Cultura Pop

Marcelo Faria relembra nudez em peça e reação da plateia: 'Tomando tapa na bunda das senhoras'

Ator foi indicado a prêmios importantes pela montagem de 'Dona Flor e seus dois maridos'

Agência O Globo - 20/08/2026
Marcelo Faria relembra nudez em peça e reação da plateia: 'Tomando tapa na bunda das senhoras'
Marcelo Faria

Um dos papéis mais marcantes de Marcelo Faria foi feito no palco: o Vadinho, de 'Dona Flor e seus dois maridos'. Pelo espetáculo, que rodou o país entre 2008 e 2009, o ator conquistou a crítica especializada e chegou a ganhar prêmios, a principal honraria do teatro brasileiro. Ele fala do destaque com orgulho e se diverte ao lembrar que povoou o imaginário do público não só pela performance, mas também por outros atributos.

A nudez está bastante presente no texto de Jorge Amado. E, na hora de montar o espetáculo, não teve jeito. "Tinha essa questão muito forte. Quando fui falar com Zélia Gattai (detentora dos direitos da obra de Jorge Amado, por ser a viúva), ela autorizou e disse: 'Se Vadinho não estiver pelado, não é Vadinho'. 'Vou ter que ficar pelado', pensei", disse o ator, de 54 anos, em entrevista ao programa 'Persona'.

Na direção de Pedro Vasconcelos, eles conseguiram dar alguns truques para aliviar tamanha exposição para o personagem, que aparecia em espírito. Mas uma cena clássica, no fim da peça, se tornou inevitável e um marco.

"A gente achou uma licença poética para eu não ficar pelado o tempo inteiro. Mas no fim, quando Vadinho volta para falar com a Dona Flor, a gente voltava pela plateia. É uma cena clássica, com o Vadinho com a mão na frente do corpo, tampando o sexo, mas a outra mão ficava na bunda da Flor. A gente vinha pelos corredores, a ponto de ficar tomando tapa na bunda das senhoras", relembrou Marcelo, aos risos.

Fez sucesso, tanto é que anos mais tarde eles levaram a obra para os cinemas, em 2017. A obra já tinha sido feita anos antes, em 1976, e o papel que Marcelo assumiu na versão mais atual era defendido por José Wilker.

"O fato é que sonhei com o Zé Wilker e falei com ele. Ele disse: 'Marcelo, faça o seu Vadinho. Não se preocupe'. Acordei e parecia que tinha tirado um caminhão das costas. Que bom que tive esse sonho, senti que tive o aval dele. Quem acredita, acredita. Quem não acredita, não acredita. Eu acredito que ele veio me dizer: 'Faz o seu'."