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Aprendizagem no Rio cai para a menor do país, mas estudantes são mais aprovados e Ideb aumenta

Ministério da Educação divulgou resultado nesta quarta-feira e mostra que estado fluminense está entre os piores do país

Agência O Globo - 05/08/2026
Aprendizagem no Rio cai para a menor do país, mas estudantes são mais aprovados e Ideb aumenta
- Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A rede estadual do Rio de Janeiro registrou, em 2025, a menor taxa de aprendizagem no ensino médio do país, de acordo com os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) divulgados nesta quarta-feira. Ainda assim, o estado teve um aumento na nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) , uma vez que as regras de aprovação foram flexibilizadas.

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Apesar do crescimento no Ideb, o Rio continua com a segunda nota menor do país no ensino médio (3,7), empatado com Roraima, Amapá e Amazonas. Os quatro estados estão apenas à frente do Distrito Federal (3,6). A lista é vencida por Paraná (5,1), Piauí (4,9), Goiás (4,9) e Espírito Santo (4,9).

Criado em 2007, o Ideb é atualmente o principal indicador de evolução da educação brasileira. Ele considera dois fatores: a aprendizagem, por meio da nota do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb); e a quantidade de alunos aprovados.

Em 2023, o Rio havia ocupado a penúltima posição entre as redes estaduais do ensino médio. Dois anos depois, foi feito que os alunos pudessem reprovar em até seis disciplinas e ainda assim passar de ano. Com isso, a taxa de aprovação melhorou significativamente : passou de 80% para 91% entre 2023 e 2025, resultando em um crescimento de 0,4 pontos no Ideb.

No entanto, a aprendizagem dos alunos da rede estadual do Rio caiu em 2025 pela terceira vez seguida, atingindo o menor patamar dos últimos 16 anos, com 4,04 de nota média padronizada (uma combinação do resultado da avaliação de Português e Matemática aplicada pelo MEC em 2025). Esse resultado é igual ao da Bahia, que está em trajetória de recuperação.

Evolução nacional

O Brasil avançou no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em todas as etapas do ensino avaliados, embora ainda não tenha atingido as metas previstas para 2021 em duas delas. No ensino médio, o país não conseguiu alcançar nem o que estava previsto para 2017.

Os dados divulgados nesta quarta-feira evidenciam que a única meta superada foi a dos anos iniciais do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano). Em 2025, o país atingiu a nota 6,3 nesta etapa , superando a meta de 6 alcançada há dois anos.

Veja os dados - anos iniciais

Brasil: 6,3 (2025) - 6 (2023) - 6 (meta de 2021)

Rede pública: 6,1 (2025) - 5,7 (2023) - 5,8 (meta de 2021)

Rede privada: 7,2 (2025) - 7,1 (2023) - 7,5 (meta de 2021)

Nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano), o país obteve uma nota 5,3, enquanto a meta de 2021 era 5,5. Já o ensino médio é a etapa mais distante da meta: o Brasil alcançou, em 2025, 4,5, quando deveria ter chegado a 5,2 em 2021, nem atendendo às metas previstas para 2019 (5) ou 2017 (4,7).

Veja os dados - anos finais

Brasil: 5,3 (2025) - 5 (2023) - 5,5 (meta de 2021)

Rede pública: 5 (2025) - 4,7 (2023) - 5,2 (meta de 2021)

Rede privada: 6,4 (2025) - 6,3 (2023) - 7,3 (meta de 2021)

Veja os dados - ensino médio

Brasil: 4,5 (2025) - 4,3 (2023) - 5,2 (meta de 2021)

Rede pública: 4,3 (2025) - 4,1 (2023) - 4,9 (meta de 2021)

Rede privada: 5,8 (2025) - 5,6 (2023) - 7 (meta de 2021)

O novo PNE, sancionado neste ano, alterou o formato das metas e não foi desenvolvido mais o Ideb como referência — agora, uma qualidade será avaliada pela quantidade de alunos que alcançam os níveis básicos e adequados de aprendizagem. Por consequência, não há mais metas do Ideb a partir de 2021.

