Cidades
R$ 21 milhões: TCE cobra explicações de Rodrigo Cunha, sucessor de JHC, sobre irregularidades apontadas pelo MPE no São João de Maceió
Representação do Ministério Público questiona aumento do orçamento da festa, retirada de recursos por meio de suplementações, despesas com shows e estruturas temporárias e leva Tribunal de Contas a exigir esclarecimentos da Prefeitura de Maceió
Uma representação do Ministério Público de Alagoas colocou sob suspeita a execução financeira do São João Massayó 2026 e levou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AL) a abrir uma apuração sobre gastos públicos que podem ultrapassar R$ 21 milhões. A ação aponta uma série de supostas irregularidades na condução orçamentária do evento e questiona desde a ampliação dos recursos destinados à festa até a utilização de créditos suplementares e a realização de novas despesas com shows e estruturas temporárias.
A decisão é direcionada à atual gestão do prefeito Rodrigo Cunha, que assumiu a Prefeitura após a saída de JHC para disputar o Governo de Alagoas e é responsável pela execução do evento deste ano.
Segundo a representação, a dotação inicialmente prevista para as festividades era de aproximadamente R$ 5,9 milhões, mas acabou sendo elevada para cerca de R$ 21,3 milhões mediante sucessivas suplementações orçamentárias. Para o Ministério Público, há necessidade de esclarecer a origem desses recursos e a forma como foram remanejados dentro do orçamento municipal.
Embora os cachês das atrações nacionais estejam estimados em aproximadamente R$ 14,8 milhões, o procedimento evidencia que esse montante não representa a totalidade dos gastos do evento, que ainda engloba despesas com infraestrutura, locação de estruturas temporárias, fornecedores e demais contratos necessários para sua realização.
Na própria representação, o Ministério Público requer que o Município se abstenha de emitir novas ordens de serviço, empenhar, liquidar ou pagar despesas relacionadas a festividades, shows, contratações artísticas e locação de estruturas temporárias enquanto persistirem as condições de fragilidade financeira apontadas no processo.

Outro eixo central da representação diz respeito à suposta utilização de recursos obtidos mediante anulação de dotações orçamentárias, inclusive relacionadas à gestão da dívida pública. O Ministério Público pede que a Prefeitura deixe de utilizar despesas obrigatórias para custear festividades e apresente motivação específica para os remanejamentos realizados.
Além disso, a representação sustenta que o Município apresenta indicadores que merecem atenção, como alegada insuficiência de disponibilidade de caixa e dificuldades relacionadas ao pagamento de despesas correntes essenciais, cenário que, segundo o órgão ministerial, torna ainda mais sensível a ampliação dos gastos com eventos festivos.
Ao analisar o caso, o conselheiro Bruno Albuquerque Toledo, relator do processo no Tribunal de Contas, reconheceu a relevância das alegações e determinou que a Prefeitura apresente uma ampla documentação antes da apreciação do pedido cautelar. Entre os documentos exigidos estão todos os contratos de artistas, fornecedores, patrocinadores, organizadores e empresas responsáveis pela infraestrutura do São João Massayó, além da demonstração detalhada da execução orçamentária, dos atos de suplementação e das fontes dos recursos utilizados.
O relator também advertiu que a ausência de informações ou a apresentação insuficiente da documentação poderá ser considerada no julgamento da cautelar, autorizando o Tribunal a decidir com base nos elementos já existentes nos autos.
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