Conhecimento
Como funciona uma creche bilíngue? Entenda o que as crianças aprendem e veja opções de escolas em Rio e SP
Especialistas afirmam que os pequenos possuem mais facilidade para aprender uma nova língua
Antes mesmo de saber falar português, crianças que frequentam creches bilíngues já começam a aprender outro idioma. Em algumas instituições, toda a comunicação com bebês de um a três anos é feita em inglês. Esse é um momento em que, de acordo com educadores, o aprendizado de uma segunda língua é facilitado pelo cérebro ainda em formação dos pequenos.
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Nas turmas de 1 a 3 anos, 100% do dia é conduzido em inglês. Elas têm contato com diversos modelos de falantes da língua e vivenciam o inglês em situações reais do cotidiano, o que faz com que a aprendizagem aconteça de forma natural, lúdica e não forçada, muito parecida com o processo de aquisição da língua materna. A partir dos 4 anos, o português passa a ser incorporado progressivamente, podendo chegar a uma divisão de até 50% inglês e 50% português — explica Gabriela Pinsdorf, especialista acadêmica na Maple Bear Brasil que possui educação bilíngue.
No GLOBO — uma ferramenta que reúne cerca de 300 escolas de educação infantil nas cidades do Rio e de São Paulo com informações como mensalidades, horários, localização, infraestrutura e metodologia de ensino — os usuários podem conhecer diversas opções de escolas que possuem esse serviço. Entre elas, estão a Maple Bear, no Rio, e a Red House International School, em São Paulo (veja mais opções abaixo).
Crianças aprendem línguas e linguagens desde que nascem, e é justamente por serem tão novas que estão especialmente abertas a esse aprendizado. Existe, nessa fase, uma verdadeira "janela de oportunidade" para a aquisição de línguas, período em que o cérebro está mais sensível e receptivo a sons, estruturas e significados novos — diz Pinsdorf.
Segundo Marcello Marcelino, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e cofundador da Red House, nos primeiros anos, grande parte do desenvolvimento da segunda língua acontece por meio de interação, brincadeiras, histórias, rotinas e experiências concretas.
A compreensão costuma se desenvolver antes da produção, e cada criança pode começar a usar a segunda língua em momentos diferentes, isso é considerado absolutamente esperado. Uma boa escola não deve interpretar silêncio inicial, respostas em português ou alternância entre as línguas como ausência de aprendizagem.
Para Marcelino, não é o percentual fixo de horas para cada idioma que determina o sucesso, e sim a função que a língua exerce no ambiente escolar.
O inglês deve estar presente nos momentos de brincar, investigar, ouvir e contar histórias, resolver problemas, ser alfabetizado e interagir com professores e colegas. Não fica restrito a uma 'aula de inglês' isolada. É natural que, principalmente nessa faixa etária, a criança transite entre o português e o inglês ao longo do dia; isso faz parte do processo de aquisição da língua, não é um sinal de que algo não está funcionando. É comum que a compreensão se desenvolva antes da fala, e cada criança tem seu próprio ritmo para começar a produzir na segunda língua.
Creche e pré-escola formam, juntas, a educação infantil. A primeira atende crianças de 0 a 3 anos, e a matrícula nessa etapa é uma decisão da família. Já a pré-escola, destinada aos pequenos de 4 e 5 anos, é obrigatória por lei.
Alfabetização bilíngue, câmeras ao vivo, espaço externo:
Veja opções de escolas bilíngues:
- Maple Bear (Rio de Janeiro e São Paulo)
- Studio da Criança (Rio de Janeiro)
- Red House International School (São Paulo)
- Escola Pedra da Gávea (Rio de Janeiro)
- Espaço Jean Piaget (São Paulo)
Quer ver mais opções?
Conheça o Guia das Escolas
Com a ferramenta do GLOBO, ainda é possível saber, por exemplo:
- Se a creche ou pré-escola é bilíngue
- Se oferece tempo integral ou é apenas parcial
- A média de alunos por turma e de estudantes para cada professor em sala de aula
- Se os pais podem acessar as câmeras de segurança ao vivo
- Instituições que vetam qualquer tempo de tela para as crianças
- Creches e pré-escolas que dão início ao processo de alfabetização
- Quais têm ensino religioso ou são laicas
- Quais oferecem serviços como banho nos bebês
- A infraestrutura das escolas também está disponível. Ele informa aquelas que oferecem parque infantil, sala de repouso, banheiro adaptado para crianças, sala de leitura infantil, hortinha, área verde, pátio, quadra, piscina e viveiros de animais. Também mostra o percentual de salas com ar-condicionado e adaptadas para pessoas com deficiência.
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Entre esses dados estão uma breve descrição da instituição, informações de contato, idade mínima, se é parcial ou integral, número de professores por turma e número de alunos por professor, entre outras. Há ainda os dados sobre método de ensino, alimentação e rotina. As informações foram reunidas pelo GLOBO por meio de um questionário de 12 perguntas enviado para as escolas. Veja abaixo as perguntas:
- Os pais podem acessar imagens de câmeras em tempo real?
- Na educação infantil, a escola já começa o processo de alfabetização na sua escola?
- A educação infantil na sua escola dá banho nas crianças?
- Alimentação: na educação infantil, a sua escola produz a comida das crianças ou pede para a família mandar de casa?
- Há veto de ultraprocessados?
- Há móveis com autonomia de escalada?
- Qual o tipo de pedagogia utilizada na educação infantil?
- Crianças na educação infantil têm algum tempo de tela (TV, celular, computador ou outro)?
- A escola na educação infantil realiza passeios externos?
- Há rotina de contação de histórias na educação infantil?
- Há rotina de contato com a natureza das crianças na educação infantil?
- A escola está ligada a alguma religião?
Como o guia foi feito
Durante três meses, O GLOBO procurou escolas com creche e pré-escola das cidades do Rio e São Paulo. O primeiro critério de seleção foi buscar instituições que tivessem pelo menos 30 alunos e uma média de até 12 crianças por professor.
Essa faixa foi escolhida por conta de uma resolução de 2024 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que determina que o número de crianças por professor "deve possibilitar atenção, responsabilidade e interação com as crianças e suas famílias". Para isso, a regra estabelece os seguintes critérios:
- Para bebês de 0 a 12 meses: 5 bebês por educador(a);
- Para bebês de 1 a 2 anos: 8 bebês por educador(a);
- Para bebês de 2 a 3 anos: 12 bebês por educador(a);
- Para crianças de 3 a 48 meses: 18 crianças por educador(a); e
- Para crianças de 4 e 5 anos: 20 crianças por educador(a).
Se você está em busca da primeira escola para o seu filho.
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