Cidades

Três anos depois, sobreviventes cobram Justiça por tragédia na Lagoa Mundaú

Audiência de instrução será realizada nesta quarta-feira (15), em Marechal Deodoro

14/04/2026
Três anos depois, sobreviventes cobram Justiça por tragédia na Lagoa Mundaú
Três anos depois, sobreviventes cobram Justiça por tragédia na Lagoa Mundaú

Após mais de três anos marcados por espera, dor e silêncio, o caso do grave acidente náutico ocorrido em 24 de fevereiro de 2023, na Lagoa Mundaú, volta ao centro das atenções. Nesta quarta-feira (15), às 11h, será realizada, no Fórum de Marechal Deodoro, a audiência de instrução que apura a colisão envolvendo uma embarcação do Bar do Joel, episódio que comoveu Alagoas e deixou marcas profundas nos sobreviventes e nas famílias das vítimas.

Na embarcação atingida estavam Joel Juvêncio Albino, além de seus funcionários José Cícero da Silva e Benedito dos Santos. Os três foram socorridos em estado grave. José Cícero e Benedito não resistiram aos ferimentos. Joel sobreviveu, mas carrega até hoje, no corpo e na memória, as consequências da tragédia.

A audiência ocorre após mais de três anos de tramitação e é vista pelas vítimas e seus familiares como um passo decisivo para que o caso avance. O Ministério Público ofereceu denúncia por homicídio culposo, sustentando que não houve intenção de matar. Entretanto, a tese defendida pelas vítimas e pelos assistentes de acusação é diversa.

Para a assistência, os elementos reunidos até o momento apontam para homicídio e tentativa de homicídio dolosos, na modalidade de dolo eventual.

Segundo essa linha de acusação, a forma de condução da moto aquática, a velocidade empregada, o risco assumido e as circunstâncias do local demonstram que o acusado teria assumido conscientemente a possibilidade de produzir o resultado. A assistência ressalta, ainda, que o condutor é policial, pessoa treinada, conhecedora da lei, habituada à avaliação de risco e plenamente capaz de compreender as consequências de uma pilotagem perigosa.

Para os representantes das vítimas, não se trata de um simples acidente ou de uma fatalidade inevitável. A conduta atribuída ao acusado teria criado um risco extremo e desnecessário, incompatível com a segurança exigida em uma área de navegação compartilhada.

No acompanhamento do caso, Joel Juvêncio Albino passou a ser representado pelos advogados criminalistas Joanísio Omena e Kyvia Maciel, que assumiram a assistência de acusação. De acordo com os advogados, Joel não é apenas sobrevivente de uma colisão: ele é vítima e testemunha direta de um episódio que destruiu vidas, interrompeu histórias e abalou profundamente a comunidade ligada à Lagoa Mundaú.

À época dos fatos, Joel afirmou que a colisão poderia ter sido evitada. Segundo seu relato, as condições de visibilidade e as circunstâncias da navegação permitiam que a embarcação fosse percebida a tempo, tornando possível evitar o impacto.

“A denúncia do Ministério Público foi por homicídio culposo, mas a assistência entende que os fatos revelam homicídio e tentativa de homicídio dolosos, por dolo eventual. Quem conduz uma moto aquática daquela forma, em alta velocidade e em condições de evidente risco, assume a possibilidade de matar. Vamos perseguir essa desclassificação até o final do processo”, sustentam os advogados da vítima.

Mais do que um ato processual, a audiência de hoje representa um momento aguardado há anos por quem convive diariamente com a dor, a indignação e a esperança de que a Justiça dê uma resposta compatível com a gravidade da tragédia.