Cidades
Diretora da Lucena Kids ataca petistas, compara eleitores a porcos e revolta pais em Maceió
Mensagens publicadas nas redes sociais dizem que ela não faz negócio com petistas e associam a direita a pessoas “do bem”; famílias temem que o preconceito alcance o ambiente escolar e anunciam que vão retirar os filhos
A indignação de pais de alunos da Creche Escola Lucena Kids, em Maceió, expõe uma contradição grave: enquanto a instituição se prepara para tratar de bullying com as crianças, mensagens atribuídas à diretora Edivânia Lucena Lima atacam pessoas por sua posição política e as associam a criminosos e a porcos.
Entre as frases publicadas em stories de seu perfil pessoal estão: “Eu não compro e nem faço negócio com petista” e “Faço amizade com a galera do bem, que é de direita e não fecha com bandidos”. Outra mensagem compara pessoas de esquerda a porcos. As publicações, que circularam após a vitória de Lula, provocaram reação de famílias de alunos e repercutiram na imprensa local e nacional.
Não se trata de uma divergência política corriqueira quando esse tipo de discurso parte de alguém ligado à direção de uma escola infantil. A hostilidade dirigida a um grupo inteiro atinge também pais e responsáveis que confiam à instituição a formação e o cuidado de seus filhos. É compreensível que as famílias questionem se haverá acolhimento e respeito para todas as crianças, independentemente das convicções políticas de seus familiares.

Pais ouvidos pelo UOL disseram que pretendem tirar os filhos da escola. O advogado Hugo Trauzola afirmou que manterá o filho na unidade até o fim do ano para evitar prejuízo pedagógico, mas cancelará a matrícula de 2027. A advogada Anne Caroline Fidelis também disse que pretende transferir a filha. Outro pai relatou que famílias de colegas ficaram indignadas.
A repercussão levou o Fórum Alagoano em Defesa da Educação Infantil (FADEDI) a divulgar uma carta de repúdio. A entidade criticou a desqualificação e a exclusão de pessoas por sua orientação política e cobrou respeito às diferenças. O fórum ressaltou que profissionais da educação têm responsabilidade especial na construção de ambientes baseados no diálogo e na convivência.
A preocupação das famílias merece ser levada a sério. O episódio não autoriza afirmar que alunos já tenham sofrido discriminação dentro da escola — esse fato não foi confirmado pelas reportagens consultadas. Mas as mensagens atribuídas à dirigente abalam a confiança das famílias e levantam uma pergunta inevitável: como uma escola pode ensinar respeito às diferenças se quem participa de sua direção publica mensagens que desumanizam e excluem pessoas por suas escolhas políticas?
Procurado pelo portal UOL de São Paulo, o setor jurídico da escola afirmou que Edivânia não teria declaração a prestar e que ela “atua apenas ajudando na direção”. O veículo informou que o marido dela, apontado na reportagem como sócio único, havia se comprometido a se manifestar em nome da instituição; até a publicação, o posicionamento ainda era aguardado. A Tribuna do Sertão deixa o espaço aberto para manifestação da escola e da diretora.

Mais lidas
-
1DO PLANALTO AO COLINHO
“Papai Trump”: Flávio vira alvo de memes após saída do Brasil; veja vídeo de IA
-
2POLÍTICA
Veja os resultados das eleições neste início da apuração
-
3ELEIÇÕES
Acompanhe minuto a minuto o 2º turno das eleições no Brasil 2026
-
4LULA LÁ
Paulista tomada por multidão; estimativas falam em 2 milhões no ato do presidente Lula; veja vídeo
-
5POLÍTICA
Marco Rubio articulou saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, diz aliado