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Ministério Público do Trabalho pode investigar reality show de Viih Tube mesmo que funcionários tenham consentido participar

Influenciadora diz estar disponível para colaborar

Agência O Globo - 03/07/2026
Ministério Público do Trabalho pode investigar reality show de Viih Tube mesmo que funcionários tenham consentido participar
Viih Tube - Foto: Reprodução / Instagram

As funcionárias até saíram em defesa do reality show e frisaram que aceitaram participar do programa. Mas mesmo que eles tenham dito se tratar de "inveja" por parte de quem criticou as situações consideradas humilhantes, isso não impede que o MPT ( Ministério Público do Trabalho ) atue. O órgão não precisa sequer de uma denúncia dos envolvidos na situação.

O MPT pode abrir investigações a partir de notícias veiculadas na imprensa, nas redes sociais ou em outros canais. Com isso, a autoridade inicia uma investigação por iniciativa própria, o que significa apurar todas as condições dos envolvidos, sem que isso signifique uma especificação. Como o MPT afirmou em nota enviada ao EXTRA, “iniciou procedimento para apuração de possíveis condutas trabalhistas que possam ser questionadas” .

“No direito do trabalho existe uma preocupação com a proteção da parte considerada mais vulnerável da relação . Por isso, o órgão analisa se houve exposição, constrangimento, violação da dignidade ou qualquer situação que possa ter ultrapassado os limites do poder diretivo do empregador, independentemente da manifestação pública dos empregados”, explica o advogado trabalhista Márcio Coelho.

O que diz Viih Tube

Por meio de um story no Instagram, Viih Tube disse que imaginava que o programa poderia gerar confusão pelas relações trabalhistas.

"Vou dar satisfações aqui porque sei do risco . A gente sabia desde o início o que poderia acontecer por fazer um reality show com pessoas do trabalho. De toda forma, o Ministério Público pode fazer uma fiscalização. É direito deles, porque realmente pode interpretar as coisas".

Para isso, ela fez um novo contrato com os funcionários. "Eles não são obrigados a participar . Foi feito o convite, quem topou e quis ter essa relação contratual com as pessoas fora do trabalho, tem um salário como participação, mesmo em produção audiovisual. É como se fosse um cache de publicidade, para ficar claro para vocês entenderem".

Situações humilhantes

Chamado de "As patroas (eo patrão)" , Viih Tube e Eliezer realizam testes para os 11 funcionários. Como prêmio, o vencedor levaria para casa R$ 20 mil, além do dinheiro acumulado em outras provas. O segundo lugar levaria apenas o que acumulou em provas. O valor total em dinheiro chegou a R$ 60 mil. Além disso, o programa exibido nas redes sociais dos influenciadores promete outras premiações paralelas, como uma moto.

Logo nos primeiros minutos, o casal chamou a atenção pela alteração da escala de trabalho dos funcionários. Como eles não trabalharam por lá todos os dias, agora precisariam estar presentes nos dias de gravação. "Uma coisa muito importante. Se não vier no dia, está eliminado. Então, nos dias de gravação do reality, todo mundo tem que estar" , disse Eliezer.

Na primeira prova, os participantes precisaram encontrar moedas de plástico espalhadas pela casa. Quem juntasse mais seria o vencedor da dinâmica. Algumas delas estavam dentro do vaso sanitário e outras no lixo. A situação tomou rapidamente as redes sociais, que consideraram as cenas humilhantes.

"Pelo amor de Deus da misericórdia, dentro do vaso?" , disse o motorista do casal, que enfiou a mão na lixeira com papel higiênico sujo. "Estava cheio de bosta. Quem vai limpar?" , disse ele, aos risos.

Essas situações entram em investigação para que o MPT entenda se os funcionários poderiam recusar sem correr riscos no trabalho ou como uma exposição pública poderia ser revertida. Na mesma sequência de vídeos no Instagram, Viih Tube disse que tudo foi previamente combinado para chamar a atenção:

"Nesse episódio, a gente trouxe duas críticas sociais: a precarização do trabalho, que foi o que a gente mostrou no primeiro episódio, e a luta pelo fim da escala 6 por 1. A nossa intenção era chamar a atenção para isso. Nós somos contra essa escala".

O que dizem as funcionárias

Em um vídeo, um grupo de funcionárias e, então, participantes do reality show "As patroas (e patrão)" , se indignaram com o cancelamento do produto.

"Indignada porque o pobre não pode ter nada! Ele não pode ter a oportunidade de ter nada. Vocês querem atrapalhar nossa realidade. A gente trabalha feliz aqui, a gente ama o que faz, a gente ama nossos patrões, somos bem cuidadas, somos bem tratados e, agora, vocês querem cancelar nosso reality".

Ela fez o desabafo: "Vocês não têm o que fazer, não? Vai chamar o Ministério do Trabalho onde tem as coisas irregulares, porque aqui é tudo regular e certo. Vão procurar o que fazer. Você que está criticando dá um panetone para o seu funcionário em Natal? Duvido. Tu dá uma cesta básica para a pessoa que está precisando? Duvido. Vai procurar o que fazer".