Cultura Pop
Presa, Deolane vira ré por lavagem de dinheiro e irmã critica investigação
Influenciadora também responde por organização criminosa em apuração sobre suposta ligação com o PCC
Deolane Bezerra passou a ser ré pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro em investigação que apura a atuação financeira da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia. Nas redes sociais, a irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, criticou o avanço do caso e apontou suposta seletividade.
“Tem sido difícil. Antes de tudo, tenho que fazer uma pergunta que ninguém responde: ‘Por que só a Deolane?’. As empresas com as quais ela transacionou são conhecidas, consolidadas, não são ocultas. São divulgadas por centenas de influenciadores. O que causa perplexidade é ver Deolane submetida à prisão e à condenação pública antes mesmo de exercer seu direito de defesa. Isso é seletividade com quem veio da favela”, disse Daniele Bezerra, em publicação nos Stories do Instagram.
Além da influenciadora, também se tornaram réus Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.
Por que Deolane está presa?
Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores provenientes da facção criminosa por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da cúpula do PCC. A estrutura teria funcionado entre 2018 e 2025.
A apuração identificou movimentações consideradas incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, incluindo circulação de valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto padrão.
Os investigadores afirmam que a projeção pública e a atividade empresarial formal eram usadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
O cruzamento de provas apreendidas com relatórios financeiros levou a polícia a apontar Deolane como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações teria ocorrido por meio de depósitos em espécie feitos a partir do caixa da facção, segundo a investigação.
Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento financeiro.
A análise bancária não identificou pagamentos compatíveis com os supostos créditos mencionados nas transferências. Para a polícia, isso indica ocultação e dissimulação de recursos ligados ao PCC. A investigação também afirma não ter encontrado prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos pela influenciadora.
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