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Censo Escolar 2025: Brasil avança em ensino integral e profissional, mas matrículas em creches patinam

EJA atingiu menor patamar desde 1996; Ministério da Educação divulga resultado da pesquisa que faz um retrato anual da educação brasileira

Agência O Globo - 26/02/2026
Censo Escolar 2025: Brasil avança em ensino integral e profissional, mas matrículas em creches patinam
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Censo Escolar 2025, divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação (MEC), mostrou que o Brasil atingiu o maior percentual de estudantes em tempo integral em todas as etapas da educação básica. O estudo também apontou avanço expressivo da educação profissional, embora a quantidade de crianças em creche pública tenha crescido pouco e a de matrículas na educação de jovens e adultos (EJA) tenha chegado ao menor patamar desde 1996.

Em 2025, o país registrou 923 mil novas matrículas em tempo integral — aquelas em que o aluno tem pelo menos sete horas de aulas por dia — na rede pública. A maior parte dessa evolução (605 mil) se deu no ensino fundamental e no ensino médio (130 mil). Essa é uma das principais estratégias defendidas por especialistas para alavancar a aprendizagem no país.

Os dados do Censo mostram que de 2021 ao ano passado o ensino integral passou de 56,2% a 61,7% em creches do país, enquanto no Ensino Fundamental foi de 11,3% a 23,7% e no Ensino Médio, de 16,7% a 26,8%. Em entrevista coletiva a jornalistas, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), destacou ser a primeira vez que o país atinge a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), de 25% dessa modalidade.

— Chegamos a 25,8 de ensino integral em 2025, com destaque para o Ensino Médio, que saiu de 16,7% a 26,8%, acima da média nacional. É um dado para comemorar. O novo PNE, que está para ser aprovado no Congresso Nacional, tem a meta de ampliar para 40%. O meu sonho é que fosse 100%, mas a nossa meta do PNE pela primeira vez foi alcançada — disse.

O Brasil também registrou um aumento expressivo no número de matrículas de educação profissional. Foram 611 mil alunos nesta modalidade a mais do que em relação ao ano anterior. No entanto, o Brasil está atrasado nesse quesito: o último PNE, criado em 2014, definia que a meta era de 4,8 milhões de alunos nessa modalidade em 2024.

Esse crescimento se deu na educação pública entre alunos de 15 a 17 anos — a faixa etária que envolve, principalmente, o ensino médio.

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Criada por brasileiros:

Outro dado que chamou a atenção foi a queda no número de alunos em todas as etapas: creche, pré-escola, ensino fundamental e médio. Só nesta última etapa, são 419 mil estudantes a menos do que no ano anterior. Aos jornalistas, Fábio Pereira Bravin, pesquisador da equipe da Diretoria de Estatísticas Educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), explicou que o fenômeno se explica pela queda da população na faixa etária educacional e a redução da retenção de alunos fora da faixa etária adequada, a chamada distorção-série — em outras palavras, a queda nos índices de repetência dos estudantes.

— A população-alvo da educação básica está reduzindo, isso tem impacto no número de matrículas, mas o atendimento na escolarização formal está aumentando. Dados do IBGE mostram isso. Isso não é um problema, há aumento da frequência na escola e os alunos estão repetindo menos. Quando você retém o aluno e não permite que ele avance, ele enche o sistema, o que aumenta as matrículas. Se você começa a reduzir a distorção idade-série, tem redução de matrículas. Tem a ver com melhora do fluxo escolar, com redução de alunos que estavam atrasados, especialmente no último ano do Ensino Médio, e com o aumento da eficiência no sistema que está levando esses alunos a concluir — disse.

Bravin apontou que outros fatores, como a certificação da conclusão da educação básica via nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), também contribuíram para a melhor desse fluxo, que, na avaliação dele, apontam para uma melhora no desempenho educacional do país.

No caso das creches, o pesquisdor e o ministro ponderaram a existência de desafios culturais à universalização, como a opção dos pais em não matricular as crianças.

Santana, por sua vez, ressaltou a cobrança prioritária do governo de retomada de obras antes paralisadas e de investimentos em creches no Novo PAC. O ministro afirmou também que o MEC espera detalhar, em breve, como está a fila para creches, dado que, segundo ele, vai revelar uma realidade mais concreta em relação às necessidades de ampliação de vagas.

O número geral de alunos em creche, que atende crianças de 0 a 3 anos, registrou uma pequena queda, de cinco mil matrículas. Considerando apenas a escola pública, o número aumentou, mas menos do que nos últimos anos. Foram pouco mais de 29 mil a mais ante o ano anterior, contra um salto de 48 mil de 2023 a 2024.

Esta é uma etapa escolar em que as redes públicas ainda não atendem toda a demanda de crianças. A proporção de crianças de 2 a 3 anos fora da creche por falta de vagas está no mesmo patamar há cinco anos. Desde 2019, ela gira em torno de 39%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação de 2024, divulgados em junho do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já a Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade para quem não completou a educação básica, voltou a perder alunos pelo oitavo ano seguido. Além disso, chegou ao seu menor patamar registrado — há registros desde 1996. Quase metade da população (49,2%) de mais de 25 anos não terminou o Ensino Médio — um contingente de 65 milhões de pessoas.

O ministro da Educação, Camilo Santana, reconheceu a necessidade de ampliar os esforços para estimular as pessoas a voltarem às salas de aula.

— A queda no EJA está sendo reduzida, principalmente no Ensino Fundamental, mas é um esforço que precisamos fazer um movimento maior com as redes, para estimular que municípios e estados matriculem, pelo desafio de a gente ter 66,2 milhões de brasileiros sem concluir a educação básica. É preciso estimular essas pessoas a voltarem para a sala de aula, criar mecanismos para atrair — disse.

Santana ressaltou, ainda, a queda gradativa da idade dos alunos inscritos na EJA e o desafio de manter esses estudantes mais jovens na escola regular. Isso, contra uma estratégia atual em alguns gestores de promover o ingresso dessas pessoas mais jovens que não vão bem na escola na EJA para impulsionar localmente o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).