Cultura Pop
Cacique Cobra Coral recebe recorde de pedidos para impedir chuva no Rock in Rio, mas não há acordo com festival
Organização está focada em encher as reservas do Sistema Cantareira, em São Paulo
Não é que a Fundação Cacique Cobra Coral esteja exatamente lavando as mãos. Mas eles não vão trabalhar para afastar as chuvas durante o festival. E não é por falta de pedidos do público. A caixa de e-mails e o Whatsapp bateram recorde de mensagens. Mas o acordo com o festival não foi feito, como tem sido nos últimos anos.
— Já são mais de 2 mil e-mails só nesta semana com pedidos de pessoas dizendo que vão viajar ao Rio para o festival, mas não estamos trabalhando para o evento. Temos uma operação especial em São Paulo, para encher o Sistema Cantareira, que está com menos de 40% de água. Quando tínhamos a parceria com o Rock in Rio, começávamos este trabalho de encher os reservatórios seis meses antes. Era o próprio Roberto Medina quem nos procurava. Agora, que o controle está com os filhos, não sei, não fomos procurados, então não somos nós, cheios de trabalho, que podemos ir atrás — diz o porta-voz da FCCC, Osmar Santos, marido da médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral.
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A Fundação foi criada para intervir, por meio da entidade, nos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza. Em agosto, a Prefeitura do Rio fechou um acordo com a instituição para diminuir os danos dos vendavais. Foi parar no Diário oficial do Município. Esse apoio à cidade, no Rio de Janeiro, não era para interferir até em eventos privados como o festival?
— O acordo é para evitar inundações na cidade do Rio. Você tem visto vendavais, como estavam dias antes do contrato ser renovado? As chuvas agora são por um motivo. Se não cair o que precisa para agora, quando chegar o verão, nos próximos meses, pode se tornar um caos para toda a região. E São Paulo afeta o Rio porque a gente brinca que a previsão de lá é a da capital fluminense amanhã.
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Previsão do tempo para o Rock in Rio
Segundo a previsão do Climatempo, a sexta-feira, dia 4, o primeiro dia do Rock in Rio, vai ser de sol, com máxima de 30°C. Já no sábado e até o feriado, há possibilidade de chuvas. No dia 5, a mínima é de 19°C e máxima de 26°C, com 87% de chances de chuva pela noite. No dia 6, a mínima é de 18°C, com a máxima de 22°C. Há 89% de chance de chover ao longo de todo o dia. Na segunda-feira, no dia 7, a mínima é de 16°C, com máxima de 20°C, e há a possibilidade de chuva passageira durante o dia.
A relação do Cacique Cobra Coral com o Rock in Rio
Os laços com o Rock in Rio começaram em 2001. Roberto Medina, o fundador, "não queria repetir a dose de lama que marcou a primeira edição, em 1985", narra Luiz Felipe Carneiro, biógrafo do festival:
"Um cacique faria uma espécie de 'dança da chuva ao contrário' para afugentar as nuvens de Jacarepaguá. Mas não imagine que um indígena de tanga e cocar apareceu na Cidade do Rock para fazer o ritual. O cacique, na verdade, chegou de terno e laptop na mão tal qual um executivo. Os honorários não eram nada modestos: 10 mil dólares. Medina negociou: 'Pago 2 mil agora e, se não chover, pago os 8 mil no último dia'. O 'cacique' aceitou, mas, no meio do festival, ressaltou que havia um risco de chover 'um pouquinho'. O empresário bateu o pé: 'Se chover, não pago'. Não choveu", diz o trecho do livro "Rock in Rio: a história".
A parceria se manteve nos anos seguintes. Em 2011, até caiu uma chuva. A fundação justificou, na época, problemas logísticos já que a equipe não conseguiu entrar na Cidade do Rock, porque o carro que a transportava não estava credenciado. Quatro anos depois, lá estavam eles garantidos novamente. Eles também foram levados para as edições internacionais, em Las Vegas, nos Estados Unidos, e em Lisboa, em Portugal.
"Resolvemos contratar para garantir. Em 2001 iniciamos uma parceria que deu certo. Naquele ano, choveu no Riocentro, mas nenhuma gota caiu na Cidade do Rock. Desde então, não andamos sem ele", disse Roberta Medina, em 2015, na época em que era vice-presidente do festival. Apesar disso, naquele ano, um temporal marcou a edição. O contrato, então, não foi mais feito para as edições 2017, 2019, 2022 e 2024. Todas choveram.
Os valores desse tipo de negócio para eventos privados a Fundação Cacique Cobra Coral não revela. O que a instituição deixa claro é que para governos é feito um convênio gratuito. O que eles costumam pedir são contrapartidas ambientais que o poder público precisa fazer para o bem de toda a sociedade. Para iniciativas privadas, eles fazem parcerias financeiras para renovar seguros que mantêm a instituição.
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