Cultura Pop
Cria do Méier, diretor de cinema vertical é indicado a premiações em festival de Roma, na Itália
Lipe Veloso é um dos pioneiros da área no Brasil. Em 2019, já havia sido indicado a prêmios na França e na Ásia
Nascido no Méier, Lipe Veloso precisou morar de graça em um apartamento em uma comunidade no Rio e enfrentar várias dificuldades até disputar prêmios internacionais. Essa é a trajetória do diretor e ator Felipe Veloso , de 32 anos, que teve a websérie “ Não desvie o olhar ”, produzida de forma independente, indicada ao festival Vertical Movie , em Roma, na Itália.
A produção é um microdrama vertical de ficção científica e suspense sobre um óculos com inteligência artificial que faz os usuários enxergarem obsessores, desencadeando uma realidade de medo e caos.
O cinema vertical, formato pensado para ser assistido no celular, em vez da tela horizontal tradicional, hoje é tendência, impulsionada, inclusive, pelas "novelas" nas redes sociais. Mas, quando Lipe começou a investir nesse tipo de produção, o formato ainda era pouco conhecido no Brasil, o que, segundo ele, o tornou um dos pioneiros do gênero no país.
— Quando comecei a fazer minhas produções, o cinema vertical ainda estava muito longe de ser o que é hoje. Olhando para trás, fui um dos primeiros a apostar nesse formato de microdrama vertical. Tenho muito orgulho da minha trajetória e, mesmo com todas as dificuldades que enfrento até hoje, continuo trabalhando e me fazendo 100% — diz ao EXTRA .
Lipe começou a gravar aos 12 anos, com uma filmadora emprestada da prima. Aos 18, veio o primeiro prêmio: a curta “ Escassez ”, sobre a falta de água no futuro, que venceu o Festival de Cinema Viva Caxias, na cidade da Baixada Fluminense, e rendeu a ele R$ 7 mil reais. Cinco anos depois, em 2017, lançou uma websérie de maior impacto da carreira até agora: “ Reverso ”, sobre um jovem gamer psicopata que sequestra pessoas para um universo de realidade virtual, abordando o uso de drogas e os riscos de encontros marcados por sites de relacionamento.
O orçamento foi de cerca de R$ 250 reais. Para viabilizar o projeto, Lipe percorreu lojas e mercados populares em busca de parcerias para tecidos e maquiagem. O elenco veio da escola de teatro da Faetec de Quintino, por qual ele diz ter "eterna gratidão".
— Para fazer o "Reverso", eu busquei apoio. Peguei minha pasta e fui de loja em loja, pedindo: 'Olha, eu tenho um projeto aqui, que penso ter um grande potencial no mercado e queria saber se você tem interesse em apoiar'. Também convenci a escola de teatro para abraçar o projeto. É uma escola pela qual tenho enorme gratidão e claro, a todos os alunos também.
Com "Reverso", Lipe conquistou dois troféus no Rio WebFest , na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. Na época, morava de favor no apartamento de um amigo, na comunidade do Terreirão, no Recreio. Também fui convidado para festivais na França e na Ásia, mas as dificuldades financeiras, somadas à pandemia, o impediram de comparecer.
Hoje, Lipe mora em São Paulo, está desempregado e vive de freelas na área do audiovisual. Depois de interrupção das produções após a pandemia, retomou as gravações após o namorado ganhar um óculos inteligente com câmera integrada, utilizado nas filmagens, em um sorteio. Agora, com "Não desvie o olhar" indicado a festivais internacionais, Veloso espera que novas portas se abram rumo ao maior sonho: dirigir em uma grande emissora.
— Eu não vou a Roma porque não tenho condições financeiras. Mas é uma sensação maravilhosa ver que meu trabalho está sendo reconhecido. Sou um lutador, batalha muito. Sigo em busca de oportunidades para realizar o meu maior sonho, que é trabalhar em uma grande emissora.
A obra ainda não está disponível ao público, pois segue no circuito do festival, e só deve ser liberada após o fim das premiações.
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