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Um mês após a morte do pai, Danton Mello fala sobre saudade, legado, amor e o luto ao lado de Selton Mello

Ocasião marca exatamente 30 dias da morte de Dalton Natal de Mello, aos 84 anos, por complicações pulmonares.

Agência O Globo - 08/08/2026
Um mês após a morte do pai, Danton Mello fala sobre saudade, legado, amor e o luto ao lado de Selton Mello
- Foto: Reprodução / Instagram

Amanhã não será um dia fácil para Danton Mello. O domingo dedicado aos pais marca exatamente 30 dias da partida de Dalton Natal de Mello, patriarca da família. Aos 84 anos, ele morreu em decorrência de complicações pulmonares agravadas por décadas de tabagismo. Emocionado, o ator, atualmente no ar como Diógenes em “A nobreza do amor”, compartilhou em entrevista exclusiva ao EXTRA como tem enfrentado esse momento delicado ao lado do irmão, Selton Mello. Ele destacou a saudade que sente do “Mello mais velho”, como carinhosamente chamava o pai.

— Logo no Dia dos Pais, completa um mês da nossa despedida. Está sendo muito difícil, mas temos que seguir em frente e honrar tudo o que ele passou para a gente, seu legado e toda a educação que nos proporcionou. Meu pai foi um cara incrível, de coração gigante, amado por todos. Sempre muito gentil. Sem dúvida, foi um exemplo de humildade, respeito, tolerância, bondade e simplicidade — valorizou o filho, de 51 anos.

Pai de Luisa, de 25, e de Alice, de 22, Danton decidiu que passará a data comemorativa sozinho, já que as duas vivem com a mãe nos Estados Unidos desde 2014. Longe das meninas, ele conta que pretende tirar um tempo para si e para “viver o luto”.

Apesar da distância, a relação com as filhas é marcada por muito amor e parceria. Em 2017, três anos após a mudança das herdeiras para a Califórnia, Danton revelou em entrevista que “chorava pelos cantos da casa” por sentir muita falta delas. Hoje, mesmo sentindo saudade diariamente, diz entender a escolha das duas.

— Já estou mais acostumado. Quando criamos os filhos, sabemos que esse é o processo. Eu também saí de casa um dia. É natural: crescer, amadurecer e viver a própria vida. Foi complexo no início por ser uma mudança muito radical. Mas temos que superar. E hoje existe a tecnologia, que faz com que possamos nos falar o tempo inteiro e nos vermos. Nada se compara a estar junto, ao abraço, ao cheiro, ao toque... Mas pelo menos temos essa possibilidade.

Já na ficção, onde também é pai, a realidade é bem diferente. Danton brinca que seu personagem na trama das seis da Globo deveria adotar a mesma forma de criação que ele deu às filhas. Segundo o ator, falta diálogo com as meninas na novela. Talvez por isso, Virginia (Theresa Fonseca), uma delas, tenha se tornado uma vilã, reflexo da relação fria e de pouco afeto com o pai.

— Eu acho que essa falta de carinho é um fator crucial para explicar o que a Virginia se tornou. Diógenes é muito rico, dono de um banco. Sempre comprou tudo. Mas e a atenção? E o amor? A filha ficou sem uma referência e acabou se perdendo.

Sem cigarro por elas

Foi por Luisa e Alice que o ator resolveu parar de fumar. A decisão veio ao ver o estado debilitado do pai, em consequência do vício.

— Amanhã faz 55 dias que parei de fumar. Larguei quando meu pai ainda estava hospitalizado. E sempre falava com ele: “Olha, já estou há alguns dias sem fumar, hein”. Eu me questionei muito. Pensava: “Caramba, minhas filhas estão vendo o meu pai, o avô delas, tão debilitado. E eu fumando... Seria um péssimo exemplo. Eu precisava ser mais forte e parar’’.

Com orgulho, Danton conta como ficou emocionado quando as filhas decidiram vir dos EUA assim que o avô foi internado.

— Pegaram o avião para ficar comigo e com o avô. Pararam a vida porque foram criadas tendo a gente como referência e vendo a importância da família.

‘Agora é a gente, temos que nos apoiar’

Danton conta que a morte do pai o uniu ainda mais ao irmão Selton Mello, seu grande parceiro. Ele ainda agradeceu as inúmeras mensagens de carinho que a família recebeu após a partida de Dalton.

— Eu e o Selton, no sofrimento e no luto, ficamos felizes com o carinho que recebemos de tanta gente. É até difícil dizer que estamos mais próximos, porque sempre fomos unidos, mas temos nos falado ainda mais. Agora é a gente, então temos que nos apoiar, estar juntos.

Outra pessoa especial na vida de Danton é João Victor, seu enteado, filho de sua mulher, Sheila Ramos. Eles se conheceram quando o menino, hoje com 15 anos, tinha 2. O ator diz que procura ser um espelho e um exemplo para o adolescente.

— Tento ser exemplo, mas também não interferir muito na educação, porque ele tem um pai maravilhoso. Sei que tenho um lugar especial no coração dele. Vivemos juntos durante quase toda a sua vida. Ele é um presente para mim.

O “filho de coração”, como Danton diz, também é muito próximo de Luisa e Alice. Quando elas vêm ao Brasil, os três estão sempre juntos.