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Enem 2025: por que algumas escolas aparecem mais de uma vez no ranking de notas?

Especialistas apontam que a concentração de alunos em determinadas unidades pode influenciar o desempenho exibido nos rankings

Agência O Globo - 23/06/2026
Enem 2025: por que algumas escolas aparecem mais de uma vez no ranking de notas?
Enem - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Os microdados do Enem 2025 , divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta segunda-feira (22), revelaram as escolas com melhor desempenho no exame em todo o país. Como os rankings costumam ser usados ​​por muitas famílias como um dos critérios para a escolha da escola dos filhos, a divulgação dos resultados reacende uma discussão importante: por que algumas instituições aparecem mais de uma vez entre as melhores colocadas?

A nota de cada escola corresponde à média obtida pelos alunos que participaram do exame, considerando a redação e as quatro provas objetivas: Matemática, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Estudantes ausentes não entram no projeto, e escolas com menos de dez participantes não têm os resultados divulgados pelo MEC.

Especialistas apontam que a seleção de instituições nos rankings pode ocorrer por diferentes motivos. Em alguns casos, grupos educacionais mantêm unidades distintas com propostas pedagógicas semelhantes. Em outros, porém, os próprios dados levantam questionamentos sobre possíveis estratégias adotadas para melhorar o posicionamento nas listas de desempenho.

No levantamento nacional, predominam as instituições privadas. Das 50 escolas com as maiores médias do país no Enem 2025, 48 pertencem à rede particular e apenas duas são públicas — ambas vinculadas às universidades federais. A lista é organizada pelos colégios do Sudeste e do Nordeste e reúne diversas redes que aparecem mais de uma vez entre as melhores colocadas.

Ao mesmo tempo, os dados mostram que parte dessas escolas registrou redução expressiva no número de alunos entre o 2º ano do ensino médio, em 2024, e o 3º ano, em 2025. Para especialistas, essa diferença pode indicar estratégias de concentração de estudantes com melhor desempenho em determinadas unidades.

Na análise das 50 maiores médias do estado do Rio de Janeiro, por exemplo, que reúne unidades localizadas no Centro da capital, em Niterói, Petrópolis, Nova Friburgo, Macaé e Três Rios, entre outras cidades, é possível observar que algumas redes educacionais aparecem repetidas vezes no ranking.

Algumas escolas privadas apresentaram, em 2024, um número de matrículas no 2º ano do ensino significativamente maior do que o registrado no 3º ano em 2025. A diferença sugere que parte dos estudantes pode ter sido exclusiva para outras unidades ou registradas em CNPJs diferentes, enquanto um grupo menor, formado por alunos de melhor desempenho, permanece vinculado à escola que aparece no ranking.

Em artigo publicado no jornal O Globo, o colunista Antônio Gois chamou atenção para esse interesse. Segundo ele, “redes que possuem mais de uma unidade por vezes concentram os melhores alunos num único estabelecimento, garantindo que o nome aplique no topo de rankings, mesmo que, no conjunto de todos os alunos de todas as suas unidades, o desempenho não seja tão extraordinário”.

Por isso, especialistas em educação recomendam que as famílias analisem os rankings com cautela. Embora as notas do Enem sejam um indicador relevante da preparação acadêmica dos estudantes, elas não refletem, necessariamente, a realidade de todos os alunos de uma rede de ensino nem aspectos como ambiente escolar, projeto pedagógico, atividades extracurriculares e desenvolvimento socioemocional.