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Segurança e privacidade se tornam os principais motivos para pais não darem celulares aos filhos, segundo IBGE

Preocupação lidera os motivos apontados por responsáveis e cresce 7,8 pontos percentuais em um ano; também é registrada a primeira queda na posse de celulares entre crianças de 10 a 13 anos

Agência O Globo - 02/07/2026
Segurança e privacidade se tornam os principais motivos para pais não darem celulares aos filhos, segundo IBGE
IBGE - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A preocupação com a segurança e a privacidade das crianças passou a ser o principal motivo apontado por pais e responsáveis para não dar um telefone celular aos filhos de 10 a 13 anos. O dado foi divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), e mostra uma mudança significativa em relação aos anos anteriores. Em 2025, 32% dos responsáveis citaram esse motivo, registrando um aumento expressivo de 7,8 pontos percentuais em relação a 2024.

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O avanço ocorre após um período em que o debate sobre a exposição de crianças e adolescentes na internet ganhou força no Brasil. Em agosto do ano passado, o ECA Digital foi aprovado pelo congresso e passou a valer em março deste ano. O tema já havia repercutido amplamente em 2025 após o influenciador Felca publicar um vídeo alertando para riscos enfrentados por menores nas redes sociais. Ao longo dos meses seguintes, investigações sobre exploração de crianças em ambientes digitais e outros casos envolvendo a segurança de menores também ganharam espaço na mídia, ampliando a discussão sobre o uso precoce de celulares.

A pesquisa do IBGE mostra que essa preocupação praticamente dobrou desde 2022. Naquele ano, o principal motivo alegado pelos pais para não dar um celular aos filhos era o preço elevado do aparelho. Em seguida, apareciam a falta de necessidade e o fato de a criança utilizar o telefone de outra pessoa. A segurança e a privacidade ocupavam apenas a quarta posição entre as justificativas.

Segundo a educadora e especialista em neuroeducação e desenvolvimento infantil Priscilla Montes, a falta de privacidade que o mundo digital traz para as crianças pode também ter impacto na saúde mental e até no desempenho escolar.

— O cérebro infantil ainda está em pleno desenvolvimento, especialmente nas áreas relacionadas ao controle dos impulsos, ao pensamento crítico e à regulação das emoções. A exposição precoce às redes sociais pode aumentar os níveis de ansiedade, afetar a autoestima, gerar comparação constante, estimular a busca por validação através de curtidas e favorecer o contato com situações de violência, assédio e cyberbullying. Além disso, experiências negativas no ambiente digital podem comprometer o desenvolvimento emocional, a sensação de segurança e a construção da identidade. Quando a criança se sente exposta ou ameaçada, isso pode impactar sua confiança, suas relações sociais e até seu desempenho escolar — destaca.

Primeira queda no número de crianças com smartphones

O levantamento também registrou, pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2016, uma queda na proporção de crianças de 10 a 13 anos que possuem celular, ainda que pequena. Em 2025, 55,2% dos brasileiros dessa faixa etária tinham aparelho próprio, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior. Já entre adolescentes de 14 a 19 anos, a pesquisa também identificou uma estabilidade no número de usuários de smartphones.

Segundo o analista do IBGE Gustavo Fontes, essa foi a única faixa etária a apresentar recuo na posse de celulares. Nas demais idades, o crescimento continuou, fazendo com que o percentual de brasileiros com telefone celular chegasse a 89,8%.

— A gente tem visto cada vez mais uma preocupação com a segurança das crianças, com a exposição delas nas redes sociais, por exemplo. A gente teve também em 2025 uma restrição ao uso de celulares nas escolas — afirmou Fontes em entrevista à Agência Brasil.

Outro indicador reforça essa tendência. O acesso à internet entre crianças de 10 a 13 anos, independentemente do dispositivo utilizado, caiu de 84,9% para 84,4%, sendo novamente a única faixa etária a registrar redução. Entre aqueles que permanecem desconectados, a principal justificativa é a falta de necessidade, mas a preocupação com privacidade e segurança já aparece em segundo lugar.

(Com Agência Brasil)