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Após largar escritório, ator argentino de 'Jogada de risco' estreia no Brasil: 'Tive medo. Hoje estou no melhor lugar'

Ramiro Martinez conta como foi fazer primeira cena nu da carreira: 'Fiquei surpreso com a repercussão'

Agência O Globo - 05/08/2026
Após largar escritório, ator argentino de 'Jogada de risco' estreia no Brasil: 'Tive medo. Hoje estou no melhor lugar'
Ramiro Martinez

Quem vê o Nacho, de “Jogada de risco”, batendo um bolão em campo, nem imagina que seu intérprete, Ramiro Martinez, não é muito ligado a futebol. Conterrâneo de Lionel Messi, o ator argentino desembarcou no Brasil há quase um ano, após ser aprovado para dar vida ao atleta na série do Globoplay. Logo em seu primeiro trabalho por aqui, o artista, de 41 anos, viu seu nome na boca do povo ao aparecer completamente nu na produção idealizada por Cauã Reymond.

— Fiquei surpreso com a repercussão, não esperava que isso acontecesse logo no início da série. Quando gravamos, sabíamos que era uma cena potente, não só por serem dois homens nus brigando, mas por abordar homofobia, agressão e bullying. Apesar disso, recebi mensagens respeitosas. Foi a primeira vez que fiquei nu em cena e foi supertranquilo. Tive conversas prévias com a equipe, que facilitou todo o processo. Foi como fazer qualquer outra cena — garante.

Na trama, Nacho provoca Geraldo (Breno Ferreira) no vestiário do Atlântico Futebol e Regatas, o time fictício de “Jogada de risco”, mostrando seu perfil violento. Nos novos episódios da série, disponibilizados amanhã na plataforma, é revelado que o mau comportamento do atleta esconde conflitos internos que ele vem passando. Ramiro define Nacho como um “herói ferido”.

— Nacho está lidando com seus demônios. Com o conflito dele, a gente consegue refletir sobre a importância de se expressar, de ter alguém para falar, ou encontrar algum método para aliviar as dores mentais. Eu mesmo já atravessei momentos tumultuados. Não cheguei a procurar ajuda profissional, mas conversei com um amigo que me orientou e me acalmou. Busco o equilíbrio através da conexão com a natureza e também escrevendo. É uma análise que faço comigo mesmo — conta o ator, atualmente solteiro.

Um dos incômodos do argentino foi a vida burocrática que levava num escritório. Formado em administração, ele resolveu largar tudo para viver da arte.

— Fazia o que estava acostumado a ouvir em casa: “Você vai para a faculdade, ter um título, vai trabalhar e ter uma vida que todo mundo deseja”. Gastava meu tempo e energia dentro de um escritório sem fazer o que gostava, olhando para o relógio para saber quantas horas faltavam para ir embora — reflete Ramiro, que é ator há dez anos.

Já com documento brasileiro e contando com a ajuda de uma fonoaudióloga para amenizar seu sotaque, Ramiro quer firmar suas raízes no Brasil.

— Vim para ficar somente três meses e tô até agora. E com toda a energia colocada aqui. Tenho afinidade tão grande com o Brasil que não sinto que sou de fora. Se o público me aceita, vou ficando. No início, senti medo. Tenho saudade da minha família, mas acho que estou no lugar certo — conta ele, que assinou com a Netflix Brasil para gravar a terceira temporada de “DNA do crime”.

Ao interpretar um jogador de futebol, o ator, que não tem um time do coração, precisou se preparar fisicamente.

— Eu já tinha jogado bola, então sabia do preparo físico. Mesmo assim, fiz tudo que um jogador faz, como raspar as pernas. Me preocupei muito com o corpo do personagem. Quando eu era mais jovem, já tive problemas com autoestima por causa do meu corpo. Não gostava de tirar a blusa porque eu não tinha gominhos no abdômen — confessa ele.