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Brasileiro estuda mais, mas país ainda tem mais adultos sem fundamental do que com graduação

Pnad Educação, do IBGE, mostra avanço na escolaridade e aponta que, pela primeira vez, mais da metade dos pretos ou pardos com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio

Agência O Globo - 19/06/2026
Brasileiro estuda mais, mas país ainda tem mais adultos sem fundamental do que com graduação
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O tempo médio de estudo da população brasileira com 25 anos ou mais aumentou, mas o país ainda tem mais adultos sem o ensino fundamental completo do que pessoas com diploma de graduação. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) Educação 2025, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, em 2025, o brasileiro com 25 anos ou mais havia estudado, em média, 10,2 anos, considerando a trajetória da educação básica ao ensino superior. Em 2016, esse indicador era de 9,1 anos.

Os dados também revelam desigualdades por sexo, cor ou raça e região. As mulheres registraram média de 10,4 anos de estudo, acima dos homens, com 10 anos. Entre pessoas brancas, a média foi de 11,1 anos, enquanto pretos ou pardos chegaram a 9,5 anos. No recorte regional, o Nordeste apresentou a menor média, com 9 anos, enquanto o Sudeste alcançou 10,9 anos.

Apesar do avanço, a pesquisa aponta que 25,6% dos brasileiros com 25 anos ou mais haviam interrompido os estudos antes de concluir o ensino fundamental, enquanto 21,4% tinham concluído o ensino superior. A diferença, no entanto, já foi maior: em 2016, esses grupos representavam, respectivamente, 33,3% e 15,4%.

A proporção de brasileiros que concluiu ao menos a educação básica subiu de 46% para 57,4% entre 2016 e 2025. Pela primeira vez, segundo o IBGE, mais da metade dos pretos ou pardos com 25 anos ou mais, 51,3%, concluiu essa etapa. Em 2016, o percentual era de 38,1%. Entre os brancos, o índice passou de 54,5% para 64,9% no mesmo período.

Veja os destaques do IBGE

O país tinha 8,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais em 2025, o equivalente a uma taxa de analfabetismo de 4,9%. Foi a primeira vez, desde 2016, que o indicador ficou abaixo de 5%.

Mais da metade dos analfabetos, cerca de 4,8 milhões de pessoas, estava no Nordeste, onde a taxa chegou a 10,6%.

A população com 60 anos ou mais representava 58% do total de analfabetos em 2025. Eram 4,9 milhões de idosos que não sabiam ler e escrever um bilhete simples.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo das mulheres, de 13,7%, ficou abaixo da dos homens, de 14,1%, pela primeira vez. Já a taxa entre pretos ou pardos, de 20,6%, era quase três vezes superior à registrada entre brancos, de 7,3%, nesse grupo etário.

Desconsiderando a população idosa, a taxa de analfabetismo caiu para 2,6% entre pessoas de 15 a 59 anos.

Pela primeira vez, mais da metade dos pretos ou pardos com 25 anos ou mais, 51,3%, tinha o ensino médio completo.

No Norte, 35,2% dos bebês de 0 a 1 ano e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos estavam fora da creche por falta de escola ou creche na localidade, falta de vaga ou não aceitação da matrícula em razão da idade. No Nordeste, os percentuais foram de 36,1% e 37,2%, respectivamente.

A proporção de crianças de 6 a 14 anos na etapa ideal, o ensino fundamental, atingiu a meta de 96,1% do Plano Nacional de Educação (PNE), mas ainda não retornou aos níveis anteriores à pandemia.

Entre jovens de 15 a 17 anos, homens, com 77,4%, e pessoas pretas ou pardas, com 77,8%, apresentaram menor frequência no ensino médio do que mulheres, com 84%, e pessoas brancas, com 84,9%.

A proporção de jovens brancos de 18 a 24 anos com nível superior e que não frequentavam instituição de ensino, de 6,2%, era mais que o dobro da registrada entre pretos ou pardos, de 3%.

Os maiores percentuais de abandono escolar ocorreram a partir dos 16 anos: 18,5% deixaram a escola nessa idade, 20% aos 17 anos e 17,6% aos 18 anos.

Um em cada quatro jovens de 14 a 29 anos, 25,6%, informou não ter interesse em estudar.

Entre mulheres de 14 a 29 anos, trabalho, com 26,2%, e gravidez, com 24,7%, foram os principais motivos para o abandono dos estudos.

O Brasil tinha 46,6 milhões de jovens de 15 a 29 anos em 2025. Desse total, 17,5% não estavam trabalhando, não estudavam no ensino regular e não frequentavam curso de qualificação profissional. A proporção caiu 4,9 pontos percentuais em relação a 2019, quando era de 22,4%.

Na comparação com 2024, quando 18,2% dos jovens estavam nessa condição, houve redução de 0,7 ponto percentual.

O número de jovens que não estavam ocupados, não estudavam e não se qualificavam caiu de 11 milhões, em 2019, para 8,2 milhões, em 2025, uma redução de 25,9%. Em relação a 2024, quando havia 8,6 milhões de jovens nessa situação, a queda foi de 4,8%.

Entre as mulheres jovens, 22,8% não estavam ocupadas, nem estudando ou se qualificando. Entre os homens, o percentual foi quase a metade: 12,4%.

O percentual de jovens pretos ou pardos que não estudavam, não estavam ocupados nem se qualificavam foi de 19,8%, índice 5,8 pontos percentuais acima do registrado entre jovens brancos, de 14%.

Em 2025, cerca de 14,2% da população com 14 anos ou mais, o equivalente a 24,8 milhões de pessoas, frequentou algum curso de qualificação profissional.