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Batuque na Caixa: 25ª. edição traz inclusão e acessibilidade para crianças neurodivergentes

Projeto, que está em seis estados brasileiros, investe na capacitação de oficineiros e prevê materiais em Braile, Libras, audiodescrição e QR Codes acessíveis

Assessoria de imprensa 14/09/2026
Batuque na Caixa: 25ª. edição traz inclusão e acessibilidade para crianças neurodivergentes
Alunos e oficineiros do Batuque na Caixa, em Sergipe

O Projeto Batuque na Caixa, em sua 25ª. edição, está dando mais um passo para ampliar a inclusão e acessibilidade nas atividades artísticas-pedagógicas oferecidas a crianças e adolescentes de 12 cidades em seis estados brasileiros.

A equipe de oficineiros, atualmente com 55 pessoas, está sendo preparada para lidar com diferentes necessidades de participantes neurodivergentes, sob a coordenação da musicoterapeuta e arteterapeuta, especialista em Ciência ABA (Applied Behavior Analysis - Análise do Comportamento Aplicada) e formação na área de acessibilidade, Pollyanna Sela.

O trabalho começou recentemente e, segundo a especialista, o objetivo é preparar a equipe para compreender melhor as particularidades das neurodivergências e oferecer condições para que essas crianças e adolescentes participem das oficinas da forma mais adequada e acolhedora. “Hoje, a necessidade de inclusão dessas crianças é muito grande”, explica Polly, que iniciou o trabalho pela preparação de materiais visuais para serem distribuídos aos oficineiros. Entre os recursos estão previstos a linguagem Braile, vídeos com inserção de Libras, QR Codes destacados para quem tem problemas visuais e audiodescrição nos vídeos, ampliando o acesso ao conteúdo.

Na sequência, o trabalho deverá avançar para os aspectos metodológicos, técnicos e pedagógicos, inclusive com aulas práticas, para preparar os oficineiros para que percebem como cada criança reage aos estímulos oferecidos durante as atividades. “Uma criança neurodivergente pode, por exemplo, apresentar maior sensibilidade aos estímulos sensoriais das oficinas e precisar de um ambiente com menos elementos ao seu redor. Outra pode responder melhor a estímulos visuais e determinados objetos ou movimentos. Caberá ao oficineiro reconhecer essas diferenças e adaptar a atividade para que ela possa se regular”, explica a especialista.

Polly Sela traz ao Batuque na Caixa uma experiência de três anos trabalhando diretamente com crianças neurodivergentes. Em Londrina, chegou a atender 40 semanais, acompanhando cerca de 35 crianças, principalmente nas faixas de 3 a 5 anos e adolescentes, em uma clínica especializada em atendimento de neurodivergências.

A experiência inclui o contato com diferentes formas de terapia e atividades envolvendo teatro, música, dança e outras linguagens. Esse conhecimento prático, segundo ela, é fundamental para orientar os oficineiros do projeto.

Mas, para Polly, o mais importante não é criar uma metodologia completamente diferente do que o Batuque na Caixa vem oferecendo há 27 anos, com muito sucesso. “Queremos adaptar e aprimorar o trabalho que já vem sendo realizado de uma forma incrível”, explica. E aponta que alguns oficineiros já possuem experiências com crianças com deficiências e neurodivergências. “Eles estarão aprimorando essas atividades e proporcionando uma troca de conhecimentos com aqueles que estão apenas começando a trabalhar com esse público”, diz.

O treinamento pretende também olhar para as famílias. “Há uma grande necessidade de acolher aquela mãe ou pai que acompanham as crianças e adolescentes em situação de maior necessidade de suporte. “Os oficineiros precisam compreender essa realidade e estabelecer uma relação de confiança com o acompanhante, que comumente é a mãe”, observa a especialista, ressaltando que, em alguns casos, a criança ou adolescente pode precisar de ajuda para atividades básicas do cotidiano, como ir ao banheiro. “Criar um ambiente inclusivo significa compreender não apenas a criança, mas também a dinâmica familiar”. explica.

Inclusão como parte do Batuque

O trabalho desenvolvido pelo Batuque na Caixa, desde a sua idealização em 1998, em Londrina (PR), pelo Instituto Cultural Arte Brasil e seu fundador, o músico e compositor Aldo Moraes, tem um forte aspecto de inclusão, inclusive social. O projeto foi desenvolvido a partir de uma ideia simples de Moraes: crianças não deveriam precisar ter dinheiro, instrumento musical ou estrutura familiar privilegiada para ter acesso à arte e à cultura.

“Isso nasceu da minha própria experiência. Quando meu pai morreu, muito cedo, minha mãe voltou a trabalhar como empregada doméstica. Mas a nossa casa era cheia de livros, poesia, de música, era uma coisa dela. Então eu cresci nesse meio. Em 1994, eu ganhei um prêmio, na Europa, por uma composição musical para concerto. E isso me impactou muito. Eu, um preto da periferia, indo à Europa para receber um prêmio internacional”, conta Moraes.

Quando retornou a Londrina, Aldo Moraes tinha a certeza de que poderia fazer alguma coisa para que meninos e meninas em situação de vulnerabilidade também tivessem a oportunidade de ter contato com artes e com a cultura, independente se iriam seguir a carreira de músico ou artista, de modo geral. “Eu sabia que poderia auxiliar na educação, no comportamento, na visão de mundo”, detalha.

