Cidades
Reportagem denuncia água contaminada e risco à saúde de moradores em Tanque d’Arca
Laudos do Instituto do Meio Ambiente indicam contaminação da água distribuída no município; moradores relatam problemas de saúde e buscam água em cacimbas para consumo
Uma investigação jornalística trouxe à tona uma grave denúncia envolvendo a qualidade da água consumida pela população de Tanque d’Arca, município do Agreste alagoano localizado a cerca de 100 quilômetros de Maceió.
A reportagem foi divulgada pelo canal de jornalismo investigativo do repórter Wadson Correia e aponta possíveis irregularidades no abastecimento operado pela concessionária Verde Alagoas, responsável pela distribuição de água em 26 municípios do estado, atingindo aproximadamente 400 mil pessoas.
Segundo a investigação, laudos do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) indicam que a água distribuída na cidade apresenta turbidez, presença de sólidos dissolvidos, excesso de ferro e coliformes fecais, características que a tornam imprópria para consumo humano.
De acordo com os dados apresentados na reportagem, a água fornecida à população é captada em poços artesianos localizados na área urbana, perfurados em regiões que não possuem rede de saneamento básico e que ficam próximas a fossas sépticas, o que aumentaria significativamente o risco de contaminação.
Riscos à saúde e relatos de moradores
Especialistas ouvidos pela investigação alertam que o consumo de água contaminada pode provocar diarreia, dores abdominais, náuseas, vômitos e desidratação, além de infecções mais graves, como colite hemorrágica, febres infecciosas e problemas renais.
Crianças e idosos são apontados como os grupos mais vulneráveis.
Além da ingestão, o contato com a água também tem provocado problemas. Moradores relatam coceiras intensas após o banho, em alguns casos com o surgimento de feridas na pele.
As dificuldades também se estendem ao cotidiano das famílias. Segundo relatos apresentados na reportagem, a água distribuída impede que o sabão faça espuma, deixando roupas rígidas e cabelos endurecidos após a lavagem.
Na cozinha, a situação também preocupa. Moradores afirmam que a água já chegou a sair com coloração verde, escura, barrenta ou com aparência de ferrugem. Há relatos de que, ao cozinhar alimentos como feijão, ocorre uma reação que deixa o alimento completamente escuro.
Diante da situação, muitos moradores passaram a buscar água em cacimbas naturais localizadas em áreas de mata, alternativa improvisada para garantir o consumo diário.
Concessão e cobrança das tarifas
A reportagem também relembra que o sistema de abastecimento de água do município, que anteriormente utilizava nascentes naturais e não gerava cobrança para a população, foi concedido à empresa Verde Alagoas em 2022, durante a gestão do então prefeito Valença.
Após a concessão, moradores passaram a receber faturas mensais pelo serviço, com relatos de contas que chegaram a valores próximos de R$ 700, o que gerou indignação entre famílias de baixa renda.
Processo judicial e fiscalização
A situação já chegou à Justiça. Um processo tramita há cerca de três anos no fórum da comarca de Anadia, pedindo a suspensão da cobrança das faturas enquanto a água não apresentar condições adequadas de potabilidade.
Com o objetivo de buscar esclarecimentos e possíveis soluções, o juiz Emanuel Andrade Barbosa determinou a realização de audiência envolvendo representantes da prefeitura de Tanque d’Arca, da concessionária Verde Alagoas, do Instituto do Meio Ambiente e do Ministério Público Estadual.
Segundo a reportagem investigativa, até então o Ministério Público ainda não havia se manifestado formalmente no processo.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (Arsal) informou que pretende realizar fiscalização conjunta com a vigilância sanitária, para verificar diretamente as condições da água distribuída no município.
Posicionamento da empresa
Procurada pela reportagem, a concessionária Verde Alagoas afirmou, por meio de nota, que não comenta processos judiciais em andamento.
A empresa declarou ainda que, ao assumir a operação do sistema de abastecimento em outubro de 2022, a água distribuída não possuía nenhum tipo de tratamento e que vem realizando investimentos para adequar o serviço aos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde.
Após tomar conhecimento da produção da reportagem, a concessionária realizou procedimentos de limpeza em alguns poços, medida que especialistas consultados classificaram como apenas paliativa, sem resolver as causas estruturais da contaminação.
Caso pode atingir outros municípios
A denúncia levanta preocupação em relação aos demais municípios atendidos pela concessionária, uma vez que o mesmo modelo de captação e distribuição pode estar sendo utilizado em outras localidades.
A Tribuna do Sertão continuará acompanhando os desdobramentos do caso, que pode ter implicações importantes para a saúde pública e para o modelo de concessão dos serviços de abastecimento em Alagoas.
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