Cultura Pop

Após sucesso no 'BBB' de Portugal, Patrícia Ribeiro sonha com vaga no 'Big Brother Brasil'

Cantora trans portuguesa teve música hit na edição de 2024 do 'Big Brother Portugal' e cantou na final do programa

Agência O Globo - 04/09/2026
Após sucesso no 'BBB' de Portugal, Patrícia Ribeiro sonha com vaga no 'Big Brother Brasil'
Patrícia Ribeiro

Após fazer sucesso no “Big Brother Portugal”, Patrícia Ribeiro agora sonha com uma vaga no “BBB 27”. Primeira cantora trans a fazer sucesso em seu país de origem, a portuguesa teve sua música “Quero Ser Feliz (Preciso de uma Chance)” viralizada durante a edição de 2024 do reality e chegou a se apresentar na grande final do programa. A canção ganhou uma coreografia criada pelos confinados do reality.

A música se tornou um verdadeiro hit entre os participantes dentro da casa, virando uma espécie de hino daquela edição, e impulsionando ainda mais a carreira de Patrícia. Agora, ela deseja levar seu talento e sua história para o público brasileiro, participando do "Big Brother Brasil".

“Sempre tive o sonho de entrar em um reality brasileiro. Sei que somos países irmãos e a minha história de vida é muito forte. Eu sei que ia causar risos. Ia ser uma ótima participante e, com certeza, ganhadora do BBB”, afirma a cantora.

Aos 44 anos, Patrícia Ribeiro está preparando sua autobiografia, “Da Prisão à Liberdade”, em que revisita diferentes fases de sua trajetória, como a carreira artística e os seis anos que passou detida em Portugal. A cantora, compositora, modelo e dançarina também aborda no relato as decisões que tomou, as consequências de seus atos e o processo de reconstrução da vida após deixar a prisão.

A artista participou inúmeras vezes do icônico programa dominical da SIC Portugal, “Em Festa”, e chegou a gravar uma música dedicada à atração, que foi incluída no CD “Beat Sexy”. Em 2015, recebeu o segundo disco de ouro da carreira durante uma participação no programa, um dos grandes sucessos da emissora portuguesa.

A trajetória de Patrícia na música começou ainda na infância, quando integrou o grupo infantil Jovens Cantores de Lisboa. Ao longo da carreira, lançou trabalhos como “Lotaria do Amor”, de 2013, e “Beat Sexy”, de 2015. Em 2014, publicou o livro autobiográfico “Ontem Homem, Hoje Mulher”. A artista também teve projetos e passagens profissionais pelo Brasil.

Pioneira na música e na afirmação de gênero

Patrícia se tornou uma figura pioneira em Portugal por ter sido a primeira mulher trans a seguir uma carreira musical profissional no país. Ela também ganhou notoriedade por ser a primeira figura pública portuguesa a realizar e compartilhar publicamente sua cirurgia de redesignação sexual.

A trajetória, no entanto, foi marcada por altos e baixos. Em 2016, Patrícia foi detida por envolvimento em um crime de extorsão contra um empresário. Segundo relatos divulgados pela imprensa portuguesa, o caso envolveu ameaças de divulgação de fotografias e vídeos íntimos da vítima.

A extorsão teria se prolongado por cerca de quatro anos, período em que aproximadamente 400 mil euros foram desviados. Patrícia cometeu o crime em parceria com outra pessoa.

Condenada a oito anos de prisão

Inicialmente, a cantora foi condenada a oito anos de prisão. Ela cumpriu seis anos no Estabelecimento Prisional de Tires, em Portugal, e deixou a unidade no fim de 2022, em liberdade condicional, após ter sido beneficiada por bom comportamento.

Em entrevistas recentes, Patrícia assumiu a responsabilidade pelo crime e demonstrou arrependimento. A cantora também pediu perdão publicamente à vítima pelos traumas provocados.

“Sei que causei traumas psicológicos. Estou profundamente arrependida e, mais uma vez, peço perdão”, afirmou em entrevista à Selfie.

Patrícia contou que o período de reclusão foi marcado por acompanhamento psicológico, trabalho e formação. A fé, segundo ela, ganhou uma importância especial durante os anos em que esteve presa.

Um dos símbolos desse período foi um terço dado por sua avó, Antonina, que passou a acompanhá-la em uma das fases mais difíceis de sua vida.

Agradeço a Deus por ter sido presa

Apesar das dificuldades vividas dentro e fora da prisão, Patrícia afirma que os seis anos de reclusão foram um momento decisivo para interromper um ciclo de autodestruição.

“Estava perdida num abismo sem fim, numa maré de autodestruição”, declarou. Em outro momento, resumiu a transformação provocada pelo período de reclusão: “Agradeço a Deus por ter sido presa”.

A cantora já afirmou que, naquele momento de sua vida, estava emocionalmente fragilizada e foi influenciada por terceiros. Ela também mencionou o consumo de estupefacientes como um dos fatores que contribuíram para suas escolhas.

O desafio de reaprender a viver

A saída da prisão, entretanto, não significou o fim dos desafios. Após seis anos confinada, Patrícia precisou se adaptar novamente à vida em sociedade.

Em entrevista, ela afirmou que precisou “reaprender a viver em sociedade”. O processo de readaptação foi difícil, e em alguns momentos, a pressão e o choque com a nova realidade a fizeram pensar em voltar para o ambiente que havia deixado.

Aos poucos, porém, a artista começou a reconstruir sua vida. Sem negar os erros cometidos e as consequências deles, Patrícia passou a enxergar a experiência como um ponto de virada.

Agora, com o lançamento de “Da Prisão à Liberdade”, ela pretende transformar a própria história em aprendizado e também alertar outras pessoas sobre as consequências de escolhas feitas em momentos de fragilidade.