Por isso, desde o início, as atividades do Batuque na Caixa são gratuitas -patrocinadas hoje pela Lei Rouanet - , com prioridade para viabilizar instrumentos, livros, materiais para desenho, figurino, cenários, transporte e alimentação para as crianças. Em vez de construir uma sede própria, a proposta continua a ser de ocupar espaços já existentes nas comunidades.

“No primeiro ano de atividade, em 1999, a expectativa era atender 200 alunos da Casa do Caminho, em Londrina. Chegamos a quase 800, porque crianças da Guarda Mirim, que era ao lado da Casa do Caminho, viram a movimentação e pediram para ser incluídas”, lembra o idealizador. Um ano depois, o Batuque na Caixa já estava espalhado pelas quatro regiões de Londrina e seus distritos rurais.

Nesses 27 anos de trabalho – com dois anos de espera para conseguir captação financeira pela Lei Rouanet -, o Batuque na Caixa cresceu e levou sua expertise para municípios como São Paulo, Bauru e São José dos Campos (SP), Londrina e Cambé (PR), Fortaleza e Horizonte (CE), Simões Filho e Salvador (BA), Pontal/Mangue Seco (divisa da Bahia com Sergipe), Aracaju (SE) e Barra de São Francisco (ES), com metodologias personalizadas de educação e inclusão social, se reinventando a cada nova temporada.

A 25ª. edição está sendo realizada até março de 2027, atendendo cerca de 2.700 crianças e adolescentes. “Agora, estamos radicalizando na democratização do acesso. Incluir pessoas neurodivergentes garante o direito constitucional à cultura, à educação e ao lazer, promove o desenvolvimento integral da criança e transforma a própria comunidade em um espaço mais empático e livre de preconceitos. A arte e a cultura muda vidas”, garante Aldo Moraes que, ao longo desses anos, viu alunos - em situação de extrema vulnerabilidade - do Batuque na Caixa crescerem e ascenderem em carreiras culturais. “Inclusive, nossa preocupação com acessibilidade é também garantir transporte para os participantes irem às oficinas. Ou levando as oficinas às comunidades rurais, quilombolas, marisqueiras e aldeias indígenas”, pontua.

Cultura brasileira como instrumento de educação

Ao longo dos anos, o Batuque na Caixa deixou de ser apenas uma iniciativa de iniciação musical e desenvolveu uma metodologia pedagógica baseada em pesquisa, avaliação e contato com diferentes manifestações da cultura brasileira. Fandango paranaense, catira, manifestações populares caipiras e caboclas, maracatu, samba de raiz e samba de roda passaram integrar o universo do projeto, respeitando a identificação dos próprios alunos com expressões culturais.

A experiência também ganhou uma dimensão artística própria – com apresentações em ruas, praças e teatros. Em 2001, chegou ao Pelourinho, em Salvador, para duas apresentações com o Olodum, que reuniram cerca de 50 mil pessoas.

No mesmo período, o Batuque na Caixa estabeleceu contatos e parcerias artísticas com nomes como Ira!, Caetano Veloso, Alcione, Naná Vasconcelos, Palavra Cantada e Hermeto Paschoal. O CD Arte Brasilis, com poemas e música, foi gravado em 2002 com os alunos. O encarte trazia desenhos dos participantes, reunindo em um único produto diferentes resultados desenvolvidos nas oficinas.

Projeto atravessou gerações e crises

A longevidade é um dos aspectos que diferenciam o Batuque na Caixa. Em vez de limitar sua atuação à formação artística, o projeto incorporou, ao longo dos anos, ações sociais e educacionais que permitiram o crescimento de alunos que hoje se destacam no meio musical.

Parcerias com o programa Impulso, do Instituto GRPCOM, e o Sesc Cadeião Cultural de Londrina possibilitaram campanhas periódicas de arrecadação de alimentos, roupas, agasalhos, material escolar, brinquedos e outros itens destinados às famílias das crianças participantes.

Em 2023, o projeto ampliou novamente sua proposta de formação, por meio de parceria com o Instituto Conhecimento Liberta. Os participantes passaram a ter acesso gratuito a mais de 300 cursos de qualificação profissional, filosofia, ciências políticas, economia, cultura, história da arte, história da música e direito, além de bolsas de pós-graduação.

Em quase três décadas, o Batuque na Caixa acumulou cerca de 20 premiações, entre elas o Prêmio Itaú-Unicef, em 2018.

Cultura como formação

Em sua trajetória, o Batuque na Caixa desenvolveu uma mudança importante na compreensão de seu papel como projeto cultural. A música continua a porta de entrada, mas a proposta não termina nela.

Ao longo do tempo, o projeto foi construindo uma rede de oportunidade ao redor dos participantes e suas famílias. “Essa talvez seja a principal razão para o Batuque continuar relevante depois de tantos anos. Ele não trabalha apenas com aquilo que uma criança pode aprender hoje, mas com aquilo que ela pode se tornar amanhã. Temos muitos exemplos de jovens que começaram no Batuque e hoje estão ganhando prêmios”, diz Aldo Moraes.

ASSINATURA:

A 25ª. edição do Projeto Batuque na Caixa é uma promoção do Instituto Cultural Arte Brasil com realização do Ministério da Cultura através da Lei Nacional de Incentivo à Cultura. Patrocinio: J Macedo

Parcerias: Instituto Conhecimento Liberta, Sesc Cadeião Cultural, Instituto GRPCom, Lupa do Bem, Sindicato Bancários de Curitiba, Revista D’arte, Podcast podechefe, Empresa Empoderamente e Syngara Cultural.

Assessoria de imprensa:

Telma Elorza (43) 99106-8902 – e-mail [email protected]