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Aprovação explode em estados que criaram regras para aluno passar de ano mesmo reprovado em até seis disciplinas

Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Paraíba, por exemplo, permitiram em 2025 que estudantes passassem de ano mesmo com nota final vermelha em até seis disciplinas; mudança aumenta o Ideb

Agência O Globo - 26/06/2026
Aprovação explode em estados que criaram regras para aluno passar de ano mesmo reprovado em até seis disciplinas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A taxa de aprovação nas escolas estaduais explodiu em 2025 onde os secretários de Educação criaram regras para os alunos passarem de ano mesmo que sejam reprovados em até seis disciplinas. Isso se deu, por exemplo, nos estados do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Com isso, a tendência é de que esses locais tenham aumentos consideráveis nas notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), resultado que deve ser revelado poucos meses antes das eleições deste ano.

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Essa estratégia pedagógica é chamada de “progressão parcial”, mas ficou conhecida no passado como "dependência", na qual os estudantes podem ser reprovados em algumas disciplinas e, mesmo assim, passar de ano. Nesse sistema, os alunos passam de ano, mas, paralelamente, precisam estudar as matérias do ano anterior em que foram aprovados, acumulando aulas. Os dados de aprovação, divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério da Educação, mostram que a taxa do país passou de 91,7%, em 2024, para 94,8%, em 2025, e que os dois casos em que o aumento da aprovação foi maior foram os das redes estaduais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, justamente estados que ocupam as duas últimas posições no Ideb.

O Rio de Janeiro, ainda sob administração do ex-governador Cláudio Castro (PL), aumentou a taxa de aprovação em 11 pontos percentuais no ensino médio — passando de 80,8% dos alunos aprovados em 2024 para 91,8% em 2025 — no ano em que liberou os alunos a serem reprovados até seis disciplinas e mesmo assim conseguirem passar de ano. Só com essa mudança, o Rio conseguirá mais 0,4 pontos no Ideb sem aumentar nenhum ponto de aprendizagem. Com isso, passaria de 3,3 para 3,7 — deixando a penúltima colocação entre os estados, mas, ainda assim, mantendo-se como um dos dez piores do país.

Antes da regra que facilita a aprovação, o Rio só conseguiu uma taxa acima de 81% de aprovação em 2020 e 2021, durante a crise sanitária de Covid-19. Naqueles anos, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomendou às redes de ensino aprovarem seus estudantes por conta da pandemia, que deixou as escolas seis meses fechadas e depois obrigou a um longo período de ensino remoto. Em 2020, 90% dos alunos passaram de ano na rede estadual do Rio. Em 2021, 92%, único ano que superou 2025.

Os estados do Rio Grande do Norte, governado por Fátima Bezerra (PT), e da Paraíba, que em 2025 estava sob administração de João Azevêdo (PSB), se beneficiaram ao facilitarem a aprovação de seus alunos do ensino médio. Eles também liberaram que os estudantes possam ser reprovados em seis disciplinas e ainda assim progredirem. Com isso, o primeiro conseguiu aumentar em 15 pontos percentuais a taxa de aprovação — passando de 77% para 93%. O segundo, teve um pulo de 9,9 pontos percentuais, de 83,2 para 93,1%.

Minas Gerais e Rio Grande do Sul também deram um salto relevante na taxa de aprovação, de 8,5 e 8 pontos percentuais, respectivamente. O estado de Romeu Zema (Novo) definiu em 2024 que os alunos poderiam ser reprovados em até três disciplinas para passarem de ano. Já o de Eduardo Leite (PSD), em quatro, limitadas a duas por área de conhecimento.

Estratégia

O estado do Pará foi o primeiro a adotar a progressão parcial com até cinco disciplinas, em 2023. Com isso, conseguiu aumentar a taxa de aprovação de 76,4%, em 2022, para 99%, em 2023 e, assim, a rede deixou a penúltima colocação no ranking dos estados para subir à sexta. Já o salto de aprendizagem do estado, a outra variável do Ideb, foi bem mais modesta. Entre 2021 e 2023, passou de 5,41 para 5,69 na nota média padronizada, que inclui avaliações de Português e Matemática. Depois disso, outros estados começaram a ampliar a quantidade de matérias em que um estudante poderia ser reprovado e, ao mesmo tempo, passar de ano.

Estudos apontam que repetência muito alta é uma prática educacional comprovadamente ineficiente, que leva ao abandono. Sistemas de alto desempenho no mundo, por exemplo, retêm alunos apenas em casos excepcionais. No entanto, especialistas defendem que levar muitas matérias para o ano seguinte dificulta que o conteúdo seja recuperado de fato. De acordo com eles, a estratégia, sem a estrutura adequada, pode comprometer o aprendizado e gerar resultados artificiais nos índices educacionais.

Além disso, a maior parte dos estados brasileiros ainda tem um ensino médio majoritariamente de tempo parcial, com jornadas de apenas cinco horas diárias e uma grade curricular extensa — o que leva a uma falta de tempo para a escola trabalhar outras seis disciplinas do ano anterior.