e fãs fervorosas, sete anos após última passagem pelo Brasil

Ídolos do k-pop abriram turnê 'Arirang' que está próxima de arrecadar US$ 500 mil

Agência O Globo - 29/10/2026
BTS lota MorumBIS com pop, R&B e fãs fervorosas, sete anos após última passagem pelo Brasil
Morumbis

Bastou o relógio passar das 20h para as fãs do grupo de k-pop BTS começarem a agitar-se dentro do Estádio do MorumBIS, na Zona Oeste Paulistana, atentas ao menor sinal no agigantado palco. Enquanto isso, uma mãe divertia-se com o batimento cardíaco acelerado da filha, e outras meninas tentavam esgueirar-se para conseguir uma visão privilegiada do palco 360 com quatro telões no topo — em outros países, chegaram a ser 12, para fúria dos fãs. Lá pelas 20h10, RM, Suga, J-Hope, Jimin, Jin, V e Jung Kook encerraram de vez o hiato de sete anos sem pisar em palcos brasileiros e deram ao público de 81 mil pessoas (segundo dados anunciados por eles mesmos) o que a multidão tanto esperava. Há ainda outros dois shows confirmados e totalmente esgotados nos dias 30 e 31 de outubro.

O ponto de partida para a festa foi “Hooligan”, fruto do quinto álbum de trabalho do grupo, “Arirang”, lançado neste ano, após uma pausa nas atividades para que os rapazes pudessem cumprir o serviço militar obrigatório na Coreia. O retorno dos sete mescla a pop music com referências do R&B, e neste álbum em questão parece querer ainda mais mergulhar neste segundo universo. As fãs, de maneira impressionante, seguiam cada trecho das canções com fervor, fazendo o estádio trepidar com os pulos e danças nas arquibancadas e cadeiras suspensas.

Os artistas figuram como pesos-pesados da música global (essa turnê aproxima-se da arrecadação de US$ 500 milhões) com ampla adesão do público brasileiro. Para se ter uma ideia dessa paixão, 222 mil assinaturas foram recolhidas para que eles recebessem a chave da cidade de São Paulo. No entorno da arena de shows, fãs clubes pagaram anúncios para comemorar o aniversário de Jimin. Muitas, ainda, desembolsavam R$ 460 por um bastão de luz, com LED na ponta, que trocava de cor sintonizado com os momentos do show.

De volta à apresentação, o grupo logo seguiu para mais faixas do novo álbum que, praticamente, dominam o setlist. Na sequência veio “Aliens”, “They don't know ‘bout us” e “Like animals” - uma balada com ares pop rock. As canções foram apresentadas sem banda visível no palco, ao que parece, com bases instrumentais gravadas.

Não é difícil entender por que as fãs (que são parte do chamado “Army”) são aficionadas pelos sete integrantes. Toda a apresentação é pensada para emular uma certa proximidade entre público e artistas. Prova disso é a disposição das câmeras dos telões que driblam a distância imposta pela lotação do estádio. O sistema de filmagem ao vivo não economiza nos supercloses, para que sejam transmitidos sorrisos e beijos dos pop stars. A todo tempo, um deles pode ser visto, em detalhes, pela plateia.

Além disso, todos se esforçaram para falar um português que foi além do trivial “eu te amo, Brasil” e “obrigado”. Pelo contrário, os sete embarcaram em frases como “‘ceis’ não estão para brincadeira! Eu não preciso de mais nada” ou “Não se cansem, sigam com a gente”.

Sem sobressaltos, o grupo prosseguiu com faixas mais pesadonas como “Fya”, do novo álbum, e “Fire”, lançada há dez anos. Ali, fica claro como o grupo passeia entre os sons eletrônicos, o pop com R&B, sem deixar de lado os trejeitos de uma boy-band. Já próximo ao fim da apresentação, eles lançaram mão das mais radiofônicas “Butter” e “Dynamite”, ambas da virada da década e que furaram a bolha dos fãs de k-pop.

Nos minutos finais, eles enfileiraram duas canções surpresa: “Black Swan”, lançada em 2020, e “Silver Spoon (baepse)”, na qual o grupo faz uma crítica sobre desigualdade social e meritocracia.

Antes de encerrar, o BTS sentou-se na plataforma giratória sobre o palco para uma conversa mais longa com os fãs, abordando temas como saudades e planos de retorno ao Brasil. Todos deixaram suas mensagens (absolutamente elogiosas) com o apoio de uma tradutora.

Foi, sim, uma quebra de ritmo para o show que vinha em alta fervura. O momento, porém, arrebatou as fãs, que faziam silêncio para não perder nenhuma palavra na tradução simultânea.

Após o bate-papo, eles voltaram ao palco em ritmo mais despojado e apresentaram “Please” e “Into the sun”, uma balada cuja letra foi repetida à exaustão em cartazes e faixas nas mãos das fãs que acompanhavam este primeiro show paulistano. Não faltou nada.