Cultura Pop
Trama de ‘Quem ama cuida’ lembra história de autor que viu o espírito da mãe
Valter dos Santos é autor de 'Amor de mãe, amor de filho: além da vida', que esteve entre os mais vendidos na Amazon.
Não é de hoje que o brasileiro ama uma boa história espírita. Enquanto “Quem ama cuida” movimenta o público com as aparições de Francesca (Nathalia Dill) para Otoniel (Tony Ramos), o cinema se prepara para o longa-metragem de “A viagem”. Nesse contexto, um livro vem mostrando que a ligação com o outro plano vai muito além da ficção. Valter dos Santos é autor de “Amor de mãe, amor de filho: além da vida”, que recentemente esteve entre os livros mais vendidos na Amazon. Na obra, ele conta a história e a ligação com sua mãe, Lúcia, que faleceu quando tinha apenas 8 anos.
— A personagem (de Nathalia Dill) em “Quem ama cuida” tem muito a ver com a minha história. Uma mãe que volta em espírito, envolta em mistério. Acho lindo que a novela esteja falando sobre isso — ressaltando Valter, completando: — No Brasil, independentemente da religião, a gente busca se conectar com a fé. Também tivemos o sucesso da novela “A viagem”. Os números mostram que sempre buscamos entender sobre a vida após a morte.
A trajetória de Valter com o mundo espiritual começou num dos momentos mais dramáticos de sua existência. O autor descreveu uma infância difícil e uma adolescência marcada pela dor represada. O ponto de virada definitivo aconteceu durante uma grave crise de depressão, quando ele tentou atentar contra a própria vida:
— Foi nesse momento que vi o espírito da minha mãe pela primeira vez. Além da visão, fui adquirido por um sentimento intenso de amor e acolhimento. Foi uma grande virada de chave da minha vida.
Anos depois, morando em Londres e passando por dificuldades financeiras, o escritor experimentou outro episódio marcante:
— Vi o espírito da minha mãe pela segunda vez. Ela disse apenas: “Aceite o convite para uma festa”. Na tal festa, consegui o emprego que mudou minha vida.
Foi a estabilidade do emprego que abriu espaço para que ele começasse a colocar no papel as histórias que tocariam milhares de leitores. A certeza de que as obras foram escritas a quatro mãos com a mãe, no entanto, só vieram numa passagem recente pelo Brasil.
— Sempre senti que meus livros foram inspirados por ela, embora nunca os rotulassem como psicografados. Até que um dia, um médium me disse: "Você sabe quem escreve os livros com você, né? É a sua mãe". Depois, uma cabocla na umbanda repetiu: “É sua mãezinha que escreve com você”.
A obra é baseada na doutrina espírita, mas, segundo ele, sem tom didático ou doutrinário. O livro é também seu primeiro trabalho escrito em primeira pessoa.
— Eu gosto de falar não da morte, mas daquele amor que vai além da vida. Dividido relatos pessoais que me levaram a essa percepção. Cada leitor pode tirar sua própria conclusão.
Depois de mais de 12 anos sem publicação, Valter lançou o novo livro em 4 de maio deste ano. A data teve um significado especial: aconteceu dois meses depois da morte de seu pai, a quem dedicou a obra.
— Ele sempre me incentivou a retomar a escrita. Ao escrever, deixei de olhar para ele com as cobranças de um filho e passei a enxergá-lo como um homem que também sofria. Fiquei seis meses no Brasil e nos reaproximamos. Pouco tempo depois de retornar a Londres, ele faleceu. Tive a oportunidade de me despedir e demonstrar todo o meu amor e gratidão. O livro começa com a desencarnação da minha mãe e se encerra com a despedida do meu pai.
O livro tem contrato para publicação em espanhol na América Latina e na Espanha, no início do próximo ano, enquanto estão negociações em andamento para Portugal e Itália.
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