Ademais, desde o ano passado, o Ideb passa por uma reformulação. Ao GLOBO, o presidente do Inep, Manuel Palácios, afirmou que a prova para medir os conhecimentos dos alunos deverá, por exemplo, incorporar questões dissertativas — atualmente são apenas de múltipla escolha. Além disso, a fórmula do cálculo também será alterada, embora ainda não haja definição de novo formato.

Aprendizagem

Junto com o Ideb, o Inep também divulgou os resultados dos alunos brasileiros no Saeb, a principal avaliação da aprendizagem no país. Os dados indicam que, em 2025, o desempenho melhorou em comparação com a última edição, em 2023, em Português e Matemática em todas as três etapas.

Em Matemática, os resultados voltaram a se igualar aos de 2019, a última aferição antes da queda provocada pela pandemia de Covid-19. Já em Português, os patamares tiveram leve crescimento. A escala de pontos vai de 0 a 500.

Veja os dados do Brasil:

Português - anos iniciais: 219,3 (2025) - 213,9 (2023) - 214,6 (2019)

Português - anos finais: 262,2 (2025) - 258,8 (2023) - 260,1 (2019)

Português - ensino médio: 279,0 (2025) - 275,7 (2023) - 278,4 (2019)

Matemática - anos iniciais: 232,3 (2025) - 224,8 (2023) - 227,9 (2019)

Matemática - anos finais: 262,7 (2025) - 257,1 (2023) - 263,0 (2019)

Matemática - ensino médio: 276,5 (2025) - 271,9 (2023) - 277,3 (2019)

Veja os dados da rede pública:

Português - anos iniciais: 215,1 (2025) - 207,6 (2023) - 209,1 (2019)

Português - anos finais: 256,6 (2025) - 252,9 (2023) - 253,8 (2019)

Português - ensino médio: 272,3 (2025) - 269,1 (2023) - 271,3 (2019)

Matemática - anos iniciais: 227,4 (2025) - 218,3 (2023) - 222,4 (2019)

Matemática - anos finais: 255,3 (2025) - 249,9 (2023) - 255,5 (2019)

Matemática - ensino médio: 268,0 (2025) - 263,9 (2023) - 268,1 (2019)

Um

Além da aprendizagem, o Brasil também avançou na taxa de aprovação, que é a proporção de alunos que não evadem e passam de ano. Nos anos iniciais, esse patamar chegou a 98,3% e, nos finais, a 96,2%. No ensino médio, o crescimento foi ainda mais expressivo: de 91,3% para 94,8%.

No entanto, diversos estados flexibilizaram, nos últimos anos, as regras para aprovação, adotando ou ampliando programas de progressão parcial, estratégia pedagógica conhecida anteriormente como "dependência", em que os estudantes podem ser reprovados em algumas disciplinas e mesmo assim passar de ano.

O Pará foi o pioneiro ao aumentar para cinco o número de disciplinas que um aluno poderia reprovar e ainda assim passar de ano, diminuindo a taxa de repetência de 11% em 2022 para 0,7% em 2023. Essa mudança gerou um salto no Ideb, levando o estado da penúltima para a sexta colocação no ranking dos estados. Depois disso, outros estados, como o Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Paraíba, seguiram a mesma estratégia, permitindo que os alunos reprovem até seis disciplinas sem perder o ano.

Sul se destaca

O Paraná se destaca, mantendo a nota maior no Ideb entre as redes públicas nas três etapas de ensino avaliadas. Os anos iniciais do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano) registaram nota 6,9; os anos finais (do 6º ao 9º ano), 5,8; e o ensino médio, 5,1. É importante ressaltar que o estado não adota flexibilização das regras de aprovação e liderança dos índices de aprendizagem em todos os ciclos de ensino.

