Conhecimento
Enem 2026: como ativar a memória de longo prazo e obter bom desempenho na prova
Neurologista explica como o cérebro armazena informações e fatores que influenciam a memorização.
Com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 cada vez mais próximo, memorizar conteúdos e conseguir recuperá-los no momento da prova se torna um desafio para muitos estudantes. Para favorecer a retenção de informações a longo prazo, alguns hábitos e estratégias de estudo podem fazer a diferença e contribuir para um bom desempenho na avaliação.
A memória é a capacidade de armazenar informações que podem ser recuperadas e utilizadas posteriormente. Já a aprendizagem é o processo de aquisição das informações que serão armazenadas. Após a aprendizagem, ocorre a retenção, que pode ser de curto ou longo prazo. O armazenamento de curto prazo pode ser transformado em longo prazo pelo processo de consolidação da memória, conforme explica Aline Marques, neurologista e professora do curso de Medicina da Uniderp.
“Podemos dividir a memória em implícita, explícita e operacional. A primeira refere-se aos hábitos, procedimentos e regras, que não precisam ser descritas com palavras para serem evocadas. A memória explícita é descrita por palavras ou outros símbolos, e consiste em um subtipo chamado episódico (memória dos fatos que ocorrem ao longo do tempo) e um subtipo chamado semântico (memória dos conceitos atemporais). A memória operacional é utilizada rapidamente no raciocínio e no planejamento,” detalha a médica.
Os mecanismos neurais da memória ainda não são completamente conhecidos. As informações transitórias e duradouras são armazenadas em diversas áreas do cérebro, de acordo com sua função. Dessas regiões, elas podem ser mobilizadas como memória operacional pelas áreas pré-frontais do cérebro. Além disso, as memórias explícitas podem ser consolidadas pelo hipocampo e pelas estruturas do lobo temporal.
Compreender o conteúdo facilita a memorização
Parece complexo, mas há uma série de medidas de estilo de vida que devem ser levadas em conta quando se pensa em melhorar a saúde cognitiva.
“Para memorizar o conteúdo de forma eficaz para processos avaliativos, é importante saber que aquilo que é bem entendido é mais facilmente fixado na memória. Assim, o estudante deve procurar entender o que está estudando e não simplesmente decorar, quando possível. O melhor exercício para treinar a memória continua sendo fazer muita leitura e interpretação do texto lido, para qualquer disciplina,” aponta Aline Marques.
A neurologista explica que jogos como tetris, palavras cruzadas, aplicativos de treinamento de memória e recordação de palavras podem ajudar. A atividade física aumenta a secreção de proteínas neuroprotetoras e melhora o desenvolvimento das sinapses cerebrais.

Hábitos que favorecem a saúde cognitiva
O estudante deve estar atento de que, para o cérebro manter boa saúde e para os processos cerebrais ocorrerem de maneira fisiológica e eficaz, ele deve ter boas noites de descanso, com pelo menos 7 a 9 horas de sono, praticar atividade física ao menos três vezes por semana, tomar bastante água e manter uma alimentação saudável, rica em vegetais. Mudanças simples nos hábitos diários constituem o primeiro passo para trabalhar a memória e torná-la mais eficaz.
Outra prática que pode ser benéfica é a meditação, que reduz o estresse, controla a pressão arterial e melhora a memória de curto prazo e visuoespacial.
Fatores e hábitos que podem encurtar a memória
Assim como para manter a saúde física, o uso de bebidas alcoólicas, cigarro e quaisquer espécies de drogas ilícitas são prejudiciais à saúde mental, pois atrapalham a integridade dos processos consolidativos da memória.
Outra dica é evitar uma rotina desregrada, com variações muito grandes nos horários de refeições e de sono. O excesso de doces e a obesidade contribuem para um estado pró-inflamatório do organismo que interfere nos processos de consolidação da memória.
Como ativar a memória de longo prazo?
Os segredos para melhorar a retenção das informações a longo prazo são:
- Repetição: quanto mais repetimos um mesmo conteúdo, uma mesma leitura ou uma forma de resolução de problemas matemáticos, mais fácil será lembrá-los no futuro;
- Conteúdos em diferentes formatos: estudar um mesmo conteúdo por meio de diversos formatos, como escrito, visual (videoaula) e auditivo (áudio), aumenta as chances de consolidação e retenção;
- Comparação: relacionar ou comparar novas informações com fatos ou conteúdos já bem fixados e aprendidos;
- Associações emocionais: fazer ligações do material com valor emocional promove o pareamento entre memórias semânticas (fatos) e memórias episódicas (experiências pessoais), melhorando a retenção a longo prazo.
Por Camila Crepaldi
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