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William Bonner se rende a sonho de R$ 3,95 em padaria de Marechal Hermes; veja a história do lugar

Após a visita do jornalista, o doce que já era sucesso entre os moradores ganhou novos fãs. Reinaugurada recentemente, a casa mantém a tradição de seis décadas e a memória do antigo proprietário.

Agência O Globo - 21/08/2026
William Bonner se rende a sonho de R$ 3,95 em padaria de Marechal Hermes; veja a história do lugar
William Bonner - Foto: Reprodução / Instagram

A famosa batata de Marechal todo mundo conhece, isso é uma realidade. Mas vamos falar de sonho? Daqueles bem gostosos de padaria? É também em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, mais precisamente na sessentona Padaria Central, que não sobra um só deles para contar história ao fim do dia. O doce sempre foi procurado pelos clientes fiéis da casa, mas, recentemente, ficou ainda mais famoso, depois que William Bonner apareceu no pedaço para provar.

“Agora todo mundo diz que quer o sonho do Bonner”, confirma a proprietária da padaria, Fernanda Perez. O grande é vendido a R$ 3,95 e o mini, a R$ 1,50.

A visita do jornalista aconteceu no último dia 25 de julho, durante a reinauguração do local, e foi registrada em suas redes sociais, gerando burburinho entre seus muitos seguidores. Entre os comentários da publicação, sua mulher, Natasha Dantas, confirmou: “O melhor sonho”.

Mas afinal, o que a Padaria Central de Marechal teria de tão especial?

Tradição e história, aliadas a bons produtos, parecem ser a receita do sucesso dessa casa, que é orgulho da vizinhança e que, por muitas décadas, foi tocada pelo senhor Ramon, figura querida no bairro. Ele permaneceu à frente do negócio até os 82 anos, quando precisou se mudar para a Espanha com a mulher, durante a pandemia.

“Ele vinha de segunda a segunda. E sempre teve uma relação muito forte com a questão da comida. Nessa remodelação que fizemos, incluímos buffet de café e almoço. Quando filmamos e mostramos por vídeo, ficou emocionado”, conta Fernanda, nora de Ramon, que agora toca o negócio ao lado do marido, Claudio.

Além das fornadas de pão francês, considerado por muitos o melhor da região, ela conta que o sanduíche de pernil é queridinho e que o frango assado já foi até premiado.

“Ainda temos os pães doces que fazem sucesso, a fritada... Antes da reformulação, éramos uma padaria simples, de passagem, faltava conforto. Agora, as pessoas podem comer aqui no espaço. E muitos moradores vieram agradecer, sentiram que o bairro foi presenteado com um lugar assim”, orgulha-se Fernanda.

A nova fase, porém, também trouxe desafios. Entre eles, preservar a equipe que ajudou a construir a história do estabelecimento.

“Temos funcionários com 35 anos de casa e nossa preocupação era que todos permanecessem conosco. Então nosso foco agora é na adaptação da equipe, para que toda essa reformulação funcione bem”, explica.

A visita de Bonner, obviamente, trouxe novos clientes.

“Outro dia olhamos para as mesas e quase todas estavam ocupadas por pessoas novas. No dia da reinauguração, muita gente pediu para tirar foto. Foi uma experiência muito legal”, compartilha Fernanda, revelando uma “coincidência curiosa”: William é sogro do seu filho, Caio. E há um detalhe ainda mais especial: o logo da padaria foi desenvolvido por Bia Bonemer, sua nora.

Aberta todos os dias, das 6h às 22h, a Padaria Central consome cerca de 40 quilos de café por mês. Por muito tempo, as opções eram os tradicionais coado (R$ 4) e pingado (R$ 5). Agora, o cardápio também foi incrementado, com direito a chocolate quente e cappuccino (R$ 6).

Mas talvez nenhuma história conte tanto sobre a relação da padaria com Marechal Hermes quanto uma lembrança que surgiu justamente durante a reforma.

“Em meio à obra, até um eletricista que passou aqui em frente parou para contar que, na infância, quando enfrentava dificuldades, conseguia comer graças aos pães dados pelo seu Ramon. Todo mundo lembra e fala dele, que hoje vive em Pontevedra, na Galícia, aos 87 anos.”

É uma memória que Fernanda carrega com orgulho, e que ajuda a explicar por que, décadas depois, a Padaria Central continua sendo muito mais do que um lugar para comprar pão, tomar café ou, agora, provar o famoso “sonho do Bonner”.