Cultura Pop

Artistas do pagode 90 analisam e se surpreendem com sucesso atual: 'O público amadureceu com a gente', diz Netinho de Paula

Gênero que ganhou até documentário exibido na TV Globo domina agenda cultural do Rio de Janeiro neste fim de semana

Agência O Globo - 15/08/2026
Artistas do pagode 90 analisam e se surpreendem com sucesso atual: 'O público amadureceu com a gente', diz Netinho de Paula

O pagode dos anos 90 tem dominado a cena musical. Muitos músicos e compositores que fizeram sucesso na época com o gênero seguem shows badalados e participando de eventos organizados para os fãs nostálgicos. Além disso, novos ouvintes se identificam com as letras. O estrondo é tanto que houve até um documentário exibido na TV Globo sobre o movimento! Neste fim de semana, no Rio de Janeiro, várias apresentações de músicos que começaram a brilhar há três décadas estão programadas. É o caso de Netinho de Paula, que foi vocalista do grupo Negritude Junior na época.

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O público amadureceu com a gente . A galera que curtia nossos shows nos anos 90 hoje leva os filhos, e até os netos, para curtir junto. O pagode 90 deixou de ser apenas a música do momento para se tornar um patrimônio cultural do brasileiro! Você sobe no palco e a voz do povo abafa o som das caixas — celebra Netinho, que se apresenta amanhã no Engenho de Dentro com Chrigor e Marcio Art.

Charlles André, ex-vocalista e compositor do grupo Os Morenos, acredita que os músicos que fizeram sucesso na época se surpreendem com a nostalgia dos fãs e a repercussão do repertório até hoje.

— O mais legal é ver a nova geração cantando nossas músicas, que seguem atuais. O público jovem se envolve, chora e se arrepia com as mesmas histórias que são contadas já há mais de 30 anos — diz o artista, que faz show hoje no Andaraí. — Os grupos tinham muita personalidade na época, embora fossem muitos. O Molejo tinha uma cara diferente do Katinguelê, diferente da dos Morenos, diferente da Negritude Júnior, diferente da Raça Negra...

E por que as músicas seguem na boca do povo depois de tanto tempo? Salgadinho, que canta amanhã em Madureira e foi vocalista do Katinguelê, opina:

— O movimento do pagode 90 abrange várias camadas da sociedade. E a cultura da música periférica e da música preta é muito forte na sua ancestralidade. Eu acredito que é realmente uma missão. Além disso, o romantismo também ajuda a ir longe.

Para Netinho, as músicas da época foram a trilha sonora da vida de muita gente em momentos de amor, alegria e dores, o que também pode explicar a longevidade.

— Esse sucesso é a prova de que a música feita com o coração, falando a língua do povo, não envelhece — pontua ele, olhando para o cenário da música atual. — O amor pela cultura, o samba e a periferia continua. A molecada de hoje é extremamente talentosa e herdou nossa ousadia. Eles seguem misturando ritmos e não têm medo de falar dos sentimentos. Para nós, a maturidade traz outro olhar para a vida e a carreira. Hoje, minha maior alegria é ter o privilégio de dividir palcos, estúdios e projetos com meus filhos Levi, Dudu e Vinigram. A gente começa a focar no legado, em passar o básico para a nova geração, sempre mantendo nossa raiz comunitária e a identidade forte.

Não Renascença

Neste sábado (15), tem Charlles André no Renascença Clube (Rua Barão de São Francisco 54, Andaraí), a partir das 15h. Ele grava o audiovisual do seu projeto “Lado C” e recebe outros artistas.

Em Madureira

No Viaduto Prefeito Negrão de Lima, no próximo domingo (16), a partir das 12h, acontece o Festival Wakanda In Madureira. Haverá shows de Leci Brandão, Arlindinho e Salgadinho.

Não Engenhão

No Armazém do Engenhão (na Praça do Trem), a partir das 13h do próximo domingo (16), rola o evento Samba 90 Graus no Pagode da Feira, com Chrigor, Netinho de Paula e Marcio Art no palco.