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Neguinho da Beija-Flor fala da emoção de ver um musical sobre sua vida: 'Eu não sabia se assistia ou chorava'

Estreia hoje 'O Neguinho da Beija-Flor — musical' no Teatro João Caetano, no Centro do Rio

Agência O Globo - 10/09/2026
Neguinho da Beija-Flor fala da emoção de ver um musical sobre sua vida: 'Eu não sabia se assistia ou chorava'
Neguinho da Beija Flor - Foto: Reprodução

Aos 77 anos, Neguinho da Beija-Flor, que foi intérprete da Azul e Branco de Nilópolis por cinco décadas ininterruptas, ganha uma homenagem à altura de sua dimensão. Estreia hoje “O Neguinho da Beija-Flor — musical” no Teatro João Caetano, no Centro do Rio. A montagem, escrita por Aydano André Motta e dirigida por Luiz Antonio Pilar, aborda desde a infância humilde em Nova Iguaçu até a consagração com mais de 40 discos lançados e 15 títulos do Grupo Especial. Mais de 30 canções do repertório que marcou o seu percurso integram o espetáculo, e o intérprete de “Menino de pé no chão”, quem diria, não conseguiu segurar as lágrimas ao ver os ensaios:

— É emocionante. Eu não sabia se assistia ou se chorava. Aí acabei só indo uma vez. Não vou lá ficar chorando, pagando mico na frente dos atores — brinca.

A reação diz muito sobre um homem que, apesar de décadas de carreira, ainda parece olhar para a própria trajetória com certa incredulidade. Quem vê a importância de Neguinho da Beija-Flor no carnaval carioca não imagina a simplicidade com que ele se enxerga.

— Quando ando por aí, as pessoas me param e, às vezes, me pergunto: “Será que eu sou isso tudo mesmo?”. Eu até me belisco! Não tenho essa importância toda. Para ser sincero, até hoje eu não acredito — confirma ele.

Essa essência tem raiz no conselho do pai, Benedito, que sonhava ver o filho seguindo a carreira na Aeronáutica. Quando Neguinho decidiu dar baixa para viver do samba e conquistou o primeiro título pela Beija-Flor, em 1976, ouviu uma lição que carrega para a vida toda:

— Meu pai falou assim: “Nunca separe o Luiz Antônio do Neguinho da Beija-Flor”. Eu não me considero um artista, me considero um profissional do samba, um arteiro. Acho que dei sorte naquilo que mais gosto de fazer, que é compor e cantar. Artistas, para mim, são meus ídolos: Michael Jackson, Nat King Cole, Martinho da Vila, Alcione, Roberto Carlos.

A missão de levar essa mistura de resiliência e alegria para os palcos ficou com o ator Izak Dahora. Em cena ao lado de um elenco de dez atores, ele destaca o desafio de compor os trejeitos do sambista:

— Venho estudando o timbre, os gestos vocais, os trejeitos e a respiração do Neguinho obsessivamente, desde quando Pilar me sondou há dois anos. Sinto uma grande responsabilidade, que tenho vivido com a alegria que a figura dele inspira — diz Izak.

Ao olhar para o caminho percorrido no palco, Neguinho não tem dúvidas de que tudo valeu:

— Não tenho estudo, muito mal o ensino fundamental. Não tinha profissão, só sabia fazer um sambinha com essa voz rouca. Era a única chance que eu tinha: ou vai ou vai. Mas se eu nascesse de novo, faria tudo igual.

Neguinho no CPF

Além da voz, o nome ninguém mais tem. Ele assina oficialmente Luiz Antônio Feliciano Neguinho da Beija-Flor Marcondes no CPF, no passaporte e na identidade. “Sou Neguinho para todo mundo. Se chamar Luiz na rua, passa batido”.

Filha fã de K-pop

Casado com Elaine Reis, Neguinho é pai de quatro. Segundo ele, a advogada Ângela, de 38 anos, é a mais entusiasmada com a sua carreira, enquanto a caçula, Luiza, prestes a completar 18 anos, é fã de Michael Jackson e de K-pop. “Não tenho nem coragem de perguntar a ela o que ela acha do papai!” — brinca.

E vem mais por aí

Em 2027, o intérprete será homenageado em Manaus, pela escola de samba Vitória Régia. Ele também terá seu nome celebrado no carnaval suíço, em maio. Com tantas homenagens, ele resume o sonho que falta realizar: “Ver a minha única neta (Sarah, de 13 anos) formada”.

SERVIÇO

Espetáculo: "O Neguinho da Beija-Flor – Musical"

Temporada: De 10 de setembro a 1º de novembro de 2026

Horários: Quintas e sextas, às 19h; sábados e domingos, às 17h

Local: Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro)

Ingressos: De R$ 15 a R$ 80 (vendas na bilheteria e pelo site funarj.eleventickets.com)

Classificação: 14 anos