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Maceió injeta R$ 120 milhões no transporte em um mês e supera todo o gasto de 2025

Repasse recorde em março coincide com a saída de JHC da prefeitura; município também lidera rombo previdenciário nacional em investimentos no Banco Master

Redação com informações da Folha de Alagoas 10/04/2026
Maceió injeta R$ 120 milhões no transporte em um mês e supera todo o gasto de 2025
- Foto: Arquivo

Em um movimento financeiro atípico, a Prefeitura de Maceió destinou R$ 120,5 milhões ao transporte urbano municipal apenas no mês de março de 2026. O montante é superior a todo o investimento realizado no setor durante os doze meses de 2025, segundo dados extraídos do Portal da Transparência do município.

O salto nos gastos chama a atenção pela cronologia: a transferência massiva ocorreu exatamente no mês que antecedeu a descompatibilização do ex-prefeito João Henrique Caldas (JHC). O gestor deixou o cargo no dia 4 de abril para lançar sua candidatura ao Governo do Estado ou ao Senado Federal.

Comparativo de Repasses

Os números revelam uma disparidade acentuada entre os exercícios financeiros. Ao longo de todo o ano passado, o Fundo Municipal de Transportes Urbanos repassou R$ 111,3 milhões ao Sistema de Bilhetagem Municipal.

Em 2026, o ritmo de gastos acelerou de forma exponencial:

Janeiro: R$ 4,6 milhões

Fevereiro: R$ 5,4 milhões

Março: R$ 120,5 milhões

Déficit Previdenciário Recorde

Além dos gastos com transporte, a saúde financeira da capital alagoana enfrenta desafios no setor previdenciário. Maceió registra atualmente o maior déficit entre 15 fundos de previdência nacionais que investiram em letras financeiras do Banco Master. O rombo acumulado é de R$ 299,4 milhões, conforme dados do Cadprev (Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência Social).

Durante a gestão de JHC, o Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) aplicou cerca de R$ 97 milhões na referida instituição bancária. Após a operação, Maceió passou a encabeçar a lista de maiores prejuízos previdenciários entre as cidades investidoras.

"A capital alagoana é a que detém o maior volume aplicado na instituição entre as cidades com balanços deficitários", aponta o levantamento baseado nos Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAAs).

No cenário nacional, outras quatro cidades — Campo Grande (MS), Araras (SP), Santa Rita d’Oeste (SP) e Paulista (PE) — também apresentam balanços no vermelho decorrentes desses investimentos, mas nenhuma atinge as cifras registradas por Maceió.