Cidades

“JHC prometeu ser pedra no sapato da Braskem, mas virou pedra no sapato das vítimas”, diz Pastor Wellington

17/09/2026
“JHC prometeu ser pedra no sapato da Braskem, mas virou pedra no sapato das vítimas”, diz Pastor Wellington
“JHC prometeu ser pedra no sapato da Braskem, mas virou pedra no sapato das vítimas”, diz Pastor Wellington

Uma das vozes mais atuantes na defesa das vítimas do desastre provocado pela mineração da Braskem em Maceió, o Pastor Wellington do Pinheiro (PT) fez duras críticas à atuação da Prefeitura no acolhimento às famílias atingidas. Candidato a deputado federal, ele afirma que a gestão de João Henrique Caldas, o JHC, não correspondeu à postura que o então candidato havia prometido adotar diante da mineradora.

O desastre atingiu cinco bairros da capital: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. A área comprometida abrange mais de 14 mil imóveis e levou à retirada de cerca de 60 mil pessoas. Os impactos também alcançaram comunidades que permaneceram fora do mapa de risco, como os Flexais, em Bebedouro, afetados pelo chamado ilhamento socioeconômico após o esvaziamento do entorno.

“O prefeito que gritava que seria a pedra no sapato da empresa criminosa acabou se tornando a pedra no sapato das vítimas”, lamentou Wellington.

Há mais de 30 anos à frente da Igreja Batista do Pinheiro, Wellington acompanhou desde o início os efeitos do desastre, que ele classifica como crime, sobre os moradores. A igreja também foi atingida. Cerca de 40% dos integrantes da comunidade religiosa viviam no bairro e tiveram de deixar a região, segundo o pastor. O templo permanece interditado, enquanto a instituição luta na Justiça para retornar ao local.

É a partir dessa experiência que Wellington contesta a atuação da Prefeitura. Para ele, faltaram acolhimento, escuta e uma defesa mais firme das famílias diante da Braskem. “Se você perguntar a qualquer pessoa se ela se sentiu defendida, acolhida nesse processo pelo representante do município, o prefeito João Henrique Caldas, eu lhe garanto: a maioria absoluta lhe dirá que se sentiu abandonada”, declarou.

Na avaliação do pastor, JHC deveria ter se colocado de forma inequívoca ao lado dos atingidos. “A sensação das pessoas é que não tiveram o ente político, o prefeito, que é o grande líder da cidade, ao lado delas, mas sim, ora no meio, tentando ficar neutro, ora mais pró-empresa do que as vítimas propriamente ditas”, criticou.

O religioso questiona a falta de participação dos atingidos nas decisões tomadas pelo município. Para ele, as próprias vítimas deveriam ter sido chamadas a discutir as medidas de reparação e o futuro dos bairros. “Por que não ter feito uma comissão das vítimas, dos atores dos bairros atingidos, para que essas pessoas fossem protagonistas de uma saída da sua própria tragédia?”, questionou.

Flexais


Wellington cita a situação dos Flexais como exemplo de um problema que, em sua avaliação, permanece sem uma resposta satisfatória. A região ficou fora do mapa de risco, mas sofreu os efeitos do esvaziamento das áreas vizinhas. Em 2022, foi firmado um acordo entre órgãos públicos, Prefeitura e Braskem para enfrentar o ilhamento socioeconômico e promover a requalificação da área.

Para Wellington, porém, os moradores precisam ser ouvidos sobre o próprio futuro. Ele afirmou que a maioria das pessoas que vivem nos Flexais deseja ser realocada e criticou a aposta na revitalização como solução para a comunidade.

As consequências, segundo ele, também ultrapassam as perdas materiais. Famílias foram dispersadas, relações comunitárias foram rompidas e moradores ainda buscam reparação. “O afundamento se dá nas emoções, o afundamento se deu nas mentes das pessoas, adoecendo gente”, afirmou.

Reparação e território


Agora candidato a deputado federal, Wellington colocou a reparação aos atingidos pela Braskem como primeiro eixo de seu programa de compromissos. A proposta parte do princípio de que os moradores devem participar das decisões sobre o futuro dos territórios afetados.

Na Câmara, ele propõe defender a criação de um Marco Nacional de Reparação e Direitos das Populações Atingidas por Desastres Ambientais e Tecnológicos. Também pretende fiscalizar acordos de reparação, endurecer a responsabilização de empresas e proteger o patrimônio histórico, cultural e religioso e a memória dos bairros atingidos.