Outras redes estaduais que se destacam em 2025 no ensino médio, a etapa escolar mais desafiadora, incluem o Rio Grande do Sul e o Piauí, ambos com aumentos significativos nas notas do Ideb devido ao desempenho aprimorado na aprendizagem. O Rio Grande do Sul saltou do 15º para o 5º lugar, enquanto o Piauí avançou do 7º para o 2º lugar. Veja os rankings abaixo:

Ideb anos iniciais - rede pública

Paraná: 6,9

Ceará: 6,8

Santa Catarina: 6,5

São Paulo: 6,5

Goiás: 6,4

Espírito Santo: 6,4

Minas Gerais: 6,4

Alagoas: 6,3

Acre: 6,2

Mato Grosso: 6,1

Rio Grande do Sul: 6,1

Piauí: 6,1

Rondônia: 6,0

Distrito Federal: 6,0

Paraíba: 5,9

Amazonas: 5,9

Pernambuco: 5,8

Rio de Janeiro: 5,8

Tocantins: 5,8

Mato Grosso do Sul: 5,7

Roraima: 5,7

Maranhão: 5,5

Pará: 5,5

Sergipe: 5,4

Bahia: 5,4

Amapá: 5,4

Rio Grande do Norte: 5,2

Ideb anos finais - rede pública

Paraná: 5,8

Goiás: 5,6

Ceará: 5,6

Minas Gerais: 5,3

Rio Grande do Sul: 5,2

Santa Catarina: 5,2

Piauí: 5,2

São Paulo: 5,2

Espírito Santo: 5,2

Alagoas: 5,1

Mato Grosso: 4,9

Pernambuco: 4,9

Amazonas: 4,8

Mato Grosso do Sul: 4,8

Acre: 4,8

Rio de Janeiro: 4,7

Rondônia: 4,7

Paraíba: 4,7

Tocantins: 4,7

Pará: 4,7

Distrito Federal: 4,7

Maranhão: 4,5

Sergipe: 4,4

Amapá: 4,4

Bahia: 4,2

Rio Grande do Norte: 4,2

Roraima: 4,2

Ideb ensino médio - rede pública

Paraná: 5,1

Piauí: 4,9

Goiás: 4,9

Espírito Santo: 4,9

Rio Grande do Sul: 4,7

Pernambuco: 4,7

Ceará: 4,5

Minas Gerais: 4,5

Pará: 4,4

Santa Catarina: 4,3

Mato Grosso: 4,3

São Paulo: 4,3

Mato Grosso do Sul: 4,2

Alagoas: 4,2

Tocantins: 4,1

Paraíba: 4,1

Sergipe: 4,1

Rondônia: 4,0

Acre: 4,0

Rio Grande do Norte: 3,9

Bahia: 3,8

Maranhão: 3,8

Rio de Janeiro: 3,7

Amapá: 3,7

Roraima: 3,7

Amazonas: 3,7

Distrito Federal: 3,6

No ensino médio, o MEC também divulgou uma segunda tabela com as notas das redes estaduais, incluindo escolas com educação profissional ou técnica integrada. Esse projeto existe desde 2017 e é uma demanda de estados que possuem uma rede forte de escolas nesse perfil, como São Paulo, Ceará e Pernambuco.

Ideb ensino médio - rede pública com escolas técnicas

Paraná: 5.1

Goiás: 5

Espírito Santo: 4,9

Piauí: 4,9

Pernambuco: 4,8

Ceará: 4,7

Rio Grande do Sul: 4,7

Minas Gerais: 4,5

São Paulo: 4,5

Pará: 4,4

Mato Grosso: 4,3

Santa Catarina: 4,3

Alagoas: 4,2

Mato Grosso do Sul: 4,2

Paraíba: 4,2

Sergipe: 4.1

Tocantins: 4.1

Acre: 4

Rio Grande do Norte: 4

Rondônia: 4

Bahia: 3,8

Maranhão: 3,8

Amapá: 3,7

Amazonas: 3,7

Rio de Janeiro: 3,7

Roraima: 3,7

Distrito Federal: 3,6