Cultura Pop
Marjorie Estiano fala sobre repercussão do desejo de não ter filhos e revela reação da mãe
Atriz detalha relação familiar e direito de escolha durante participação em podcast
Em entrevista à psicóloga Vera Iaconelli, Marjorie Estiano abordou abertamente seu desejo de não ter filhos, refletindo sobre suas relações familiares e como se tornou uma pessoa prática ao longo da vida. As declarações da atriz, de 44 anos, repercutiram amplamente e geraram discussões nas redes sociais, levando Marjorie a retomar o tema em nova manifestação online.
"Acho que a gravidez e a maternidade devem ser experiências incríveis e também a maior responsabilidade que pode existir. A criação de uma pessoa para o indivíduo e o coletivo. Mesmo com a sorte e o privilégio de ter crescido com esses ensinamentos que eu recebi dos meus pais, podemos não conseguir ensinar o que é responsabilidade, caráter, ética. Do contrário nem precisaríamos estar falando sobre isso em 2026. Até agora nunca senti um desejo forte o suficiente para encarar o desafio, mas posso mudar de ideia. E talvez o ponto de virada seja esse: não precisamos buscar motivos para não ter, precisamos de motivos pra ter. E esse é mais um valor que julgo vir da minha família. Exercer meu direito de escolha", afirmou Marjorie.
No podcast "Isso não é uma sessão de análise", disponível no Spotify, a atriz revelou nunca ter pensado em ser mãe. "Acho que talvez por ter esse ambiente mais bélico com a minha mãe, eu falei: 'Não quero ter filhos. Não é bom isso, isso não é legal, não quero ter'", contou. Diante da repercussão, Marjorie compartilhou no Instagram que chegou a perguntar à mãe como ela reagiu a comentários surpresos sobre o tema.
"Infelizmente, direito de escolha, o básico, o essencial é privilégio em uma sociedade tão desigual e patriarcal quanto a nossa. Mas acho que debater sobre o tema sempre oferece uma oportunidade de deslocamento, mínimo que seja. Quando perguntei a minha mãe como se sentia em relação à comercialização e à deturpação da nossa narrativa íntima, me respondeu: 'Marjorie, a gente não tem responsabilidade sobre o que as pessoas fazem. Não terceirizo minhas relações'. Eu também não, mãe. Aprendi com você. Obrigada, te amo", relatou.
Durante a conversa, Marjorie também refletiu sobre como suas escolhas foram influenciadas por experiências familiares. "Acho que o caminho que fiz foi um pouco esse da rejeição. Inclusive, rejeitava o romantismo e tudo que fosse mais amoroso e afetivo nas minhas relações. Sou uma mulher prática, objetiva: não quero ter filhos, não quero ter descendentes. Depois que fui entendendo que isso é uma defesa, porque queria e desejava muito esse lugar (romântico), mas não sabia muito como (alcançar), então, (entendi) que não é para mim", explicou.
No mesmo texto publicado nas redes sociais, a atriz destacou que sua decisão não impede uma relação saudável e afetuosa com a família, a quem atribui a formação de seus valores.
"Falar de família é tão importante, porque família é importante, complexa e profunda e há muito tempo usada em um discurso que visa única e exclusivamente o benefício próprio (em poder, dinheiro ou cartão: débito e crédito). Nesse grupo: políticos e líderes religiosos, mas também pequenas e grandes empresas. É um grande negócio manipular as pessoas, em especial as mulheres. Tenho uma família maravilhosa e real. Gozo do privilégio de ter nascido e crescido em uma família que sempre me deu e me ensinou o essencial (amor, caráter, ética, empatia, responsabilidade…). Nunca vivi a violência que boa parte das famílias vive", concluiu.
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