Cultura Pop
Consagrado no Festival de Gramado, José Loreto confessa forte conexão ao viver Chorão nas telas do cinema
O ator dá vida ao ícone do rock nacional na cinebiografia que promete emocionar fãs
Para encarar a responsabilidade de interpretar um dos maiores ícones do rock nacional nas telonas, José Loreto não buscou apenas o gestual ou a voz do vocalista do Charlie Brown Jr., Alexandre Magno Abrão, mais conhecido como Chorão. Vencedor do prêmio Kikito de Melhor Ator no Festival de Cinema de Gramado por sua atuação marcante na cinebiografia "Chorão: só os loucos sabem", José Loreto se jogou na história do cantor e afirma que o convite para o projeto pareceu algo pré-destinado:
— Acho que enchi as gavetas de Chorão, vivi o mundo dele, o universo dele demais. Me joguei de cabeça nesse projeto, acho que é o projeto da minha vida cinematográfica. E eu acho que fui escolhido... Além do produtor, distribuidores, diretores... Quem me escolheu para fazer esse papel foi o próprio Chorão. Então é muito especial esse projeto para mim.
Ao mergulhar na intimidade e nas memórias do vocalista do Charlie Brown Jr., Loreto encontrou uma figura de extrema sensibilidade e entrega. Mais do que a persona dos palcos, o ator destaca o lado humano e protetor do músico:
— Acho que as pessoas vendo esse filme vão descobrir outras facetas do Chorão que ninguém sabia, sabe? Ele era um cara muito intenso, se jogava tanto na dor quanto no amor. Acho que ele curou um monte de gente, salvou um monte de jovens com os discursos dele... E acabou que, na hora, ele não conseguiu se salvar. Ele era aquele cara que, se o avião estivesse caindo, ia colocar a máscara em todo mundo antes de colocar nele. Tenho muita admiração pelo artista, pelo Alexandre Magno Abrão, pelo Chorão mesmo, a pessoa que ele foi. Sou fã incondicional. Poder contar a vida dele nas telonas vai ser um marco, é um divisor de águas na minha carreira.
A vivência do personagem acabou se desdobrando também em reflexões profundas sobre a saúde mental masculina e a importância do cuidado pessoal. Para José Loreto, interpretar Chorão reforçou a necessidade de olhar para as próprias vulnerabilidades:
— Acho que todos os nossos personagens abrem várias camadas, várias perspectivas nossas. Lógico, eu vivi muito o Chorão e isso foi um assunto que pesquisei. Vi que a gente vive sobre as nossas fragilidades. Então, sim, cada vez mais eu faço terapia, cuido da minha saúde, converso com os amigos, tenho uma maturidade. Vejo coisas que eu sofria e não falava anos atrás que hoje em dia é muito mais fácil por causa desse se cuidar, por causa de ter uma rede de apoio. Então é isso: os nossos personagens vão abrindo os nossos olhos para muitas coisas. Eles nos ensinam até depois que se vão.
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